quinta-feira, 2 de julho de 2026

            

                José Carlos dos Santos

                Professor titular do Instituto Federal do Ceará (IFCE)

                e professor associado da Universidade Regional do Cariri (URCA)

Os lugares sagrados de Juazeiro do Norte

 

O dia 10 de junho de 2026 entra no calendário como um dia histórico para a cidade de Juazeiro do Norte. O Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou por unanimidade o registro dos Lugares Sagrados

de Juazeiro como Patrimônio Cultural Brasileiro. A experiência religiosa dos devotos

do Pe. Cícero constitui o processo de sacralização dos espaços que foram historicamente construídos e são dotados de práticas culturais e religiosas coletivas. O Juazeiro assume um diferencial de todos os lugares de peregrinação do mundo.

A cidade se transforma num grande santuário que se constitui no roteiro da fé, construído pelo próprio romeiro. Quem sacralizou o Juazeiro foi o próprio romeiro.

Quem faz o caminho no Juazeiro é o próprio peregrino. A visita à Matriz de Nossa Senhora das Dores é o primeiro lugar de visitação dos peregrinos nordestinos. Continuando o seu caminho, o devoto visita a Casa-museu e depois a Praça do Socorro, onde existem ícones sagrados: o Memorial, a Casa dos Milagres, o Nicho, o Cruzeiro e a Capela com o túmulo do sacerdote e o cemitério mais antigo da cidade. No percurso, o devoto atravessa o Rio Salgadinho que representa o Rio Jordão. No

Trajeto. Sobe-se a ladeira íngreme do caminho do Horto com a via sacra, a parada na casa de madrinha Dodó, o monte Sinai, a pedra do joelho, até chegar no alto da colina

do Horto. Aqui está a estátua do patriarca do Nordeste, o Casarão e a Igreja do Bom Jesus. O santo sepulcro é o caminho do sacrifício, da mortalidade, da penitência

e do pagamento das promessas. Além destes, os Santuários de São Francisco e do Sagrado Coração de Jesus são lugares de práticas de devoções do caminhante nas estradas do Juazeiro. Assim, os peregrinos foram transmitindo pela tradição oral e construindo novos símbolos deste universo misterioso e encantado de Juazeiro.

A inscrição de Juazeiro no livro de registro de lugares sagrados, promovida pelo Iphan, é um gesto grandioso e contém um valor histórico imensurável de reconhecimento a uma experiência singular e criativa de cultura e religiosidade do povo Brasileiro. Esse ato de reconhecimento valoriza os protagonistas da nossa história, os romeiros, que pela resistência, resiliência, fé e coragem nas suas
expressões religiosas recriam os ritos simbólicos e místicos, atravessando o tempo numa longa tradição de fé e na 
confiança que a cidade é símbolo da construção sempre renovada da redenção da vida aniquilada socialmente e a porta do paraíso da esperança de uma vida melhor e mais digna que repousa a alma sertaneja.


Postado por Tereza Neuma Macedo Marques


JUAZEIRO SAGRADO recebe oficialmente títulos de patrimônio cultural com seus sítios e eventos históricos reconhecidos pelo IPHAN

