DÉCIMO QUINTO DOMINGO DO
TEMPO COMUM
Texto bíblico: Mt 13, 1 –
23
Data: 12 de julho
Dom Samuel Dantas, OSB
Há
os que ouvem a palavra e não a compreendem. E quantos não são. Há os que,
ouvindo, até a acolhem com alegria, mas não tendo raízes, sobrevindo tribulação
ou perseguição, caem. Também estes, há em grande número! Há ainda aqueles cujos
cuidados do mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra que não frutifica.
Ouvintes desta espécie são igualmente numerosos. Finalmente, há quem ouça a
palavra semeada e a compreenda, o qual, dentre os quatro tipos de ouvintes aos
quais Jesus se refere neste domingo, é o único que produz fruto. Os outros três
também ouviram, mas uns por causa de uma coisa e outros por causa de outras,
nem compreenderam como tampouco produziram fruto.
Todos
nós sem exceção pertencemos a uma destas quatro categorias de ouvintes. A qual delas
será que pertenço eu, é preciso que nos perguntemos e respondamos a nós mesmos.
Lemos
na Escritura que em certa ocasião Jesus disse a um jovem rico: “Se queres ser
perfeito, vai vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu.
Depois vem e segue-me”. E a reação de
quem escutou a palavra do Senhor, qual foi? “Retirou-se triste porque tinha
muitos bens”. Eis, aqui um típico caso de alguém cujos cuidados do mundo e a
sedução das riquezas impediram a semente da palavra de frutificar!
A
Escritura atesta em vários de seus livros muitos outros casos, dos quais, alguns
podem aqui ser citados a título de exemplo para uma oportuna reflexão.
Lemos
no capítulo sexto do Evangelho de São João o longo discurso sobre o pão da
vida. E a reação de muitos que o escutaram qual foi? “A partir desse momento,
muitos dos seus discípulos se retiraram e deixaram de andar com ele”. (Jo 6,
66)
A
palavra foi semeada, foi ouvida, mas não foi compreendida. Outro exemplo que
aqui pode ser citado é a reação dos ouvintes diante da pregação de Estevão,
toda ela baseada na Sagrada Escritura. Lemos no capítulo sete dos Atos dos
Apóstolos: “Essas palavras os irritaram e eles rangiam os dentes contra Estevão”.
(Atos, 7, 54)
No
capítulo 22 do mesmo livro lemos que Paulo, em Jerusalém, dirigiu a palavra a
uma multidão de Judeus. E a reação dos que o escutaram qual foi? No versículo
22 do mesmo capítulo temos a resposta: “Os judeus, que tinham escutado Paulo
até essas palavras, puseram-se então a dar gritos: livrem a terra dum indivíduo
desses! Ele não deve ficar vivo”. (Atos, cap. 22, versículo 23)
Eis
pois alguns poucos exemplos que servem para atestar que até podemos escutar a
palavra que Deus nos dirige, mas isso não significa que vamos compreende-la e
menos ainda pô-la em prática. O apóstolo São Tiago em sua carta exorta-nos a
sermos praticantes da palavra e não apenas ouvintes que se iludiriam a si
mesmos. Escutar, pois, não é suficiente nem nos salvará se ficarmos só na
escuta.
O
demônio, que anda ao redor de nós como leão que ruge buscando a quem devorar, a
tribulação que pode nos desviar do reto caminho, se nossa fé não nos mostrar o
seu sentido providencial e para o que ela serve, os cuidados do mundo e a
sedução das riquezas que podem fazer com que nos esqueçamos das coisas
essenciais, conforme neste domingo nos alerta o Senhor Jesus constituem sérios
empecilhos ao seguimento de Cristo e a nossa santificação. Não permita Deus que
estes inimigos venham a obstaculizar a ação de sua palavra.
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