DÉCIMO
SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Texto bíblico: Mt cap.
10, versos 26 a 33.
Data: 21 de junho
Dom Samuel Dantas, OSB
Há
uma coisa que todos deveríamos temer, mas nem todos a temem. Que coisa seja
essa no-lo diz Jesus neste domingo e no-lo lembra a Igreja a quem o Senhor
Jesus encarregou de nos nutrir para a salvação por meio da palavra revelada.
“Temei
muito mais, diz nosso Senhor, aquele que pode fazer perecer alma e corpo no
inferno”, depois de nos ter dito que não precisamos temer aqueles que matam o
corpo, mas não podem matar a alma”. (Mt 10, 28)
Um
dos males que há neste mundo cego é sem dúvida alguma, este: teme-se o que não
se deveria temer e não se teme aquilo que deveria nos inspirar um santo e
salutar temor. Há quem tema os homens e o que estes podem fazer, mas muito mais
se deve temer aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno. Quem
isto pode fazer claro está, que é Deus, a quem não podemos deixar de temer.
Esta
palavra dita por nosso Senhor e salvador, pode todavia, suscitar no leitor
desatento e desprevenido uma certa dificuldade não pequena, a qual consiste no
seguinte: se a suprema e eterna verdade disse expressamente que aqueles que
matam o corpo não podem matar a alma (por ser ela imortal) como diz depois que
a alma pode perecer? Não são apenas os homens que não podem matar a alma! O próprio Deus que a infunde no corpo não o
pode fazer, visto ser ela dotada de imortalidade, que aliás foi-lhe dada pelo
mesmo Deus ao cria-la. Neste caso, de que morte da alma falava o Senhor? A que
espécie de morte estava ele se referindo, quando estas palavras, pronunciou? A
solução desta aparente dificuldade encontramo-la no livro do Apocalipse. Aí se
lê que há uma segunda morte, bem diversa da primeira, pela qual todos hão de passar,
e muito mais terrível que ela.
A
primeira morte, como se sabe, ocorre quando a alma abandona o corpo,
consistindo a morte justamente nisso, a saber, na separação entre alma e corpo.
A segunda, e esta é a que se deve temer, muito mais terrível que a primeira,
consiste na separação eterna e definitiva de Deus, no caso de a alma se
condenar.
Quando
Jesus falou do perecimento da alma e do corpo no inferno era a esta última
morte que se estava referindo. Assim como um ser humano formado de um corpo
perecível e de uma alma imortal morre para o mundo quando sua alma imortal
deixa seu corpo perecível, morre definitivamente para Deus se morre rompido com
ele, isto é, em pecado grave.
Dos
homens não precisamos ter medo porque o máximo que nos podem fazer é privar-nos
desta vida mortal, o que, bem considerado e pensado não é coisa para se
lamentar, especialmente nestes difíceis tempos que atravessamos. Disse alguém
certa vez que “só teme morrer quem ainda não compreendeu direito o que é viver”
e em todos os tempos houve em vários povos a convicção de que a vida inspira
muito mais medo do que a morte.
A
Deus devemos ama-lo porque é Pai misericordioso. Não nos esqueçamos, todavia,
de que devemos também temê-lo, visto que é juiz. Temamo-lo, pois, porque a
Escritura diz-nos que ele é um fogo abrasador (Hb 12, 29) e que é terrível cair
nas mãos do Deus vivo. É bom pensarmos no que o próprio cordeiro de Deus, manso
e humilde de coração nos diz no Apocalipse: “Eis que eu venho em breve e trago
comigo a minha recompensa para pagar a cada um segundo as suas obras”. (Ap, 22,
12)
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques
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