sábado, 1 de agosto de 2026


DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Texto bíblico: Mt 14, 13 – 21

Data: 2 de agosto

Dom Samuel Dantas, OSB

No capítulo quarto do segundo livro dos Reis lê-se que o profeta Eliseu ordenou à distribuição de um saco contendo vinte pães de cevada e trigo novo para um grupo de homens afim de que se alimentassem. Como, porém, a quantidade era pouca, seu ajudante replicou: como poderia eu distribui-lo para cem pessoas? Ao que o profeta retrucou: “comerão e ainda há de sobrar. Eles comeram, lemos no texto, e ainda houve sobra, de acordo com a palavra do Senhor”.

No fim do relato da passagem evangélica proposta para este Domingo, eis o que se lê: “Todos eles comeram e ficaram saciados; e recolheram os pedaços que sobravam: doze cestos cheios”. (2Rs 4, 43 e Mt 14, 20)

A semelhança entre os dois episódios mostra-nos que de fato o Antigo Testamento misteriosamente, anuncia o Novo. É quase certo que as pessoas que estiveram presentes quando Jesus realizou o portento da multiplicação dos pães, tenham se lembrado de que muitos séculos antes Deus realizara uma outra multiplicação por intermédio do profeta, saciando com pouco a muitos.

Lendo os escritos do Antigo Testamento deparamo-nos com várias promessas de multiplicação. Vejamos algumas delas.

Disse Deus a Abraão: “Quero fazer-te dom da minha aliança entre mim e ti, eu te multiplicarei ao extremo”. (Gn 17, 2) De novo disse o poderoso a Abraão: “Comprometo-me a abençoar-te e a multiplicar a tua descendência tanto quanto as estrelas no céu e a areia na orla do mar”. (Gn 22, 17) Nos oráculos de Isaías lemos: “Multiplicaste a sua alegria, aumentaste o seu júbilo”, (Is 9, 2) No mesmo profeta lemos ainda que Deus “dá energia ao fraco e multiplica a resistência de quem está sem forças”. (Is 40, 29) Pela boca de Jeremias disse Deus: “Eu os multiplico, eles não diminuirão”. (Jr 30, 19) “Como o exército do céu que não pode ser enumerado, como a areia do mar que não pode ser medida, assim multiplicarei os descendentes do meu servo David”. (Jr 33, 22)

O autor do relato, que foi o evangelista Mateus, nota que “todos eles comeram e ficaram saciados”. (Mt 14, verso 20) Não se pode duvidar que o ventre daqueles homens foi saciado pelo pão material multiplicado pelo Filho de Deus. Quanto, porém a alma, terá sido ela saciada ou será que permaneceu faminta? Três textos proféticos mostram que é possível alguém comer e mesmo assim permanecer faminto. Miquéias 6, 14: “Comerás, mas não poderás saciar-te”. Oséias 4, 10: “Comerão sem se saciar”. Ageu 1, 6: “Comeis, mas sem vos saciardes”.

Eu não sei se essas palavras inspiradas da Escritura podem aplicar-se as pessoas das quais o Evangelho deste domingo nos fala. Talvez sim, talvez não. Cada um tem aqui a liberdade de pensar o que quiser. O que, todavia, não é impossível é que, dada a dureza daquele povo, muitos tenham comido o pão sem ter crido naquele que o multiplicou. O pão entrou pela boca, mas a fé não penetrou na alma nem se instalou no coração. Ter o Senhor Jesus multiplicado pães foi sem dúvida um estrondoso milagre, com o que provou que era Deus. Isto, porém,  não nos deve fazer esquecer que muito mais importante do que comer o pão material que sacia apenas por um pouco de tempo, é crer naquele que uma vez disse: “É necessário que vos empenheis não para obter este alimento perecível, mas o que o Filho do homem vos dará.”

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

 


 

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