TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO
COMUM
Data: 25 de janeiro
Texto bíblico: Mt 4, 12 – 23
Dom Samuel Dantas, OSB
A palavra saída da boca do Senhor Jesus possui uma força extraordinária, capaz de alterar completamente o curso da vida de alguém que a acolha e a escute com a atenção devida a ela. Tal é o que claramente se nos revela no trecho evangélico lido neste domingo pela Igreja e proposto à nossa consideração.
Poucas
palavras foram necessárias para arrancar Pedro e seu irmão André, ambos
pescadores, do lugar em que estavam, certamente sem pensar que dali a poucos
instantes, por causa de uma palavra dita por alguém que sequer conheciam, a sua
vida tomaria um rumo totalmente diferente.
Jesus
não proferiu um longo e enfadonho discurso sobre si e sobre a obra que viera
fazer no mundo por ordem do seu eterno Pai para convencê-los a segui-lo, nem
realizou diante deles milagre de espécie alguma para capturar o seu
assentimento. Não fez nada, mas limitou-se a dizer com a autoridade que lhe era
própria: “Vinde em meu seguimento e farei de vós pescadores de homens”.
Os
chamados por Cristo não deixariam de ser pescadores, continuariam a pescar, só
que doravante coisa bem diferente do que pescavam até então.
E
tão admirável quanto a brevíssima palavra que mudou inteiramente a vida
daqueles quatro homens, cuja existência até então limitava-se a execução de um
extenuante labor do qual retiravam o seu sustento cotidiano, foi a prontidão
com que obedeceram assim que ouviram a palavra que lhes foi dirigida por um
desconhecido.
Lê-se
em um certo Salmo: “Mal ouviu a minha voz obedeceu”. Eis o que aconteceu quando,
primeiro Pedro e André, e em seguida Tiago e João, escutaram a palavra de Jesus.
O
evangelista Mateus, que registrou o fato, relatou que logo que eles ouviram a
palavra do Senhor Jesus, deixando o que estavam fazendo, puseram-se a segui-lo.
Seria muito normal e compreensível que aqueles homens, tendo escutado a palavra
de Jesus, estranha e misteriosa sem dúvida, lhe tivessem perguntado: tu, que
isto nos dizes, quem és? Ou: seguir-te para onde? No entanto, nada disto
sucedeu!
Aqueles
homens não perguntaram a Jesus quem ele era e nem para o que exatamente estavam
sendo chamados, mas apenas o seguiram sem vacilar, sem saber nada sobre quem
acabara de chama-los e menos ainda sobre para o que estavam sendo chamados. E,
todavia, mesmo sem nada saber, eis que se põem a segui-lo. Aqui está o que é a
fé em sua definição mais pura e em seu estado mais perfeito.
Chamados,
não fazem perguntas, não pedem garantias, não exigem explicações e não hesitam
um único instante. Deixando tudo o que estavam fazendo, seguem a quem os
chamou.
Aqueles
quatro pescadores tinham pelo menos cinco motivos para recusarem-se a seguir
Cristo: 1) Não sabiam quem de fato era ele e o que pretendia. Podiam pensar:
Como vou seguir alguém que sequer conheço? 2) Já tinham um trabalho. Podiam
pensar: Trabalhar no que? 3) Já tinham um ganho certo, oriundo da atividade da
pesca. Podiam pensar: Vou ganhar o que? 4) Incerteza quanto ao futuro. “Como
será o amanhã”? Por fim, poderiam ter pensado: e se acaso não der certo? Sem,
no entanto, levar em consideração nada disto, creram em quem lhes falou;
confiaram em sua palavra, e deixando para trás um presente seguro e estável,
seguiram a Jesus.
Se
tivessem optado por permanecer exatamente onde estavam, e junto de quem estavam;
se tivessem preferido continuar a fazer o que estavam fazendo quando Cristo os
chamou, poderiam ter sido salvos, mas não teriam se tornado íntimos amigos do
Filho de Deus nem tampouco o “sal da terra e a luz do mundo”. Cristo, tirou-os
de onde eles estavam e ei-los convertidos no que jamais se teriam tornado se não
os tivesse chamado.
Creia
que o senhor Jesus, o qual fez de quatro pescadores apóstolos seus, pode ainda
hoje fazer de você, quem quer que você seja, alguém melhor. Para que isso se
realize é preciso que você o siga.
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

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