Texto
bíblico: Mt cap. 18, versos 15 a 20
Data: 6 de setembro
Dom Samuel Dantas, OSB
Muitas pessoas tendem a aceitar de bom grado a palavra de Cristo, considerando-a divina e proclamando-o como o maior entre os nascidos de mulher. Quando, porém, se trata da Igreja, pelo apóstolo chamada de corpo de Cristo e coluna e sustentáculo da verdade, surgem então dificuldades que muitos não conseguem superar. Eis porque é comum dizer-se “Cristo sim, Igreja não”, como se a Igreja fosse algo totalmente diverso de Cristo e sem relação de espécie alguma com ele.
Nas palavras ditas por
Cristo neste domingo, caso alguém caia em pecado, deve-se inicialmente
corrigi-lo a sós. O apóstolo Paulo exortava dois dos seus íntimos colaboradores
nas labutas do apostolado missionário a repreenderem os faltosos, de modo que a
repreensão está não apenas prevista nos escritos do Novo Testamento, mas é
abertamente ordenada. “Aqueles que pecam, repreende-os...” (1Tm 5, 20) “Assim é
que deves falar, exortar e repreender com plena autoridade”. (Tt 2, 15) “Para
tal homem, basta a censura infligida pela comunidade”. (2Cor 2, 6)
Se esta primeira tentativa não surtir efeito
algum, chame-se então duas ou três pessoas como testemunhas, para ver se a
pessoa faltosa se corrige. Caso este recurso também não produza qualquer
resultado, recorra-se por fim, como a última instância, a autoridade da Igreja,
a quem Cristo deu o poder de ligar e desligar. Aqui se chegando, parece que não
há mais o que se fazer. Se o faltoso não se emendar, se persistir no erro, se
não abandonar o pecado, diz Cristo, “seja para ti como o pagão e o coletor de
impostos”.
Quer o Senhor Jesus nos
ensinar de maneira muito clara que é grave não escutar a voz da Igreja, por
meio da qual ele próprio nos fala e nos instrui sobre o que é bom e o que não
é, sobre o que devemos fazer e o que é preciso evitar, para nosso bem.
Disse Cristo uma vez:
“Quem vos ouve a mim ouve e quem vos rejeita a mim rejeita”.
Quem se recusa a ouvir
a Igreja, que é o prolongamento visível do Cristo no tempo e na história, está
se recusando a ouvir Cristo que fala aos homens através de sua Igreja, por ele
constituída “sacramento universal de salvação”.
Jesus nos diz ainda que
“se duas pessoas se puserem de acordo para pedir seja o que for, isto lhes será
concedido por meu Pai que está nos céus”. (Mt 18, 19) Neste caso, dirá alguém,
se duas pessoas pedirem coisas extravagantes, como acertar na loteria ou a
morte de um inimigo, tal lhes será concedido, já que Jesus disse “seja o que
for”? Esta palavra de Jesus há de ser assim entendida: seja o que for para o
bem do solicitante, pois nem tudo o que se pede é bom, e se Deus nem sempre
dá-nos o que pedimos, é que ele sabe que aquilo não seria bom para nós e com
razão no-lo recusa. Eis porque as vezes nega para o bem o que se lhe pede,
ainda que nos possa parecer bom.
“Onde pois dois ou três
estiverem reunidos no meu nome, aí estou eu no meio deles”, conclui Cristo.
Cristo está presente no
meio daqueles que se reúnem em seu nome para adorá-lo e glorificá-lo como a seu
Deus e salvador; está acima de todos porque é Deus e por fim, está em nosso
íntimo quando em sua graça vivemos. “Eis que eu estou convosco todos os dias
até a consumação dos séculos”.
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques




