Dona Vilani, a artesã que confecciona bonecos grandes no bairro Tiradentes
A minha
gatinha Princesa, que era de rua e adotei-a depois que foi atropelada. Cuidei
dela durante vários dias tentando adaptá-la ao ambiente saudável e aconchegante
da Vivenda do Amor, pra que convivesse
com seus outros irmãos. Zuzu, a mais velha, em janeiro fez 7 anos que é
moradora da Vivenda do Amor. Mill, o macho, encontrei-o debaixo de um banco na
Praça da Alegria, no Novo Juazeiro. A gatinha mignon, Sininho, adotei-a em um domingo
de adoção no Shopping e a Doçura também. A Princesa apresentou falta de
apetite, nada despertava a sua vontade de comer. Levamos pra Clínica
veterinária, sendo atendida pela médica veterinária, dra. Rebeca. Alguns exames
foram feitos, ultrassom, exames laboratoriais pra descobrir a causa desse
fastio, mas nada de melhora. Junto com Inês, minha secretária, usávamos uma
seringa com água ou papinha. E nada. Inês, então sugeriu, d. Neuma vamos levar
Princesa pra d. Vilani rezar, é a senhorinha que lhe falei que confecciona
bonecos grandes, assim a senhora vai conhecê-la. E assim nos dirigimos pra Rua
Martiniano Sampaio, no bairro Tiradentes, para que d. Vilani rezasse nela.
Paramos o carro, descemos tirei do carro a gaiola com Princesa e fui
apresentada a uma senhora baixinha, simpática e muito gentil. Falei que tinha
interesse em conhecê-la e os seus bonecos. Entramos na casa, mandou que
sentássemos e perguntou o que minha gatinha tinha, expliquei que há alguns dias
que não tomava água e nem se alimentava. Depois que rezou conversei sobre sua
vida, das amizades que tem com os vizinhos; dos animais de rua que alimenta e
cuida; do café que prepara para os garis nos dias que recolhem o lixo. E fora...
a boa risada que estrondou quando prosamos. Contou que frequentava muito a
Paróquia do Menino Jesus de Praga, mas as suas pernas cansadas já não a deixam ir,
e também uma hérnia que a incomoda bastante. Agradeci pela oração e nos
despedimos dela. Então pensei, vou escrever sobre a história dessa pessoa, humilde,
mas de coração enorme. Que se preocupa com o próximo, com os animais de rua, muito
amada pelos seus vizinhos e que nos ensina o poder da solidariedade.
Ela
mencionou uma revista que tinha sido entrevistada, e à pessoa que tinha dado a
revista, por sinal minha amiga, Tereza Maria. No outro dia quando a encontrei
na Igreja, falei da revista e a pedi emprestada.
A Revista faz parte do projeto Memórias Kariri, vinculado ao curso de jornalismo e que foi editada no ano de 2019. Um excelente trabalho que destaca a nossa cultura, a nossa gente.






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