
Assunção Gonçalves, Jesualdo Farias e Lira Neto

Assunção Gonçalves, Jesualdo Farias e Lira Neto



- Passando nestes dias pela Av. Dr. Floro dei de cara com o Campo Florestal, órgão pertencente ao Governo Federal. Pensava que não mais existia, pois quando passava por aquela rua, não tinha mais ideia de onde se localizava. Neste dia, o portão estava aberto. Parei, pedi licença e um senhor que me atendeu e se identificou dizendo chamar-se Luís e que é o responsável pelo local. A casa ainda existe e é nela que ele reside há mais de quarenta anos, mas notei a falta dos pés de groselha, a frutinha azedinha de cor amarela. Quando estudava no Instituto Domingos Sávio ou quando participei do Núcleo das Bandeirantes como Fadinha, as reuniões algumas vezes aconteciam lá, me esbaldava chupando essa frutinha, ficava com os dentes todos embotados. Perguntei para o seu Luís, e ele respondeu: - Não temos mais esta planta aqui. Eu vi somente bananeiras, palmeiras, mangueiras, mas a frutinha da minha infância, também o tempo levou.

Autora: Maria de Fátima Gomes
Sobral – Ce Abril\2008
Com todo amor que dedico
À querida Juazeiro
Conto a história da cidade
Que acolhe o romeiro
Cantando os seus louvores
A Santa Virgem das Dores
Durante o ano inteiro
No estado do Ceará
Fica na região sul
Desbravada por herdeiros
Do líder Caramuru
Que um escravo conduziu
Aos índios Cariris uniu
Contra a tribo Cariús
A Fazenda Tabuleiro
Foi doada ao Brigadeiro
Próxima ao Rio Salgadinho
Havia três juazeiro
Um triângulo eles formavam
Os feirantes se abrigavam
De um modo hospitaleiro
O Brigadeiro construiu
Sua casa na fazenda
Os mocambos se espalharam
Como se fossem uma prenda
Casa de farinha depois
Roçado de milho e arroz
Aumentando mais a renda
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Fundamentada a cidade
Veio toda construção
Da Capela da Mãe das Dores
Para dar-lhe a bênção
Com seu desenvolvimento
Rápido foi o crescimento,
Comercio e população
A capelinha era desejo
Do citado brigadeiro
O capelão foi seu neto,
O Padre Pedro Ribeiro
Trouxeram de Portugal
A imagem Paroquial
Do Santuário de Juazeiro
Sem ter apego o Padre
Pra capelinha doou
Todo o seu patrimônio
Que de sua mãe herdou
Confirmando que o Brigadeiro
É o precursor de Juazeiro
Mas, o Padim é fundador
No Seminário de Olinda
Pe. Pedro se ordenou
Voltando para a Fazenda
À família ajudou
Aos escravos foi ensinar
A rezar e trabalhar
Novo estilo semeou
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Entre escravos e senhores
Bagunça não permitia
Era muito rigoroso
Muita coisa proibia:
Arma, samba e cachaça
Do céu recebendo a graça
O povo lhe obedecia
Ao mudar para outro plano
Aos escravos deu alforria
Mas sempre que precisava
À capelinha servia
Sem cobrar numerário
Fiéis ao missionário
Pelos favores que devia
Depois que ocorreu o óbito
Quatro capelães passaram
Para assumir o ofício
Dificuldades encontraram
Muitos de seus habitantes
Com vícios extravagantes
Das rezas se dissertaram
O terceiro capelão
Foi o primeiro professor
Naquela povoação
Uma escilnha instalou
E quando foi transferido
Deixou um amigo querido
Que seus méritos adotou
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O povoado cresceu
Ligeiro e desordenado
Os descendentes de escravos
Cada vez mais desastrado
Precisando de contensão
O professor Semeão
Tinha plano elaborado
Havia se ordenado
O Padre Cícero Romão
A província se encontrava
Sem ter nenhum capelão