Neste dia 1º de julho no Memorial Padre Cícero aconteceu a Cerimônia de Titulação dos Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte como Patrimônio Cultural do Brasil.
A cerimonia foi toda em forma de cordel e contou com a apresentação de grupos de cultura locais, além das falas dos representantes do poder executivo, também do Clero como o bispo diocesano Dom Magno e os padres Cicero José do Santuário Diocesano Nossa Senhoras das Dores (Casa da Mãe das Dores ) , Padre Leandro do Instituto Salesianos, da Universidade Regional do Cariri e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Os critérios formam definidos e houve a escolha de dez locais reconhecidos pelo Iphan foi resultado de um estudo técnico iniciado em 2018, com a participação de pesquisadores, instituições deensino e do próprio instituto. Os locais contemplados no município incluem o Complexo do Horto, composto pela Colina com a Estátua do Padre Cícero, a Ladeira do Horto, o Museu Vivo e a Igreja do Bom Jesus do Horto. Também fazem parte a Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, a Capela do Perpétuo Socorro, onde ficam os restos mortais do Ppadre Cícero, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, o Rio Salgadinho, o Santuário de São Francisco das Chagas, a Casa dos Milagres, a Casa Museu Padre Cícero e o Memorial Padre Cícero.
Reconnhecendo também o fenomeno crescente das romarias onnde a fé de milhões de romeiros, visitantes,transformam Juazeiro do Norte no destino de peregrinação e vivenciam neste "solo sagrado" uma experencia impar já reconhecido e enaltecido. O artista Luiz Fidelis foi connvidado ppelo bispo e cantou as algumas de suas composições que enaltecem Juazeiro, sua cultura, o Rio Salgadinho entre outros citados pelo poeta e cantor.
Foi exibido um vídeo onde declarações das estimadas irmã Annette e irmã Anna Tereza, do professor historiador e memorialista Daniel Walker , Renato Dantas, Monsenhor Murilo (in memoriam) entre outros citavam esses espaços e eventos.
imagem Rozelia Costa. O Sr. Davidson Guimarães, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), afirmou que o reconhecimento dos lugares religiosos de Juazeiro do Norte como Patrimônio Cultural do Brasil reflete um valor já atribuído pela sociedade aos espaços de devoção ligados ao município. “O Iphan reconhece como patrimônio aquilo que a sociedade já entende que é patrimônio cultural” para a titulação foram observados a relevancia desses espaços e a identidade deles também com os romeiros que já o declararam como esppaços em que reconhecem toda afetividade desde a "Casa da Mãe das Dores" , seus lugares liturgicos como a Capela do Socorro , igreja dos Salesianos, a estátua do Padre Cicero, incluindo também o Memorial Padre Cícero , bem como o fenomeno das romarias em Juazeiro do Norte. Com uma parceria , pesquisadores locais e da URCA como a professoras Fatima Pinho, Renata Marinho entre outros,contribuiram sobremaneira para preservação desses espaços. Lembramos que em 2005 a historiadora do IPHAN Olga Paiva ( in memoriam) já apresentava essas propostas e que motivos que se tornaram na época "impeditivos"como "intervenções" como a coluna do relógio na Capela do Socorro. Encerrando a cerimônia, foram homenageados e certificados um representante de cada lugar sagrado (mantenedor) e dois guardiões de cada local, reconhecidos por sua relação e atuação na preservação desses espaços. imagens Pautilia Ferraz, Rozelia Costa , outras midias

terça-feira, 30 de junho de 2026


                                                Postado por Tereza Neuma Macedo Marques
 

sábado, 27 de junho de 2026

                                              

LANÇAMENTO - PRONTA ENTREGA

LAMPIÃO E SUA FALSA PATENTE DE CAPITÃO - Daniel Walker (2ª Edição - 260 páginas)

VALOR: R$ 80,00 com frete incluso.

VENDAS: (88) 99685-5084

RESUMO:

O ano de 2026 marca o centenário da passagem de Lampião por Juazeiro do Norte, um dos episódios mais debatidos da história do cangaço e também da trajetória do Padre Cícero Romão Batista e do Dr. Floro Bartolomeu.

O que estava por trás da oferta da patente de capitão?

A promessa feita a Lampião poderia realmente ser cumprida?

Qual foi o verdadeiro papel desempenhado pelo Padre Cícero nesse episódio?

Essas e muitas outras questões continuam despertando debates entre pesquisadores e admiradores da história nordestina.

Foi sobre esse acontecimento que o renomado pesquisador Daniel Walker se debruçou durante anos, resultando em uma obra lançada originalmente em 2019, em tiragem extremamente reduzida de apenas 80 exemplares. Trata-se do último livro publicado pelo autor.

Agora, por ocasião do centenário da visita de Lampião a Juazeiro do Norte, a Ladrilhos Editora tem a satisfação de apresentar ao público a 2ª edição revista e ampliada de uma das mais instigantes pesquisas já produzidas sobre o tema.

Uma leitura indispensável para quem deseja compreender, para além dos mitos e das versões consagradas, os bastidores de um dos episódios mais marcantes da história do Nordeste.

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques 


segunda-feira, 22 de junho de 2026

Dona Vilani, a artesã que confecciona bonecos grandes no bairro Tiradentes

A minha gatinha Princesa, que era de rua e adotei-a depois que foi atropelada. Cuidei dela durante vários dias tentando adaptá-la ao ambiente saudável e aconchegante da Vivenda do Amor,  pra que convivesse com seus outros irmãos. Zuzu, a mais velha, em janeiro fez 7 anos que é moradora da Vivenda do Amor. Mill, o macho, encontrei-o debaixo de um banco na Praça da Alegria, no Novo Juazeiro. A gatinha mignon, Sininho, adotei-a em um domingo de adoção no Shopping e a Doçura também. A Princesa apresentou falta de apetite, nada despertava a sua vontade de comer. Levamos pra Clínica veterinária, sendo atendida pela médica veterinária, dra. Rebeca. Alguns exames foram feitos, ultrassom, exames laboratoriais pra descobrir a causa desse fastio, mas nada de melhora. Junto com Inês, minha secretária, usávamos uma seringa com água ou papinha. E nada. Inês, então sugeriu, d. Neuma vamos levar Princesa pra d. Vilani rezar, é a senhorinha que lhe falei que confecciona bonecos grandes, assim a senhora vai conhecê-la. E assim nos dirigimos pra Rua Martiniano Sampaio, no bairro Tiradentes, para que d. Vilani rezasse nela. Paramos o carro, descemos tirei do carro a gaiola com Princesa e fui apresentada a uma senhora baixinha, simpática e muito gentil. Falei que tinha interesse em conhecê-la e os seus bonecos. Entramos na casa, mandou que sentássemos e perguntou o que minha gatinha tinha, expliquei que há alguns dias que não tomava água e nem se alimentava. Depois que rezou conversei sobre sua vida, das amizades que tem com os vizinhos; dos animais de rua que alimenta e cuida; do café que prepara para os garis nos dias que recolhem o lixo. E fora... a boa risada que estrondou quando prosamos. Contou que frequentava muito a Paróquia do Menino Jesus de Praga, mas as suas pernas cansadas já não a deixam ir, e também uma hérnia que a incomoda bastante. Agradeci pela oração e nos despedimos dela. Então pensei, vou escrever sobre a história dessa pessoa, humilde, mas de coração enorme. Que se preocupa com o próximo, com os animais de rua, muito amada pelos seus vizinhos e que nos ensina o poder da solidariedade.

Ela mencionou uma revista que tinha sido entrevistada, e à pessoa que tinha dado a revista, por sinal minha amiga, Tereza Maria. No outro dia quando a encontrei na Igreja, falei da revista e a pedi emprestada.

A Revista faz parte do projeto Memórias Kariri, vinculado ao curso de jornalismo e que foi editada no ano de 2019. Um excelente trabalho que destaca a nossa cultura, a nossa gente.  

 E como gosto muito de valorizar o que temos de bom, de mostrar os nossos valores, os personagens e criadores de ideias que muito temos nessa cidade que é rica em religiosidade e de fé, vamos então, conhecê-la.

                      Na entrada da casa, a sala dos Santos. A maior parte deles, foi presente 

                
       Na frente de sua casa

              
Confeccionando os bonecos e as bonecas, encosto de portas
 Foto Memórias Kariri


Durante três dias na semana ela expõem os bonecas na calçada, a espera dos coletores de lixo que recebem de suas mãos o café quentinho e o pão com manteiga e a satisfação que sente em agradá-los, coloca as xícaras em uma mesinha



Fonte: Memórias Kariri 2019


Postado por: Tereza Neuma Macedo Marques
                                                                         







sábado, 20 de junho de 2026

Tragédia na cidade de Tauá que vitimou sete atletas do basquete Juazeirense

                        

Segunda-feira, 15, Juazeiro do Norte recebeu com muita tristeza a notícia da morte envolvendo sete atletas do basquete de nossa cidade, integrantes da Associação Desportiva e Cultural (ADEJU) que retornavam da cidade de Sobral, após ganharem o campeonato Sobral/2026, tornando-se campeões pela segunda vez. A tragédia envolvendo um ônibus que transportava quarenta e seis pessoas, tombou na CE-187, nas proximidades do distrito de Santa Teresa na cidade de Tauá, CE.

