DOMINGO DE PÁSCOA
Texto bíblico: Jo 20, 1 –
9
Data: 5 de abril
Quando
Maria de Magdála viu naquela já distante manhã do primeiro dia da semana que a
pedra posta à entrada do túmulo do Senhor Jesus fora removida, não lhe ocorreu
de início pensar que seu amado mestre ressuscitara dos mortos. Passou-lhe então
pela cabeça que alguém viera e o removera dali. “Tiraram o Senhor do túmulo e
não sabemos onde o puseram”, disse ela à Pedro e João, oprimida por mortal
tristeza e grande angústia. Não, ó Maria, tu estás totalmente enganada! O autor
da vida não foi retirado por ninguém! De quem precisaria para sair vivo do
túmulo aquele de quem lemos no Apocalipse que tem as chaves da morte e do
inferno? Ele saiu por seu poder e virtude, porque é Deus.
Quem
entrou no túmulo desfigurado pelos tormentos da paixão a que se sujeitara para
nos salvar, dele saiu triunfante e glorioso após ter vencido a morte morrendo
ele mesmo em nossa natureza mortal.
Informa-nos
João que Pedro e ele ainda não tinham “compreendido a Escritura, segundo a qual
Jesus devia ressurgir dos mortos”. (Jo cap. 20, vers. 9)
Não
é para se admirar haja ainda no mundo quem não creia ter o Senhor ressuscitado
dos mortos, visto que, aquelas duas possantes colunas da Igreja primitiva não
tinham compreendido a Escritura, o que, todavia, veio a ocorrer posteriormente.
Reparemos
agora em um especial detalhe que tem para nós a mais alta relevância. Quando
este fato ocorreu, o que hoje chamamos de Novo Testamento nem sequer existia.
Portanto, quando o evangelista escreveu que Pedro e ele ainda não tinham
compreendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressurgir dos mortos, era
ao Velho Testamento que se referia. Assim pois, nos livros do Antigo Testamento
encontramos claríssimos testemunhos acerca da ressurreição do nosso Salvador.
Em
discurso pronunciado após a descida do Espírito Santo, Pedro declarou que o rei
David previu a futura ressurreição de Cristo e foi sobre ela que ele escreveu.
Quando Jesus declarou em certa ocasião que era preciso que nele se cumprisse o
que estava escrito em Moisés, nos profetas e nos Salmos, referia-se também a
sua ressurreição.
Não
tardaram, pois, Pedro, João e os outros apóstolos a se convencerem da verdade
factual que o anjo dera a conhecer a Maria de Magdála: “Ele não está aqui, pois
ressuscitou como havia dito”. (Mt 28, 5 – 6); “Ide depressa dizer a seus
discípulos: ele ressuscitou dos mortos”. (Mt 28, v. 7)
No
capítulo 24 do seu Evangelho, registrou Lucas o que Jesus dissera aos ainda não
totalmente convencidos apóstolos: “É como foi escrito: o Cristo sofrerá e
ressuscitará dos mortos no terceiro dia”. (Lc 24, 45 – 46)
Na
Sinagoga de Tessalônica, conforme Atos 17, Paulo demonstrava a partir das
Escrituras, isto é, do Antigo Testamento, que Jesus devia sofrer e ressuscitar
dos mortos.
Depois
de tantos e tão expressivos testemunhos acerca do sublime evento que mudou para
sempre a história da humanidade, dando-lhe um novo rumo, que nos resta dizer
senão que “Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai”. (Rm 6, 4); que
“Cristo morreu, não só, mas ressuscitou”(Rm 8, 34); que “ressuscitou ao
terceiro dia, segundo as Escrituras”(1Cor 15, 4); que “Cristo ressuscitou dos
mortos, primícias dos que morreram”(1 Cor 15, 20); enfim, que “O Deus de nossos
pais ressuscitou Jesus?”. (Atos 5, 30)
E
como não haveria de ressuscitar aquele cuja ressurreição fora predita, aquele
que disse: “Eu sou a Ressurreição e a vida”, enfim, o que com seu divino poder
ressuscitou dos mortos?
Eis
porque nesse solene domingo de Páscoa, apoiados na fé, proclamamos cheios de
intenso gáudio: “O Senhor ressurgiu do sepulcro”. Aleluia!. Amém. Graças a Deus.
Dom
Samuel Dantas de Araújo, OSB.

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