segunda-feira, 31 de agosto de 2026

CARIRI SEM CHAPADA? Não há Egito sem Nilo, nem Cariri sem Chapada do Araripe : Excelentes reflexões De PH

Não há Egito sem Nilo, nem Cariri sem Chapada do Araripe Quem é do Cariri vive mergulhado numa cultura que vai além do que se come e bebe.
Neste agosto de muito calor e nada de chuva, os moradores do Cariri foram informados sobre o plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) da Chapada do Araripe. O ICMBio autorizou a possibilidade de produção agropecuária em quase 90% desse território, que é uma unidade de conservação criada justamente para garantir desenvolvimento sustentável. Houve condicionantes, mas mesmo assim é assustador o que parece surgir no horizonte. A decisão é mais um passo de um movimento econômico silencioso que parece ter escolhido o platô do Araripe como uma nova fronteira agrícola brasileira, algo que tem sido comparado ao que já acontece em outras regiões do país, notadamente o Centro-Sul e o Norte, e até mesmo no Nordeste, como o Oeste da Bahia e o Sul do Piauí, onde hectares viram monocultura. Acontece que esses investidores talvez ainda estejam por entender que o Cariri é uma terra de gente que tem na Chapada do Araripe o sentido da sua vida. E que isso é algo enraizado. Quem mora aqui nasce, vive e, se possível, morreria apreciando o horizonte emoldurado num paredão sempre verde, mesmo durante a seca inclemente. As pessoas passam os fins de semana em sítios, muitos deles na Chapada do Araripe. Nossas trilhas estão entre as mais frequentadas, sendo destaque nacional para a prática do ciclismo dentro da vegetação. Nós gostamos de tomar banho na bica da Nascente, na cachoeira do Lameiro, no Açudim do Belmonte, nos clubes Serrano e Granjeiro. Nós temos oprazer de mergulhar nas fontes do Caldas, em Barbalha. Digo um pouco mais: quem vive no Cariri gosta de roer o pequi da Serra, que nasce na Chapada do Araripe, e do Arisco, que brota das árvore remanescentes entre Crato e Juazeiro do Norte. A gente tem caju e maracujá nativos, jaqueiras espalhadas pela Chapada do Araripe, macaxeira e abacaxi plantados por agricultores familiares. Quem é do Cariri come feijão de todo tipo, o comprado no supermercado e também verde e andu. Soja aqui o povo tira é onda. Da última vez que foi oferecida em escola pública, virou meme de merenda sem futuro. Quem é do Cariri entende
Quem é do Cariri vive mergulhado numa cultura que vai além do que se come e bebe, que já é algo essencialíssimo. As manifestações culturais são ligadas ao território, resultado dos nossos ancestrais que ocupavam a Chapada do Araripe. A dança do coco da Mestra Maria de Tiê do Quilombo Souza em Porteiras, o reisado de Mestre Aldenir da Vila Padre Cícero do Crato e as rezas e benzimentos de Mestra Zulene Galdino, da Vila Novo Horizonte, também no Crato, que, inclusive, aprendeu a rezar com a Caboclinha da Mata. Sim, o Cariri tem as suas próprias entidades, que são da floresta, além de ser a região proporcionalmente mais católica do Brasil, tendo dado todo um aspecto particular à religião romana. Além da Caboclinha da Mata, já ouviu falar no Vim Vim, o pássaro falante da floresta? Não é o soldadinho-do-Araripe, nossa ave-símbolo, endêmica do Cariri. Esse outro, que seria ouvido por humanos extremamente conectados com a floresta. Logo, é absolutamente esperado que os moradores do Cariri mobilizassem uma robusta resistência contra o anúncio da autorização de uso da Chapada do Araripe para a produção agrícola. Após a repercussão negativa, o ICMBio publicou nota informando que o plano de manejo não é uma autorização do agronegócio. Explicou que foram decididas condicionantes importantes com a proibição de plantio de transgênico e pulverização aérea de defensivos agrícolas. O que será feito da Chapada? Não é o bastante. A sociedade está mobilizada. O que se quer é entender o que realmente está sendo feito, se será feito e de que forma isso realmente pode atingir a Chapada do Araripe, já por demais cicatrizada pela especulação imobiliária. São muitas perguntas que precisam ser respondidas: Por que ocupar o platô da Chapada do Araripe se municípios como Brejo Santo, Mauriti e Missão Velha já teriam essa vocação econômica? Por falar nisso, ficam no leste do Cariri a BR, a transposição e a transnordestina. A produção no platô não poderia consumir água lá em cima e causar escassez aqui embaixo, prejudicando os produtores na Bacia do Rio Salgado? É realmente estratégico plantar mais commodities se o maior comprador, que é a China, acaba de anunciar no seu plano plurianual que pretende reduzir a importação de alimentos? Por que não se criam mais reservas ambientais e quem sabe um parque nacional que proteja integralmente nascentes e remanescentes produtores de água? Se esse investimento for feito, o que vai ser plantado? Quem são os investidores? Há incentivo fiscal para isso? Vai gerar emprego? Quantos? Como serão os salários? Como fica o plano de ter a Chapada do Araripe reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO? Foi esquecido e ninguém avisou ou vão tentar conciliar? É possível? São muitas questões e essas foram elaboradoras por mim, que não sou nem ambientalista, nem economista, mas são óbvias e feitas por alguém que cobre a este lugar há bom tempo e que sempre se surpreende com as particularidades do Cariri, que fazem dessa região uma das mais notáveis do país. Termino esta crônica sugerindo ao paciente leitor um clássico: "O Cariri", de Irineu Pinheiro, que estou relendo na sua edição de letra miúda da Edições UFC, que me inspira o título, uma ideia perfeita do que do Cariri e dos humanos que aqui vivem. "Lê-se em Heródoto que o Egito é um produto do Nilo e egípcios são os que bebem as águas do grande rio. Parodiando o historiador grego, podemos dizer que o Cariri é um presente da Chapada do Araripe e caririenses os que lhe bebem as águas das nascentes, as quais originaram as cidades do extremo sul do Estado e as têm feito progredir." Fonte : Escrito por Paulo Henrique Rodrigues (o Ph) producaodiario@svm.com.br

sábado, 29 de agosto de 2026

                     

      VIGÉSIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

                                         Data: 30 de agosto

                                          Texto proposto: Mt 16, 21 – 27

                                           Dom Samuel Dantas, OSB 

Para este mundo enganador e enganado, corrupto e corruptor, ganhar é sempre ganhar e perder é sempre perder, de modo que, segundo a lógica errada e falsa que normalmente segue, quem ganha nunca perde e quem perde nunca ganha, salvo a derrota.

Para o mundo, tudo se há de fazer por causa de ganhos e lucros e tudo se há de fazer – não importa o que seja – para se evitar qualquer perda. É sabido – fartamente o demonstra a experiência diária – que todos querem ganhar alguma coisa e a ninguém agrada a ideia de perder. Haverá quem queira perder tempo, quem queira perder dinheiro, quem enfim queira perder a vida? Repito: não há quem não queira ganhar, e ao mesmo tempo não há quem queira perder. Que quer o empresário a frente de sua empresa senão ganhar”? E o que teme ele senão perder? Se ganha, ei-lo satisfeito; se, todavia, perde, vê-lo-eis triste e abatido. Não é assim que funciona este mundo?

Ninguém sem fé dirá que se pode ganhar perdendo e que se pode perder ganhando. E, no entanto, é exatamente isso que a suprema verdade, nosso Senhor Jesus Cristo, nos ensina neste domingo.

Engana-se e muito quem julga que todo ganho é apenas bom e que toda perda é necessariamente ruim. Uma perda que nos desperte de nossa sonolência e nos aproxime de Deus é boa, ainda que seja perda, e um ganho que nos afaste de Deus e da vida eterna, é ruim, mesmo que seja um ganho real. Quantas coisas tidas no mundo como ganhos já levaram muitos a ruina e ao desespero. Quantas almas não terão se condenado por causa daquilo que supuseram fosse um ganho!

Um cidadão ganha uma fortuna e dias depois aparece morto; um homem sobe ao poder e começa a ter problemas que antes não tinha e para os quais não consegue achar solução; alguém se torna uma celebridade midiática e começa a sofrer todo tipo de pressão que lhe estraga a saúde!

E quantos exemplos não se poderia citar em profusão aqui de ganhos que nos derrotam e de derrotas que bem no fundo são grandes vitórias porque nos trazem preciosíssimos ensinamentos.

“Quem quer salvar sua vida perde-a”, adverte-nos hoje Jesus. E por que? Porque querer conservar a vida sem Deus que no-la deu e é o seu supremo autor equivale a nada mais do que arruíná-la, primeiro aqui no tempo e depois na eternidade.

