SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA
Texto bíblico: Jo 20, 19 –
31 (A incredulidade de Tomé)
Data: 12 de abril
Quem
escuta o relato evangélico deste domingo sente-se e não sem boa razão, tomado
de uma justa e compreensível perplexidade, em virtude da incredulidade manifestada
pelo apóstolo Tomé quando seus colegas de apostolado lhe disseram: “vimos o
Senhor”.
Sem
dúvida, tal atitude é para se estranhar, ainda mais vinda de quem veio!
Um
detalhe, porém, existe que nem sempre se percebe quando se lê esta passagem do
Evangelho de São João, o qual está contido entre os versículos 19 e 23.
Achando-se
os apóstolos numa certa tarde fechados em uma casa por medo dos judeus, “veio
Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: “a paz esteja convosco” (por duas
vezes) e tendo soprado sobre eles, acrescentou: “Recebei o Espírito Santo” e o
que segue.(Jo vers. 20)
Na
sequência do seu relato, o santo evangelista, ao concentrar-se na pessoa do
apóstolo Tomé, nos diz que ele, “um dos doze, não estava entre eles quando
Jesus veio”. Aqui está algo tão chocante, ouso dizer, ou quem sabe mais
chocante ainda do que a mesma falta de fé de Tomé diante da alegre notícia da
ressurreição que lhe fora transmitida por seus colegas de apostolado. E que
algo chocante é este a que me estou referindo? O fato de que Tomé não estivesse
onde e com quem devia estar quando o Senhor Jesus veio!
Se
Tomé não estava com os outros quando nosso Senhor Jesus Cristo se lhes
manifestou corporalmente naquela tarde memorável e radiante, devolvendo-lhes a
esperança e restituindo-lhes o ânimo alquebrado pela tragédia do Gólgota, onde
é que estava então? Independentemente de onde estivesse e de com quem estivesse
e fazendo fosse o que fosse – o evangelista nada revela a respeito em sua
narrativa – o que se sabe e que se tem como absolutamente certo é que ele não
estava onde deveria estar no solene momento em que o divino ressuscitado veio
ao encontro dos seus seguidores.
E
o que se seguiu desta ausência de Tomé naquela tarde? Aqui chegando, há uma outra coisa, em que devemos reparar com
muita atenção. Se Tomé não se achava presente quando Jesus veio na primeira
vez, quer isto dizer que ele não escutou esta palavra: “a paz esteja convosco”
e nem esta outra: “recebei o Espírito Santo. Os pecados daqueles a quem perdoardes
lhes serão perdoados e os daqueles a quem os retiverdes lhes serão retidos”.
Considerando
tudo isso com atenção e penetrados de temor e tremor, será para se estranhar
que quando os outros lhe disseram: “vimos o senhor”, a sua reação tenha sido a
que todos conhecemos, isto é, se eu não tiver provas sensíveis e palpáveis não
crerei?
Uma
coisa pode-se ter como certa: se Tomé estivesse junto com os outros onze na
ocasião em que o Senhor Jesus veio, não teria ele depois exigidos provas para
crer e tampouco teria sido asperamente repreendido pelo Senhor Jesus: “Deixa de
ser incrédulo e torna-te um homem de fé’. (Jo 20, 27) Felizmente, apesar de não
ter crido no que os outros lhe disseram, no fim Tomé rendeu-se à evidência
irrecusável do fato da ressurreição e dirigiu-se a Jesus como a seu Senhor e
Deus.
Oxalá
que quando Jesus vier, nós estejamos onde deveremos estar, pois é arriscado não
nos acharmos em certos lugares quando é imperioso que neles estejamos, e isso
porque a graça, sem a qual ninguém se salva, pode passar e não voltar mais.
Dom
Samuel Dantas, OSB
Publicado
por Tereza Neuma Macedo Marques

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