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DOMINGO
DA ASCENSÃO DO SENHOR JESUS
Texto bíblico: Mt 28, 16
– 20
Data: 17 de maio
Dom Samuel Dantas, OSB
“Tu
subiste as alturas...” (Salmo 67, verso 19)
Estas
misteriosas palavras deste Salmo, aplicá-las-emos a quem? A quem elas convêm
propriamente? A Deus? Mas como poderia subir as alturas aquele que lá sempre
esteve? Em outro Salmo leem-se estas palavras: “O Senhor subiu aos céus; subiu
ao toque da trombeta”. (Salmo 46, versículo 6)
Estas
duas passagens sálmicas aplicam-se admiravelmente ao mistério que a Igreja
neste domingo solenemente celebra! A Deus, elas, não convém, porque estando ele
acima de tudo não pode subir, mas convém ao homem-Deus, nosso Senhor Jesus
Cristo, e é ao mistério de sua gloriosa Ascensão que podem ser aplicadas!
Antes
que nosso Senhor subisse aos céus, bom é que se diga, outros dois subiram antes
dele, um dos quais foi o profeta Elias, acerca de cuja subida lemos no segundo
livro dos Reis: “Elias subiu aos céus”. (2Rs, cap. 2, versículo 11) O mesmo é-nos
dito na carta aos Hebreus sobre Henoc: “Deus o levara: antes de ser arrebatado,
recebera o testemunho de que agradara a Deus”. (Hb 11, 5)
Antes
de se encarnar, o Filho único e eterno do Pai, que desde sempre estava em seu
seio, não podia subir, pois para onde subiria quem desde sempre existe? Não podendo,
pois, subir, podia, todavia, descer, e foi o que fez. “O Verbo se fez carne” (Jo
1, 14), isto é, desceu.
De
onde sempre esteve junto do Pai e do Espírito, veio até nós para que pudéssemos
subir até ele! Visto que não nos era
possível chegar onde ele estava antes de se encarnar no seio de Maria, veio em
sua misericordiosa condescendência até esta região sombria de morte e dor ao
nosso encontro para nos socorrer, afim de que nele e por ele pudéssemos nós
subir
Quando
Jesus Cristo subiu as alturas como verdadeiro homem, levou consigo a nossa
frágil natureza que ele assumira para redimi-la e eleva-la. Ao subir para o
céu, levou a carne que sofrera na paixão e que fora glorificada por ocasião de
sua ressurreição dentre os mortos.
Tanto
em São Lucas quanto em São Marcos encontramos um testemunho claríssimo sobre
este augusto mistério de fé que hoje estamos celebrando em solene liturgia. Em
São Marcos: “O Senhor Jesus, depois de lhes ter falado, foi arrebatado ao céu e
sentou-se a direita de Deus”. (Mc 16, 19) Em São Lucas: “Ora, enquanto os
abençoava, Jesus se apartou deles, sendo arrebatado ao céu”. (Lc 24, 51) São
Paulo igualmente dá testemunho do fato em sua epístola aos Efésios: “Ele subiu!
Aquele que desceu é também o que subiu mais alto que todos os céus”. (Ef 4, 9 e
10)
Quem
foi que desceu? O Filho eterno do Pai ainda não homem verdadeiro! Quem subiu? O
mesmo filho, só que agora feito homem! Quem desceu sem a carne, ao subir
levou-a consigo, dando-nos a certeza de que é possível acessar o céu caso
queiramos! Subir ao céu! Eis o que devemos desejar antes de tudo, mais que tudo
e acima de tudo!
“A
maior das festas, diz-nos Santo Epifânio, é aquela diante da qual todo discurso
nada mais é do que um simples balbucio. Hoje jorra uma torrente de delícias e
tudo se enche de alegria”. Santo Agostinho assim nos exorta: “Hoje Cristo subiu
ao céu: suba também com ele o nosso coração”.
Cristão,
no-lo diz São Bernardo em um dos seus magníficos sermões, “se queres subir,
tens que descer. Pois está prescrito como uma lei imutável: todo aquele que se
eleva será humilhado e quem se humilha será elevado”. (Lc 14, 11)
Há
apenas um meio de subir que é rebaixar-se! O exemplo nós o temos em Cristo, de
quem lemos na carta de Paulo apóstolo aos Filipenses que “humilhou-se, tornando-se
obediente até a morte e morte de Cruz”. E o que se seguiu daí? “Deus o exaltou”.
Assim, o que sendo grande fez-se pequeno, exalta os que se humilham e rebaixa
os que se exaltam.
Postado
por Tereza Neuma Macedo Marques