Tenhamos por certo que de acordo com o Evangelho, ganhar neste mundo pode trazer terríveis prejuízos a curto e a longo prazo e perder tem lá suas vantagens. Ganhar ensoberbece e a soberba é o pior dos pecados, mas perder pode abrir nossos olhos para ver nossos erros e nossos ouvidos para escutar a palavra de Deus, tornando-nos assim mais humildes e próximos de Deus.

Nesta vida e neste mundo, muito mais para se temer são as vitórias e os ganhos, sobretudo pelo que vem depois, do que as perdas e derrotas.

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

LUTO NO CARIRI | Morre aos 89 anos Huberto Cabral, memorialista cratense.

 

Morreu nesta segunda-feira, aos 89 anos, o jornalista e memorialista Huberto Cabral, natural do Crato e uma das vozes mais constantes na preservação da memória do Cariri cearense. Ele estava internado desde o dia 28 de julho, quando passou mal em sua residência e foi levado ao Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte, onde permanecia sob cuidados intensivos em razão de uma infecção pulmonar.

Huberto Cabral dedicou mais de sete décadas ao ofício da comunicação, passando pelo jornal impresso e pelo rádio, num percurso que atravessou boa parte da  história recente da região. Sua familiaridade com nomes, datas, ruas, edifícios e episódios do Cariri lhe rendeu o apelido de “enciclopédia viva”, designação que dizia menos de um acúmulo de curiosidades do que de um trabalho paciente de escuta, registro e conferência, sustentado ao longo de décadas em que a memória regional raramente contou com instituições capazes de guardá-la. Em 2019, recebeu da Universidade Regional do Cariri o título de Doutor Honoris Causa, reconhecimento que a academia prestou a um pesquisador formado fora dela.

Material de referência geográfica

Na fotografia que ilustra esta publicação, ele aparece com um exemplar do Almanaque do Cariri nas mãos, publicação que reunia informações sobre as cidades, o comércio, as festas e as figuras da região. É uma imagem que sintetiza bem o que ele representou: o homem que sabia onde estavam guardadas as informações e que se dispôs a compartilhá-las com quem procurasse, fossem jornalistas iniciantes, estudantes ou pesquisadores.

Deixo minha solidariedade à família, com os amigos e com todos os que trabalharam ao seu lado. A memória que ele ajudou a organizar segue disponível nos textos, nas entrevistas e nos programas de rádio que deixou, e por aqui, um admirador incorrigível.

Cariri das Antigas

Roberto Junior

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

domingo, 23 de agosto de 2026

 


             VIGÉSIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Texto bíblico: Mt 16, 13 – 20

Data: 23 de agosto

Dom Samuel Dantas, OSB

 Se o inferno até hoje não conseguiu destruir a Igreja fundada por Cristo, é de se crer que todas as suas tentativas presentes e futuras também não conseguirão destruí-la. Se a Igreja devesse cair, pelo que lhe aconteceu ao longo dos séculos, já teria caído há muito tempo!

Voltaire, pensador francês iluminista, inimigo declarado e violento da fé cristã escreveu com acerto que o “cristianismo deve mesmo ser divino, pois do contrário, não teria resistido a tantos absurdos”.  Essa palavra é exata e pode ser perfeitamente aplicada a Igreja, edificada sobre a fé de Pedro, e cuja indestrutibilidade Jesus anunciou com as palavras que sintetizam admiravelmente a passagem evangélica deste domingo: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Quando lemos esta passagem bíblica, normalmente pensamos nas palavras ditas por Cristo a Pedro, estabelecendo-o pedra sobre a qual edificou a sua igreja, sendo o próprio Cristo o fundamento principal desta construção espiritual e sobrenatural, mas bem mais importante do que aquilo que foi dito ao primeiro pastor supremo da Igreja, é o que Jesus disse acerca da mesma Igreja, sendo esta naturalmente maior do que Pedro, isto é, que as potências da morte não haveriam de prevalecer contra ela. A verdade desta palavra é tão evidente, que um simples olhar para a história da mesma Igreja a confirma. Apesar das perseguições que teve de suportar desde a sua distante origem, apesar dos muitos escândalos que se verificaram dentro de suas próprias paredes, causados por aqueles que deveriam dar bom testemunho, apesar de tantas incompreensões, calúnias e injustiças de que foi vítima, ela permanece de pé, por que foi dito por quem a fundou e a estabeleceu como luz das nações: “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”, e o poder da morte não a destruirá, por mais que invista contra ela.

