sábado, 6 de junho de 2026

 

DÉCIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Texto bíblico: Mt 9, 9 – 13

Data: 7 de junho

Dom Samuel Dantas, OSB

Um homem sentado na coletoria de impostos chamado por Cristo para segui-lo? A época em que isto se deu a função de coletor de impostos era desprezível. Um homem cuja reputação entre os seus contemporâneos era péssima por fazer o que fazia chamado pelo Filho de Deus para no futuro redigir sob a ação do Espírito Santo o que hoje, decorridos tantos séculos, ainda lemos e escutamos com fé e respeito? Sim, exatamente isso!

Poderia aquele homem que estava sentado na coletoria de impostos exercendo seu vil ofício imaginar para o que estava sendo chamado e no que se tornaria dali a alguns anos quando Cristo lhe disse: “Segue-me?”  (Mt 9, 9)

Esta passagem bíblica deste domingo dá-nos ocasião de contemplar, maravilhados, as escolhas de Deus, não raro tão difíceis de compreender quanto o próprio Deus, e além disso, bem diferentes das nossas!

Entre os que conviviam com o futuro evangelista, haveria um só pelo menos, que o admirasse e por ele tivesse algum tipo de consideração? Em razão do odioso cargo que exercia a resposta quase certa é que provavelmente não! Não se deve também descartar a possibilidade de que até entre os seus fosse ele desprezado e tido em pouca conta! Qual homem, pois, olhando apenas para o que ele fazia regularmente, o teria escolhido para o cumprimento de uma altíssima missão, a qual consistiria em redigir um documento que na sucessão dos séculos futuros seria não apenas lido por milhões de cristãos, mas ainda amplamente comentado por insignes doutores? Provavelmente nenhum!

Deus, todavia, cujo olhar penetra onde o nosso não alcança, pondo nele o seu olhar mais penetrante que o brilho do sol, disse-lhe: “segue-me!”

Mais uma vez cumpre-nos admirar, sem pretender escrutar, as incompreensíveis obras do altíssimo, o qual aliás, dissera bem antes pela boca de um dos seus profetas: “Meus pensamentos não são os vossos pensamentos e os meus caminhos não são os vossos caminhos”.

Para formar o povo de Israel Deus escolheu Abraão que não o conhecia; para salvar Jacó e seus descendentes escolheu José, o segundo mais novo de seu pai; para libertar o povo de Israel do cativeiro do Egito enviou Moisés que não era um perito na arte de falar; para ser o maior rei de Israel foi escolhido o filho mais novo da casa de Jessé; como primeiro rei de Israel foi escolhido Saul, membro da tribo de Benjamim, uma das menores dentre as tribos de Israel; como primeiro pastor supremo da Igreja universal foi escolhido um humilde pescador; como o maior pregador de todos os tempos escolheu quem dantes tinha sido perseguidor de Cristo e dos cristãos.

Eis porque é verdade que “o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; o que é fraco no mundo Deus o escolheu para confundir o que é forte: aquilo que no mundo é vil e desprezado, aquilo que não é, Deus o escolheu para reduzir a nada aquilo que é.” (1Cor 1, 27 e 28)

Depois de termos admirados a escolha do homem-Deus, admiremos agora a humildade do homem escolhido, que aliás, contrasta radicalmente com a soberba luciferiana do homem do nosso tempo. Ao relatar seu chamado, poderia ter escrito: ao passar Jesus me viu e me chamou. No entanto, cônscio de que não merecera ser chamado, mas fora escolhido por um ato de misericórdia inteiramente gratuita, limitou-se a escrever que Jesus vira um homem chamado Mateus e o chamara para que, deixando tudo, o seguisse.

Se aquele homem tivesse ficado onde estava quando foi chamado, se tivesse preferido permanecer um cobrador de impostos, jamais teria se tornado o apóstolo e evangelista Mateus. Antes de ser chamado Mateus era treva, mas depois tornou-se luz, era cego e depois passou a enxergar, era pobre dos dons divinos e depois tornou-se repleto deles, estava doente, mas com o chamado, recebeu o dom da saúde, que antes não tinha, pelo menos a da alma.

Conta-nos o mesmo evangelista que Jesus disse ainda depois de o ter chamado: “Não são os que tem saúde que precisam de médico, mas os doentes”.

Perdoai-me, ó Senhor, mas eu ouso respeitosamente discordar de vós. Quem tem saúde também precisa de médico para não ficar doente. Se por um só momento vós deixardes de assistir quem agora por mercê vossa está são, voltará a ficar doente. Excluindo, vós e vossa santíssima mãe, todos estamos doentes de alguma coisa e não há debaixo do céu hoje como não houve no passado nem haverá no futuro quem não necessite de vós para ser curado de alguma coisa.

 Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

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