VIGÉSIMO
SEXTO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Texto Bíblico: Mt
21, 28 – 32
Data: 27 de setembro
Dom Samuel Dantas,
OSB
“Os coletores de impostos e as
prostitutas vos precedem no reino de Deus”. (Mt, cap. 21, verso 31)
A quem Jesus disse estas palavras
tão duras? Jesus as disse no templo, para os sumos sacerdotes e anciãos do povo
quando estes perguntaram-lhe em virtude de que autoridade fazia ele certas
coisas extraordinárias. Se Jesus realizou ante os olhos daqueles homens, coisas
que apenas Deus e mais ninguém poderia fazer, era claro que a autoridade em
virtude da qual ele realizava tais coisas só podia ser divina.
Para quem quisesse ver e acreditar
a pergunta: “em virtude de que autoridade fazes isso ou quem te deu tal
autoridade”? Não teria sentido algum, porque já estava respondida pelo que o
senhor fazia. Eis porque Jesus, ao invés de lhes dar uma resposta, limita-se a fazer
uma outra pergunta.
Mas como é possível que os
coletores de impostos e as prostitutas, mal vistas, estas assim como aqueles, precedam
no reino de Deus aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo? Estes não faziam
parte da elite religiosa de Israel? Sim! Não eram eles os grandes responsáveis
pela interpretação da lei de Moisés? Também... não eram aqueles homens
escolhidos os intermediários visíveis entre Deus e o povo, revestidos de uma
autoridade sagrada que lhes permitia ensinar aos outros os caminhos pelos quais
se vai a Deus? Tudo isso é verdade, mas infelizmente, como sucede hoje em dia,
não é menos verdade que o coração daqueles homens era mais duro que chumbo,
razão pela qual não acreditaram, apesar de tudo o que viram.
Não adiantaria nada que Jesus lhes
tivesse dito: faço isso em virtude da autoridade recebida do Pai que me enviou,
foi dele que eu recebi a autoridade em virtude da qual faço tudo o que vedes e
ouvis. Nem assim teriam crido; se não creram vendo com os olhos, menos ainda
teriam crido escutando com os ouvidos. Quando não se quer crer, é inútil tanto
o que se vê com os olhos como aquilo que com os ouvidos se escuta. Estando o
coração humano fechado, nem a verdade divina entra pelos olhos nem penetra pelo
sentido da audição.
Não foi à toa que Jesus disse: “os
coletores de impostos e as prostitutas vos precedem no reino de Deus”. Dizendo
isso, não há a menor dúvida que Jesus quis dizer que os coletores de impostos e
as prostitutas, bem no fundo, eram melhores do que aqueles homens, talvez mais
humildes, mais bondosos, mais caridosos e mais verdadeiros.
A história bíblica registrou o caso
de dois coletores de impostos que foram agraciados pelo Filho de Deus. Um, que
se chamava Levi, foi chamado por Cristo e se tornou, além de apóstolo,
evangelista. O outro, também ele cobrador de impostos, e certamente odiado e
desprezado por muita gente, acolheu Jesus em sua casa. Enquanto os sumos
sacerdotes e os anciãos do povo questionaram a autoridade do Senhor, que faz
este homem?
Ouçamos a Escritura. Que nos diz
ela? “Zaqueu disse ao Senhor: pois bem, Senhor, eu reparto aos pobres a metade
dos meus bens, e se prejudiquei alguém, restituo-lhe o quadruplo”. (Lc 19, 8) E
o que diz Jesus sobre ele, louvando lhe publicamente a sinceridade? “Hoje veio a salvação a esta casa, pois também
ele é filho de Abraão”. (Verso 9)
E já que neste domingo Jesus se
refere a prostitutas, lembremo-nos que três delas são citadas na Bíblia: Tamar,
nora de Judá; Raab, elogiada na carta aos Hebreus e na carta de Tiago como uma
mulher dotada de profunda fé, por causa de um ato que praticara em favor de
espiões enviados por Josué, e por fim, Maria Madalena, a primeira pessoa a quem
o Senhor jesus apareceu depois de ressuscitado dos mortos, incumbindo-lhe de
anunciar aos apóstolos o que ela, antes mesmo deles, havia testemunhado.
...E bem mais que nos preceder no
reino de Deus, as prostitutas e os coletores de impostos podem se salvar e nós
não...
Postado por Tereza Neuma Macedo
Marques