VIGÉSIMO SÉTIMO DOMINGO
DO TEMPO COMUM
Texto bíblico: Mt 21, 33 – 43
Data: 4 de outubro
(A parábola dos vinhateiros homicidas)
Dom Samuel Dantas, OSB
“Escutai outra
parábola”, continua Jesus dirigindo-se aos sumos sacerdotes e aos anciãos do
povo.
Vós sabeis que uma
parábola é uma história não real que contém um ensinamento de ordem moral ou
espiritual. Disto decorre que o que Cristo nos diz neste domingo por meio da
parábola não sucedeu de fato. O que porém, a parábola significa já ocorreu.
Quem é o proprietário
que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, construiu
uma torre e por fim, arrendou-a a vinhateiros? No Antigo Testamento, o
proprietário é Deus e a vinha o seu povo por ele mesmo plantada para que desses
frutos que fossem do seu agrado.
No Novo Testamento,
cujo centro é o Filho de Deus feito homem, o proprietário é o Senhor Jesus, e a
vinha por ele plantada é a Igreja, na qual e por meio da qual é-nos comunicada
a vida da graça e a salvação que ele nos mereceu pelo seu sacrifício expiatório
oferecido no altar da cruz.
Diz-nos Cristo na
parábola que “aproximando-se o tempo da colheita, o dono da vinha (Deus) enviou
seus servos (os profetas) a sua vinha (seu povo) para que este, advertido,
deixasse os seus maus caminhos e se voltasse arrependido para ele.
Antes da Encarnação do
seu dileto Filho em nossa carne mortal, o Pai santíssimo enviou os profetas
como seus servos. Na plenitude dos tempos, o enviado foi o Filho, o herdeiro de
todas as coisas, a quem mataram, tal como o filho da parábola contada por nosso
Senhor. O Filho por sua vez, que tinha sido enviado, enviou aos que escolhera.
“Eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos”, disse ele aos seus em certa
ocasião. Seus enviados (os apóstolos) também foram mortos.
“Os vinhateiros”, ao
invés de entregarem aos servos do dono da vinha os frutos a que tinha direito,
que fizeram? Agarraram-nos e os maltrataram. A um moeram de pancadas, a outro
mataram e a um outro apedrejaram. Na parábola, Jesus diz que o filho foi
enviado por último. Na chamada história da salvação, todavia, o Filho vem logo
depois dos profetas e depois dele vem os apóstolos.
Pedro, foi crucificado
de cabeça para baixo; Paulo foi decapitado; Tiago foi morto à espada por ordem
de Herodes; João Batista teve fim trágico na prisão; e Estevão foi apedrejado.
E quantos dos fieis servos de Cristo não foram perseguidos pelos judeus da
época de Cristo e pelos romanos durante sanguinárias perseguições contra a
nascente Igreja?
Em um longo discurso
feito perante autoridades judaicas, Estevão lhes lançou em rosto: “Qual dos
profetas vossos pais não perseguiram? Eles chegaram a matar os que anunciavam,
de antemão, a vinda do justo...” (Atos, cap. 7, verso 52)
O autor da carta aos
Hebreus escreveu sobre estes homens: “Outros sofreram o esquartejamento, outros
ainda sofreram a provação dos escárnios e do chicote e a das correntes e da
prisão; foram apedrejados, foram serrados, morreram assassinados à espada...”
(Hb cap. 11, versos 35 a 37)
Muitos profetas
enviados por Deus foram mortos, assim como os apóstolos por Cristo enviados em
missão para abrir os olhos do mundo. São os servos da parábola deste domingo.
Com Cristo, o proprietário da vinha espiritual que é a Igreja, não se deu coisa
diferente. Também ele, o filho da parábola, foi morto por aqueles que deveriam
tê-lo acolhido. Não sem razão está escrito no Evangelho de João: “veio para o
que era seu e os seus não o acolheram”.
Cristo conclui a
parábola dizendo aos judeus endurecidos: “O reino de Deus vos será tirado e
será dado a um povo que produzirá frutos”. O povo ao qual o Senhor se referia
quando, estas palavras, pronunciou, é o povo de Deus que no Novo Testamento é a
Igreja.
Quer Deus que sejamos
árvores frutíferas, que demos frutos que os antigos judeus, aos quais em primeiro
lugar foi dirigida a palavra, não deram. “O que glorifica meu Pai é que
produzais fruto em abundância”.(Jo 15, 8) e que “o vosso fruto permaneça.” (Jo
15, 16)
Postado por Tereza
Neuma Macedo Marques