O educador foi ao Crato
Da situação fez relato
E ao Padre apelação
Para a missa do galo
Naquela noite de Natal
O Padre Cícero feliz
Com afeto paternal
Mostrou sua docilidade
Também tinha habilidade
Para trabalho social
Gostou bem daquela gente
Apesar de ignorante
Pregou a homilia
Com discurso cativante
A convite do amigo
Fixou ali seu abrigo
Morador mais importante
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Sendo o sexto capelão
Da casa da Mãe das Dores
Se posicionava com firmeza
Convertendo os pecadores
O povoado era pequeno
Trinta casas mais ou menos
De escravos e senhores
O Pe. Cícero encontrou
Tudo muito bagunçado
Recebeu como provação
Para isto foi preparado
Era muito paciente
Agindo severamente
O povo recuperado
Foi através do trabalho
Deste líder religioso
Juazeiro ficou conhecido
Pelo fato milagroso
A igreja com indignação
Causando a expulsão
Do Levita virtuoso
Enquanto o Bispo perseguia
O Reverendíssimo Capelão
Do povo mais aumentava
Por ele, a admiração.
Julgado desobediente
Esteve sempre presente
Confortando o povão
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Depois deste fenômeno
Mudou todo o Sertão
O “cabôco” desanimado
Queria consolação
Procurava Juazeiro
Se tornando um Romeiro
Pra receber a benção
O Pe. com seu carisma
Dava conselho e carinho
Todos que o procurava
Adotava como Padrinho
Atraía o emigrante
Chegando como retirante
Construía ali seu ninho
O Padim desiludido
Com sua reabilitação
Encaminhava atividade
Em prol da população
Totalmente desamparada
Toda bem canalizada
Para esta região
Para a Serra do Araripe
O Padre recomendava
A terra era muito fértil
Mandioca cultivava
Aumentou a plantação
De cana, milho e feijão
Todo Cariri lucrava
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O desenvolvimento agrícola
Mudou a povoação
O comércio teve impulso
Aumento a produção
O sacerdote queria
Conquistar autonomia
Do Crato, a libertação
Feita uma coligação
Com mais dois emigrantes
Um, Floro Bartolomeu
Tinha experiência bastante
Outro, Pe Alencar Peixoto,
Polêmico como garoto
Causava conflito constante
A primeira atitude
Foi bloquear a tributação
O prefeito de Crato aflito
Pediu a compreensão
Já estava no orçamento
Fez promessa, juramento,
De um plano de ação
Chegando no outro ano
A Assembléia foi reunida
E a emancipação
Por ele foi esquecida
Sem nenhuma complacência
Deu-se a independência
Em passeata recebida
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A notícia correu rápido
Por toda a região
Como faísca elétrica
Causou grande sensação
O Crato inconformado
Foi logo derrotado
Naquela situação
Em atenção aos amigos
Um pedido foi aceito
Padre Cícero foi nomeado
Do município, prefeito
Em pacto de amizade
Combateu a criminalidade
Com moral e direito
Eu aqui tentei mostrar
Os fatores determinantes
Do progresso desta cidade
Onde a fé importante
Por um fato milagroso
O turismo religioso
Atrai muitos visitantes
Juazeiro se destacou
Como um lugar sagrado
Das cidades do interior
É a maior do Estado
Os cem anos de história
Gravados em nossa memória
Serão sempre relembrados.
A AUTORA
Maria de Fatima Gomes, nascida no dia 12 de fevereiro de 1953, na cidade de Farias Brito-Ceará. Aos 14 anos veio para Juazeiro, para estudar. Iniciou seus estudos no Orfanato Jesus Maria José. Fez o Ginásio na Escola Normal Rural e o Normal Pedagógico no Centro Educacional Prof. Moreira de Sousa em 1974. É formada em Pedagogia pela Urca com especialização