O inferno bem que tentou destruí-la e arruína-la, mas tudo em vão! Continua tentando, mas a Igreja, assistida por seu divino fundador e conduzida pelo Espirito Santo que é a sua alma sobrenatural, a tudo tem resistido, sempre triunfando dos muitos combates que nunca deixou de travar contra inimigos poderosos e perseguidores cruéis. E a razão pela qual o inferno não consegue prevalecer contra ela é uma só: a promessa indefectível feita por aquele que não pode mentir nem enganar, porque é Deus e a verdade suprema e eterna. Confiando nesta palavra segue a Igreja peregrina neste mundo em meio as consolações de Deus rumo à pátria eterna.

Mataram Cristo, mas ele ressuscitou três dias depois, conforme dissera. O inferno, que não dá tréguas a Igreja nem de dia nem de noite, a persegue sem cessar, por meio dos seus aliados que a odeiam e se erguem contra ela, mas a Igreja, a semelhança de Cristo, firme permanece.  

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

 


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

O SINTRAFI-CARIRI anuncia paralisação de 24 hs (quinta feira, 20)nas agências bancárias do CRAJUBAR

SINTRAFI-CARIRI O Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro do Cariri (Sintrafi-Cariri) informou nesta terça-feira (18) que todas as agências bancárias de sua base sindical, que abrange Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, estarão fechadas por 24 horas nesta quinta-feira (20). A mobilização deverá atingir as principais instituições financeiras públicas e privadas com presença física e atendimento no Crajubar, incluindo Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste (BNB), Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. Segundo o sindicato, a paralisação foi aprovada pela categoria em assembleia e ocorre em meio às negociações entre o movimento sindical e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) para o próximo período. fonte:miseria.com

 MP dá 20 dias para que escolas particulares de Juazeiro do Norte ofertem ensino de cultura afro-brasileira e indígena 

Entre as medidas recomendadas estão a inclusão transversal dos conteúdos no currículo escolar, a capacitação de professores, a revisão dos materiais didáticos.

 A 3ª Promotoria de Justiça de Juazeiro do Norte recomendou que as escolas particulares do município adotem medidas efetivas para garantir o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena em suas atividades pedagógicas. O documento foi expedido nesta terça-feira (18) pelo promotor de Justiça José Carlos Félix da Silva.

A recomendação estabelece prazo de 20 dias para que as instituições de ensino da rede privada apresentem ao Ministério Público do Ceará (MPCE) documentação que comprove o cumprimento das exigências previstas na legislação educacional brasileira.

A medida tem como base as leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatória a inclusão de conteúdos relacionados à história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nos currículos da educação básica. Segundo o MP, a iniciativa busca fortalecer ações de combate ao racismo e de valorização da diversidade étnico-racial no ambiente escolar.

“Compete à rede de ensino da livre iniciativa assegurar não apenas a previsão formal desses conteúdos, mas sua efetiva aplicação pedagógica, com formação adequada de profissionais, materiais apropriados e mecanismos de acompanhamento e avaliação”, diz a recomendação.

Entre as medidas recomendadas estão a inclusão transversal dos conteúdos no currículo escolar, a capacitação de professores, a revisão dos materiais didáticos, além da realização de atividades formativas relacionadas ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

As escolas terão 20 dias, contados a partir da publicação da recomendação, para encaminhar resposta formal à 3ª Promotoria de Justiça de Juazeiro do Norte. Segundo o MP, o eventual descumprimento injustificado das orientações poderá motivar a adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais nas esferas cível e administrativa.

Rogério Brito portalm1.com.br

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

 

Existe um lugar no Brasil onde a Coca-Cola encontra uma concorrente que dinheiro nenhum conseguiu simplesmente apagar.

A São Geraldo nasceu no interior do Ceará, cresceu dentro das tradições locais e transformou um refrigerante de caju em símbolo regional. Hoje, tem uma fábrica de mais de 33 mil m², cerca de 800 funcionários e 8,7% do volume de refrigerantes vendido no estado, segundo os dados apresentados no material.

A história mostra algo que muita empresa demora décadas para entender: distribuição coloca o produto na prateleira. Pertencimento coloca a marca na memória.

E no Ceará, a São Geraldo conseguiu os dois.

Fontes: Cajuína São Geraldo, O Povo e Gazeta.

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques