segunda-feira, 22 de junho de 2026

Dona Vilani, a artesã que confecciona bonecos grandes no bairro Tiradentes

A minha gatinha Princesa, que era de rua e adotei-a depois que foi atropelada. Cuidei dela durante vários dias tentando adaptá-la ao ambiente saudável e aconchegante da Vivenda do Amor,  pra que convivesse com seus outros irmãos. Zuzu, a mais velha, em janeiro fez 7 anos que é moradora da Vivenda do Amor. Mill, o macho, encontrei-o debaixo de um banco na Praça da Alegria, no Novo Juazeiro. A gatinha mignon, Sininho, adotei-a em um domingo de adoção no Shopping e a Doçura também. A Princesa apresentou falta de apetite, nada despertava a sua vontade de comer. Levamos pra Clínica veterinária, sendo atendida pela médica veterinária, dra. Rebeca. Alguns exames foram feitos, ultrassom, exames laboratoriais pra descobrir a causa desse fastio, mas nada de melhora. Junto com Inês, minha secretária, usávamos uma seringa com água ou papinha. E nada. Inês, então sugeriu, d. Neuma vamos levar Princesa pra d. Vilani rezar, é a senhorinha que lhe falei que confecciona bonecos grandes, assim a senhora vai conhecê-la. E assim nos dirigimos pra Rua Martiniano Sampaio, no bairro Tiradentes, para que d. Vilani rezasse nela. Paramos o carro, descemos tirei do carro a gaiola com Princesa e fui apresentada a uma senhora baixinha, simpática e muito gentil. Falei que tinha interesse em conhecê-la e os seus bonecos. Entramos na casa, mandou que sentássemos e perguntou o que minha gatinha tinha, expliquei que há alguns dias que não tomava água e nem se alimentava. Depois que rezou conversei sobre sua vida, das amizades que tem com os vizinhos; dos animais de rua que alimenta e cuida; do café que prepara para os garis nos dias que recolhem o lixo. E fora... a boa risada que estrondou quando prosamos. Contou que frequentava muito a Paróquia do Menino Jesus de Praga, mas as suas pernas cansadas já não a deixam ir, e também uma hérnia que a incomoda bastante. Agradeci pela oração e nos despedimos dela. Então pensei, vou escrever sobre a história dessa pessoa, humilde, mas de coração enorme. Que se preocupa com o próximo, com os animais de rua, muito amada pelos seus vizinhos e que nos ensina o poder da solidariedade.

Ela mencionou uma revista que tinha sido entrevistada, e à pessoa que tinha dado a revista, por sinal minha amiga, Tereza Maria. No outro dia quando a encontrei na Igreja, falei da revista e a pedi emprestada.

A Revista faz parte do projeto Memórias Kariri, vinculado ao curso de jornalismo e que foi editada no ano de 2019. Um excelente trabalho que destaca a nossa cultura, a nossa gente.  

 E como gosto muito de valorizar o que temos de bom, de mostrar os nossos valores, os personagens e criadores de ideias que muito temos nessa cidade que é rica em religiosidade e de fé, vamos então, conhecê-la.

                      Na entrada da casa, a sala dos Santos. A maior parte deles, foi presente 

                
       Na frente de sua casa

              
Confeccionando os bonecos e as bonecas, encosto de portas
 Foto Memórias Kariri


Durante três dias na semana ela expõem os bonecas na calçada, a espera dos coletores de lixo que recebem de suas mãos o café quentinho e o pão com manteiga e a satisfação que sente em agradá-los, coloca as xícaras em uma mesinha



Fonte: Memórias Kariri 2019


Postado por: Tereza Neuma Macedo Marques
                                                                         







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