terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 

                     SE O BRASIL FOSSE UMA FAMÍLIA...

                                             Francisco Demontieux Fernandes (Jornalista).


Aprendemos na escola que o Brasil é uma república federativa com 26 estados e o distrito federal. Até aí tudo bem, mas, se cada um desses entes federados fosse alguém de carne e osso, formando uma família, como seria essa gente?

A mãe, obviamente, seria a Bahia. Uma mãe com imensa prole gerada depois de sucessivas desilusões amorosas, com filhos e filhas que a visitam esporadicamente e, no lar materno, comem, bebem, dormem e deixam a casa na maior bagunça e com vaso sanitário entupido quando vão embora pedindo dinheiro para completar a passagem e deixando-a cheia de saudades e mais dívidas.

O pai seria S. Paulo. Um pai que se acha provedor e autossuficiente, mas reclama até na hora de reajustar a pensão alimentícia de sua exclusiva responsabilidade.

A avó seria Minas Gerais, daquelas vovozonas que empaturram os netos de pão de queijo, doce de leite e enche, de cachaça, o bucho dos adultos.

O avô seria o Rio Grande do Sul. Tradicionalista, cheio de histórias e segredos, que nos visita sempre na companhia dos netos: Santa Catarina, que se julga europeia, mas zerou na prova de redação e só atingiu 200 pontos no último ENEM e o neto Paraná, aquele que vem para o churrasco trazendo apenas 3 latas de Itaipava, bebe todo estoque de haineken e ainda sai falando mal da gente.

O Rio de Janeiro seria aquele tio que era rico, ficou pobre e agora vive fugindo dos agiotas, mas não perde a pose, tanto que recentemente comprou financiada uma camioneta em 96 parcelas, mas já atrasou a primeira.

O Espírito Santo seria aquele primo generoso que emprestou o cartão de crédito ao tio Rio de Janeiro e agora está com nome sujo no SERASA.

O Ceará seria aquele tio que nos visita trazendo delícias como carne de sol, queijo coalho, rapadura de coco, doce de buriti, cajuína e uma rede cheia de varandas.

A Paraíba seria aquela irmã fofoqueira que quando contestada não assume nada e diz: NEGO.

Pernambuco seria aquele irmão valentão que não leva desaforo para casa.

Alagoas seria aquela cunhada, que há 10 anos foi morar na baixada fluminense, ficou só 2 meses por lá, voltou e até agora só fala chiando.

Sergipe seria aquele sobrinho baixinho e gorducho que fica furioso quando comparado a um toco de amarrar jegue.

O Rio Grande do Norte seria aquele cunhado diabético e hipertenso, que exagera no refrigerante e no sal, corre para a UPA e pede atestado médico para apresentar no trabalho.

O Piauí seria aquele irmão bacana que a gente só lembra dele na hora de pedir um favor.

O Maranhão seria aquele primo que ganhou muito dinheiro na Serra Pelada, torrou tudo na farra com carteado e cabarés e agora, na liseira, tenta se aposentar como garimpeiro.

Goiás seria aquela prima bonitona que se casou com um fazendeiro rico, depois que o velho adotou Tocantins, o filho que ela teve quando adolescente.  

Mato Grosso e seu irmão gêmeo Mato Grosso do Sul seriam aqueles primos que ganharam dinheiro grilando terras e agora se escondem dos oficiais de Justiça.

Rondônia seria aquela prima que casou com um caminhoneiro e agora ninguém sabe onde ela foi parar.

O Acre seria aquele primo que a gente sabe que existe, mas, mora tão longe que ninguém nunca o viu.

Amazona seria aquela prima que, de férias, foi passear na floresta, experimentou um chá chamado Santo Daime e por último foi vista cruzando a fronteira do México com os Estados Unidos.

O Pará seria aquele cunhado esperto que não visitava ninguém, foi morar muito distante e liga todo final de mês, de olho na herança, perguntando pela saúde do sogro e da sogra. Essa alma quer reza.

E Brasília? Seria aquela primeira neta, xodó da família inteira, que teve 2 filhos na adolescência, Amapá e Roraima, criados pela avó desde que saíram da maternidade, mas quando repreendidos reagem de forma exaltada: “Você não é minha mãe”. A primeira neta estudou em bons colégios, tinha perspectivas de futuro brilhante, mas vive drogada e prostituída nas mãos de traficantes de influência e ladrões de verbas do orçamento secreto.

Agora desafio o leitor a identificar alguém de sua própria família no meio deste clã chamado Brasil. Na minha, encontrei vários.

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques


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