sábado, 13 de junho de 2026

 

DÉCIMO PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Texto proposto: Mt, cap. 9, 36 -  10, 8.

Data: 14 de junho

Dom Samuel Dantas, OSB

O santo evangelista Mateus refere que o Senhor Jesus “vendo as multidões, tomou-se de compaixão por elas, porque estavam exaustas e prostradas, como ovelhas sem pastor.” (Mt, cap. 9, verso 36)

Em que as multidões do tempo de Jesus diferem das de hoje? Não será que as multidões de hoje são exatamente aquelas do passado com o agravante, porém que as de agora vivem e penam em tempos incomparavelmente mais tenebrosos e lamentáveis do que as que viveram no tempo do Senhor Jesus? É certo que as multidões de hoje padecem dos mesmos males dos quais padeciam as que viveram na época do salvador e de outros que são próprios destes dias! Foi para estas multidões que o Senhor lançou um olhar cheio de compaixão.

As multidões de hoje também elas estão exaustas e prostradas! Exaustas de que, pergunto-me a mim mesmo!

Haverá atualmente neste mundo louco, confuso e perturbado em que vivemos um único ser humano em algum privilegiado lugar que não esteja se sentindo por um ou mais motivos exausto e prostrado? Podemos disso nos certificar quando eventualmente conversamos com qualquer pessoa. Independentemente da classe social a que pertença, da profissão que exerça, do quanto ganhe e do lugar em que resida,  suas palavras deixam entrever que estamos diante de um pobre ser humano exausto, prostrado, como uma pobre ovelha desviada que não tem quem a guie por um caminho bom e reto. Fulano está exausto do trabalho, sicrano de sua família cheia de problemas, um está exausto disto e outro daquilo e não falta quem esteja exausto até de si mesmo, de sua vidinha limitada e vazia e não raro sem sentido, do mundo em trevas onde de arrasta sem outra perspectiva que não seja comer, dormir,  trabalhar fazendo sempre a mesma coisa e divertir-se,  quando o dinheiro contado permite!

No fundo, estamos todos cansados por alguma razão da qual nem sempre se tem perfeita consciência e há milhões por aí que não conseguem descansar sequer quando estão descansando!

Bem antes que o Senhor Jesus manifestasse compaixão por estas ovelhas sem pastor, das quais o mundo atual está cheio, ouçamos o que Deus dissera sobre multidões em semelhante situação noutros tempos!

“Nós todos como ovelhas éramos errantes”. (Is 53, 6) “Ovelhas desgarradas, eis o que meu povo se tornou”(Jr 50, 6) “Meu rebanho se extraviou por todos os montes, meu rebanho dispersou-se”(Ez 34, 6)

E haverá descanso para os cansados? Nesta vida, toda ela uma corrida acelerada para a morte da qual ninguém escapa, onde encontrar um lugar seguro em que se possa descansar e restabelecer as forças gastas nas lides diárias? Em casa? Mas em casa há trabalho! Viajando? Mas viajar também cansa! Numa pousada de luxo? Mas de que adianta, se aquilo que as vezes nos cansa – nós mesmos e o que temos dentro de nós – nunca nos abandona?

Compare-se o tempo de descanso com o tempo de trabalho e ver-se-á que mais cansamos do que descansamos!

O ser humano descansa para tornar a cansar-se! cruel e trágico destino de todos os que vivemos neste mundo! Há, pois, alguma esperança? Há um modo de não fazermos parte de multidões cansadas e exaustas que não tem pastor? Sim! Se estamos cansados, acheguemo-nos a quem disse: “Vinde a mim todos os que estais cansados e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para as vossas almas”, nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus com o seu Pai na unidade do Espirito Santo, pelos séculos dos séculos. Amém.

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

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