José Carlos dos Santos
Professor titular do Instituto Federal do Ceará (IFCE)
e professor associado da Universidade Regional do Cariri (URCA)
Os lugares sagrados de Juazeiro do Norte
O dia 10 de junho de 2026
entra no calendário como um dia histórico para a cidade de Juazeiro do Norte. O
Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan) aprovou por unanimidade o registro dos Lugares Sagrados
de Juazeiro como Patrimônio
Cultural Brasileiro. A experiência religiosa dos devotos
do Pe. Cícero constitui o
processo de sacralização dos espaços que foram historicamente construídos e são
dotados de práticas culturais e religiosas coletivas. O Juazeiro assume um
diferencial de todos os lugares de peregrinação do mundo.
A cidade se transforma num
grande santuário que se constitui no roteiro da fé, construído pelo próprio
romeiro. Quem sacralizou o Juazeiro foi o próprio romeiro.
Quem faz o caminho no
Juazeiro é o próprio peregrino. A visita à Matriz de Nossa Senhora das Dores é
o primeiro lugar de visitação dos peregrinos nordestinos. Continuando o seu
caminho, o devoto visita a Casa-museu e depois a Praça do Socorro, onde existem
ícones sagrados: o Memorial, a Casa dos Milagres, o Nicho, o Cruzeiro e a
Capela com o túmulo do sacerdote e o cemitério mais antigo da cidade. No
percurso, o devoto atravessa o Rio Salgadinho que representa o Rio Jordão. No
Trajeto. Sobe-se a ladeira
íngreme do caminho do Horto com a via sacra, a parada na casa de madrinha Dodó,
o monte Sinai, a pedra do joelho, até chegar no alto da colina
do Horto. Aqui está a
estátua do patriarca do Nordeste, o Casarão e a Igreja do Bom Jesus. O santo
sepulcro é o caminho do sacrifício, da mortalidade, da penitência
e do pagamento das
promessas. Além destes, os Santuários de São Francisco e do Sagrado Coração de
Jesus são lugares de práticas de devoções do caminhante nas estradas do
Juazeiro. Assim, os peregrinos foram transmitindo pela tradição oral e
construindo novos símbolos deste universo misterioso e encantado de Juazeiro.
A inscrição de Juazeiro no
livro de registro de lugares sagrados, promovida pelo Iphan, é um gesto
grandioso e contém um valor histórico imensurável de reconhecimento a uma
experiência singular e criativa de cultura e religiosidade do povo Brasileiro. Esse
ato de reconhecimento valoriza os protagonistas da nossa história, os romeiros,
que pela resistência, resiliência, fé e coragem nas suas
expressões religiosas
recriam os ritos simbólicos e místicos, atravessando o tempo numa longa
tradição de fé e na confiança que a cidade é
símbolo da construção sempre renovada da redenção da vida aniquilada
socialmente e a porta do paraíso da esperança de uma vida melhor e mais digna
que repousa a alma sertaneja.
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques







