sábado, 9 de maio de 2026

                          


SEXTO DOMINGO DO TEMPO PASCAL

                                                  Texto bíblico: Jo 14, 15 – 21

                                                  Data: 10 de maio

                                                  Dom Samuel Dantas, OSB  

“Um outro Paráclito, o Espírito da Verdade”. Foi a um Espírito bem específico que nosso Salvador se referiu ao pronunciar estas palavras. Não estava por certo se referindo aquele espírito do qual São Paulo escreveu: “que todo vosso ser, espírito, alma e corpo sejam guardados irrepreensíveis”. Este “outro Paráclito”, o Espírito da Verdade, que este mundo ignora, é o Espírito Santo, a quem adoramos como Deus e cuja majestade divina a Igreja professa no Credo.

Este outro Paráclito é aquele do qual se lê logo na abertura do Livro do Gênesis: “No princípio o Espírito de Deus pairava sobre as águas”. Era a esse Espírito que se referia o rei Davi quando escreveu: Ó Senhor, não retireis de mim o vosso Santo Espírito”.

 Por obra deste divino Paráclito os profetas falaram, o “Verbo se fez carne” no seio de Maria e a Igreja permanece de pé, prosseguindo sua marcha triunfal através dos séculos.

Este Espírito “tudo sonda, até as profundezas de Deus”. (1Cor 2, 10); Ele, “enche a terra e contendo o universo tem conhecimento de cada som” (Sb 1,7).

Este Espírito é criador, conforme o proclamou o santo varão Jó com as seguintes palavras: “O Espírito de Deus me criou, o Espírito do poderoso me faz viver”. (Jo 33, 4) Deste Espírito disse o salmista: “Envias o teu Espírito e são criados e renovas a superfície do solo”. (Salmo 104, 30) Que este Espírito seja eterno lemos na carta aos Hebreus: “Cristo, pelo Espírito eterno se ofereceu a Deus como vítima sem mancha”. (Hb 9, 14) Se o Espírito é eterno, só pode ser Deus, pois apenas Deus é eterno e mais nada!

Não fosse Deus este Espírito e Jesus não teria dito: “batizai a todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” Não fosse ele Deus não poderia Jesus ter dito que quem blasfemasse contra ele não seria jamais perdoado nem neste mundo nem no futuro.

Por fim, que o Espírito Santo seja um ser pessoal, exatamente como o Pai e o Filho dos quais procede como o amor entre ambos, é o que lemos claramente em Atos 10, 19: “O Espírito lhe disse: “aí estão dois homens que te procuram” e em Atos 8, 29: “O Espírito disse a Filipe: adianta-te e alcança aquele carro”, e ainda em Atos 13, 2: “O Espírito Santo disse: “Reservai-me Barnabé e Saulo, em vista da obra, para a qual eu os destino”.

Jesus o comunicou aos apóstolos após ter ressuscitado dos mortos e o derramou profusamente sobre eles após sua Ascensão. Disse o Senhor Jesus ainda sobre ele: “eu enviarei o Espírito da Verdade que procede do Pai”. (Jo 15, 26) e:  “quando vier o Espírito da verdade ele vos conduzirá a verdade plena”. (Jo 16, 13) a qual é Cristo. O Espírito da Verdade conduz ao Verbo da verdade!

Este Espírito que se opõe ao espírito do mundo e do erro “atesta ao nosso espírito que somos filhos de Deus e seus herdeiros”. (Rm 8, 16) e “concede a cada um diversos dons pessoais segundo sua vontade”(1Cor 12, 11)

“Ó Espírito do Pai e do Filho, vós que já no princípio pairáveis sobre as águas, vós que admiravelmente fecundastes o casto seio de uma virgem para que nele o Filho único de Deus se tornasse filho do homem, vós que estivestes sobre o messias prometido a Israel, vós que descestes sobre o Cristo batizado no Rio Jordão em forma de pomba, vós que descestes sobre os Apóstolos no dia de Pentecostes dando nascimento a Igreja,  e habilitando-os para o cumprimento de sua árdua missão, vinde, vos pedimos com fé humilde, habitar em nós para que observemos os mandamentos divinos e assim fazendo nos santifiquemos e salvemos. Habitai ó Santo Espírito em nós para que possamos andar convosco e por vós ser guiados até a celestial pátria, onde vos veremos sem véus, a vós que sois Deus com o Pai e o Filho, reinando com eles agora e para sempre. Amém.

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

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