A Prefeitura de Juazeiro do Norte manifestou profundo pesar pelo infausto acontecimento,  decretando luto por três dias pela morte dos jovens atletas.    

                                       Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

DÉCIMO SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM

                                                    Texto bíblico: Mt cap. 10, versos 26 a 33.

                                                    Data: 21 de junho

                                                    Dom Samuel Dantas, OSB

Há uma coisa que todos deveríamos temer, mas nem todos a temem. Que coisa seja essa no-lo diz Jesus neste domingo e no-lo lembra a Igreja a quem o Senhor Jesus encarregou de nos nutrir para a salvação por meio da palavra revelada.

“Temei muito mais, diz nosso Senhor, aquele que pode fazer perecer alma e corpo no inferno”, depois de nos ter dito que não precisamos temer aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma”. (Mt 10, 28)

Um dos males que há neste mundo cego é sem dúvida alguma, este: teme-se o que não se deveria temer e não se teme aquilo que deveria nos inspirar um santo e salutar temor. Há quem tema os homens e o que estes podem fazer, mas muito mais se deve temer aquele que pode fazer perecer a alma e o corpo no inferno. Quem isto pode fazer claro está, que é Deus, a quem não podemos deixar de temer.

Esta palavra dita por nosso Senhor e salvador, pode todavia, suscitar no leitor desatento e desprevenido uma certa dificuldade não pequena, a qual consiste no seguinte: se a suprema e eterna verdade disse expressamente que aqueles que matam o corpo não podem matar a alma (por ser ela imortal) como diz depois que a alma pode perecer? Não são apenas os homens que não podem matar a alma!  O próprio Deus que a infunde no corpo não o pode fazer, visto ser ela dotada de imortalidade, que aliás foi-lhe dada pelo mesmo Deus ao cria-la. Neste caso, de que morte da alma falava o Senhor? A que espécie de morte estava ele se referindo, quando estas palavras, pronunciou? A solução desta aparente dificuldade encontramo-la no livro do Apocalipse. Aí se lê que há uma segunda morte, bem diversa da primeira, pela qual todos hão de passar, e muito mais terrível que ela.

A primeira morte, como se sabe, ocorre quando a alma abandona o corpo, consistindo a morte justamente nisso, a saber, na separação entre alma e corpo. A segunda, e esta é a que se deve temer, muito mais terrível que a primeira, consiste na separação eterna e definitiva de Deus, no caso de a alma se condenar.

Quando Jesus falou do perecimento da alma e do corpo no inferno era a esta última morte que se estava referindo. Assim como um ser humano formado de um corpo perecível e de uma alma imortal morre para o mundo quando sua alma imortal deixa seu corpo perecível, morre definitivamente para Deus se morre rompido com ele, isto é, em pecado grave.

Dos homens não precisamos ter medo porque o máximo que nos podem fazer é privar-nos desta vida mortal, o que, bem considerado e pensado não é coisa para se lamentar, especialmente nestes difíceis tempos que atravessamos. Disse alguém certa vez que “só teme morrer quem ainda não compreendeu direito o que é viver” e em todos os tempos houve em vários povos a convicção de que a vida inspira muito mais medo do que a morte.

A Deus devemos ama-lo porque é Pai misericordioso. Não nos esqueçamos, todavia, de que devemos também temê-lo, visto que é juiz. Temamo-lo, pois, porque a Escritura diz-nos que ele é um fogo abrasador (Hb 12, 29) e que é terrível cair nas mãos do Deus vivo. É bom pensarmos no que o próprio cordeiro de Deus, manso e humilde de coração nos diz no Apocalipse: “Eis que eu venho em breve e trago comigo a minha recompensa para pagar a cada um segundo as suas obras”. (Ap, 22, 12)

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques