domingo, 12 de abril de 2026

                      SEGUNDO DOMINGO DA PÁSCOA

Texto bíblico: Jo 20, 19 – 31 (A incredulidade de Tomé)

Data: 12 de abril

Quem escuta o relato evangélico deste domingo sente-se e não sem boa razão, tomado de uma justa e compreensível perplexidade, em virtude da incredulidade manifestada pelo apóstolo Tomé quando seus colegas de apostolado lhe disseram: “vimos o Senhor”.

Sem dúvida, tal atitude é para se estranhar, ainda mais vinda de quem veio!

Um detalhe, porém, existe que nem sempre se percebe quando se lê esta passagem do Evangelho de São João, o qual está contido entre os versículos 19 e 23.

Achando-se os apóstolos numa certa tarde fechados em uma casa por medo dos judeus, “veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: “a paz esteja convosco” (por duas vezes) e tendo soprado sobre eles, acrescentou: “Recebei o Espírito Santo” e o que segue.(Jo vers. 20)

Na sequência do seu relato, o santo evangelista, ao concentrar-se na pessoa do apóstolo Tomé, nos diz que ele, “um dos doze, não estava entre eles quando Jesus veio”. Aqui está algo tão chocante, ouso dizer, ou quem sabe mais chocante ainda do que a mesma falta de fé de Tomé diante da alegre notícia da ressurreição que lhe fora transmitida por seus colegas de apostolado. E que algo chocante é este a que me estou referindo? O fato de que Tomé não estivesse onde e com quem devia estar quando o Senhor Jesus veio!

Se Tomé não estava com os outros quando nosso Senhor Jesus Cristo se lhes manifestou corporalmente naquela tarde memorável e radiante, devolvendo-lhes a esperança e restituindo-lhes o ânimo alquebrado pela tragédia do Gólgota, onde é que estava então? Independentemente de onde estivesse e de com quem estivesse e fazendo fosse o que fosse – o evangelista nada revela a respeito em sua narrativa – o que se sabe e que se tem como absolutamente certo é que ele não estava onde deveria estar no solene momento em que o divino ressuscitado veio ao encontro dos seus seguidores.

E o que se seguiu desta ausência de Tomé naquela tarde? Aqui chegando, há  uma outra coisa, em que devemos reparar com muita atenção. Se Tomé não se achava presente quando Jesus veio na primeira vez, quer isto dizer que ele não escutou esta palavra: “a paz esteja convosco” e nem esta outra: “recebei o Espírito Santo. Os pecados daqueles a quem perdoardes lhes serão perdoados e os daqueles a quem os retiverdes lhes serão retidos”.

Considerando tudo isso com atenção e penetrados de temor e tremor, será para se estranhar que quando os outros lhe disseram: “vimos o senhor”, a sua reação tenha sido a que todos conhecemos, isto é, se eu não tiver provas sensíveis e palpáveis não crerei?

Uma coisa pode-se ter como certa: se Tomé estivesse junto com os outros onze na ocasião em que o Senhor Jesus veio, não teria ele depois exigidos provas para crer e tampouco teria sido asperamente repreendido pelo Senhor Jesus: “Deixa de ser incrédulo e torna-te um homem de fé’. (Jo 20, 27) Felizmente, apesar de não ter crido no que os outros lhe disseram, no fim Tomé rendeu-se à evidência irrecusável do fato da ressurreição e dirigiu-se a Jesus como a seu Senhor e Deus.

Oxalá que quando Jesus vier, nós estejamos onde deveremos estar, pois é arriscado não nos acharmos em certos lugares quando é imperioso que neles estejamos, e isso porque a graça, sem a qual ninguém se salva, pode passar e não voltar mais.

Dom Samuel Dantas, OSB

Publicado por Tereza Neuma Macedo Marques

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