DÉCIMO
OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Texto bíblico: Mt 14,
13 – 21
Data: 2 de agosto
Dom Samuel Dantas, OSB
No capítulo quarto do
segundo livro dos Reis lê-se que o profeta Eliseu ordenou à distribuição de um
saco contendo vinte pães de cevada e trigo novo para um grupo de homens afim de
que se alimentassem. Como, porém, a quantidade era pouca, seu ajudante
replicou: como poderia eu distribui-lo para cem pessoas? Ao que o profeta
retrucou: “comerão e ainda há de sobrar. Eles comeram, lemos no texto, e ainda
houve sobra, de acordo com a palavra do Senhor”.
No fim do relato da
passagem evangélica proposta para este Domingo, eis o que se lê: “Todos eles
comeram e ficaram saciados; e recolheram os pedaços que sobravam: doze cestos
cheios”. (2Rs 4, 43 e Mt 14, 20)
A semelhança entre os
dois episódios mostra-nos que de fato o Antigo Testamento misteriosamente,
anuncia o Novo. É quase certo que as pessoas que estiveram presentes quando
Jesus realizou o portento da multiplicação dos pães, tenham se lembrado de que
muitos séculos antes Deus realizara uma outra multiplicação por intermédio do
profeta, saciando com pouco a muitos.
Lendo os escritos do
Antigo Testamento deparamo-nos com várias promessas de multiplicação. Vejamos
algumas delas.
Disse Deus a Abraão:
“Quero fazer-te dom da minha aliança entre mim e ti, eu te multiplicarei ao
extremo”. (Gn 17, 2) De novo disse o poderoso a Abraão: “Comprometo-me a
abençoar-te e a multiplicar a tua descendência tanto quanto as estrelas no céu
e a areia na orla do mar”. (Gn 22, 17) Nos oráculos de Isaías lemos:
“Multiplicaste a sua alegria, aumentaste o seu júbilo”, (Is 9, 2) No mesmo
profeta lemos ainda que Deus “dá energia ao fraco e multiplica a resistência de
quem está sem forças”. (Is 40, 29) Pela boca de Jeremias disse Deus: “Eu os
multiplico, eles não diminuirão”. (Jr 30, 19) “Como o exército do céu que não
pode ser enumerado, como a areia do mar que não pode ser medida, assim
multiplicarei os descendentes do meu servo David”. (Jr 33, 22)
O autor do relato, que
foi o evangelista Mateus, nota que “todos eles comeram e ficaram saciados”. (Mt
14, verso 20) Não se pode duvidar que o ventre daqueles homens foi saciado pelo
pão material multiplicado pelo Filho de Deus. Quanto, porém a alma, terá sido
ela saciada ou será que permaneceu faminta? Três textos proféticos mostram que
é possível alguém comer e mesmo assim permanecer faminto. Miquéias 6, 14: “Comerás,
mas não poderás saciar-te”. Oséias 4, 10: “Comerão sem se saciar”. Ageu 1, 6:
“Comeis, mas sem vos saciardes”.
Eu não sei se essas
palavras inspiradas da Escritura podem aplicar-se as pessoas das quais o
Evangelho deste domingo nos fala. Talvez sim, talvez não. Cada um tem aqui a
liberdade de pensar o que quiser. O que, todavia, não é impossível é que, dada
a dureza daquele povo, muitos tenham comido o pão sem ter crido naquele que o
multiplicou. O pão entrou pela boca, mas a fé não penetrou na alma nem se
instalou no coração. Ter o Senhor Jesus multiplicado pães foi sem dúvida um estrondoso
milagre, com o que provou que era Deus. Isto, porém, não nos deve fazer esquecer que muito mais
importante do que comer o pão material que sacia apenas por um pouco de tempo,
é crer naquele que uma vez disse: “É necessário que vos empenheis não para
obter este alimento perecível, mas o que o Filho do homem vos dará.”
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

























