sábado, 5 de setembro de 2026

 

  VIGÉSIMO TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

                                         Texto bíblico: Mt cap. 18, versos 15 a 20

                                         Data: 6 de setembro 

                                         Dom Samuel Dantas, OSB

                                         “Se recusar ouvir a própria Igreja, seja para ti como o pagão e o coletor de impostos”. (Mt 18, verso 17).

Muitas pessoas tendem a aceitar de bom grado a palavra de Cristo, considerando-a divina e proclamando-o como o maior entre os nascidos de mulher. Quando, porém, se trata da Igreja, pelo apóstolo chamada de corpo de Cristo e coluna e sustentáculo da verdade, surgem então dificuldades que muitos não conseguem superar. Eis porque é comum dizer-se “Cristo sim, Igreja não”, como se a Igreja fosse algo totalmente diverso de Cristo e sem relação de espécie alguma com ele.

Nas palavras ditas por Cristo neste domingo, caso alguém caia em pecado, deve-se inicialmente corrigi-lo a sós. O apóstolo Paulo exortava dois dos seus íntimos colaboradores nas labutas do apostolado missionário a repreenderem os faltosos, de modo que a repreensão está não apenas prevista nos escritos do Novo Testamento, mas é abertamente ordenada. “Aqueles que pecam, repreende-os...” (1Tm 5, 20) “Assim é que deves falar, exortar e repreender com plena autoridade”. (Tt 2, 15) “Para tal homem, basta a censura infligida pela comunidade”. (2Cor 2, 6)

 Se esta primeira tentativa não surtir efeito algum, chame-se então duas ou três pessoas como testemunhas, para ver se a pessoa faltosa se corrige. Caso este recurso também não produza qualquer resultado, recorra-se por fim, como a última instância, a autoridade da Igreja, a quem Cristo deu o poder de ligar e desligar. Aqui se chegando, parece que não há mais o que se fazer. Se o faltoso não se emendar, se persistir no erro, se não abandonar o pecado, diz Cristo, “seja para ti como o pagão e o coletor de impostos”.

Quer o Senhor Jesus nos ensinar de maneira muito clara que é grave não escutar a voz da Igreja, por meio da qual ele próprio nos fala e nos instrui sobre o que é bom e o que não é, sobre o que devemos fazer e o que é preciso evitar, para nosso bem.

Disse Cristo uma vez: “Quem vos ouve a mim ouve e quem vos rejeita a mim rejeita”.

Quem se recusa a ouvir a Igreja, que é o prolongamento visível do Cristo no tempo e na história, está se recusando a ouvir Cristo que fala aos homens através de sua Igreja, por ele constituída “sacramento universal de salvação”.

Jesus nos diz ainda que “se duas pessoas se puserem de acordo para pedir seja o que for, isto lhes será concedido por meu Pai que está nos céus”. (Mt 18, 19) Neste caso, dirá alguém, se duas pessoas pedirem coisas extravagantes, como acertar na loteria ou a morte de um inimigo, tal lhes será concedido, já que Jesus disse “seja o que for”? Esta palavra de Jesus há de ser assim entendida: seja o que for para o bem do solicitante, pois nem tudo o que se pede é bom, e se Deus nem sempre dá-nos o que pedimos, é que ele sabe que aquilo não seria bom para nós e com razão no-lo recusa. Eis porque as vezes nega para o bem o que se lhe pede, ainda que nos possa parecer bom.

“Onde pois dois ou três estiverem reunidos no meu nome, aí estou eu no meio deles”, conclui Cristo.

Cristo está presente no meio daqueles que se reúnem em seu nome para adorá-lo e glorificá-lo como a seu Deus e salvador; está acima de todos porque é Deus e por fim, está em nosso íntimo quando em sua graça vivemos. “Eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. 

Postado por Tereza Neuma Macedo Marques


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