sábado, 19 de março de 2011

ICVC indica três para Medalha Centenária

Em Sessão Ordinária, datada em 1º de março de 2011, o Instituto Cultural do Vale Caririense aprovou a indicação de três nomes aos quais serão outorgadas a MEDALHA CENTENÁRIA, criada pela instituição. Os agraciados são: Professora Assunção Gonçalves das "artes plásticas"; Profº Dr. Jesualdo Farias - Magnifico Reitor da Universidade Federal do Ceará, e Lira Neto, Jornalista e Escritor. Segundo informou o presidente do ICVC, Hugo de Melo Rodrigues “Os três foram indicados pela relevância do conjunto de suas obras/ações dignas de receberem desta academia a mais alta distinção relativa ao Centenário desta cidade, o reconhecimento e a gratidão pela grandeza de seu trabalho”. A Câmara Municipal e a Prefeitura vacilaram, perderam tempo, e o ICVC, mais esperto, terminou criando a Medalha do Centenário. Parabéns, ICVC, pela feliz iniciativa.

Assunção Gonçalves, Jesualdo Farias e Lira Neto

A Feirinha da Rua São Pedro e o Campo Florestal
Recebi muitas sugestões para lembrar a famosa Feirinha da Rua São Pedro próxima à Rua da Conceição, então, para agradar aos leitores aqui seguem as lembranças do tempo que já curtimos e muito! Procurei saber de algumas pessoas se estavam lembradas da Feirinha que existiu nos anos sessenta e mais além, e, se tinham conhecimento de pessoas que fizeram parte desta Feirinha, então descobri a existência de uma pessoa que quando criança ajudava sua mãe, D. Laura. Ela reside na Rua da União e chama-se Irani. Fui até lá para conversar com ela e consegui algumas informações. Ela e seu irmão nos idos de 1965 todos os dias acompanhavam sua mãe levando a banca, um tamborete, um balaio com os produtos que iriam vender e um candeeiro. Seu irmão muito pequeno não tinha com quem ficar em casa, então o jeito era levá-lo. Quem se incomodava muito com isso era o Comissário de Menor, o temível Cabo Dido, que algumas vezes ameaçava até de não permitir que ela colocasse a banquinha, devido a pouca idade do menino; ele alegava que não era certo ele ficar até altas horas da noite, enfrentando frio e chuva no local, sem proteção adequada. Ela lembra que o garoto ficava embaixo da banquinha agasalhado com um cobertor e lá ficava dormindo. Guardo em minha memória o horário em que diariamente surgia antes de cinco horas da tarde, no início da Rua da Conceição uma fila de velhinhas, cabeça amarrada com um lenço, outras com um pano que traspassava uma ponta por cima da outra formando um turbante, saia rodada ou pregueada com a blusa por cima e um rosário no pescoço. Traziam na cabeça um balaio com pitombas, amendoim torrado, cocada e rolete de cana e ainda um candeeiro. Minha amiga Tereza Fátima Bezerra, uma das pessoas que me incentivaram a escrever sobre este assunto mencionou o candeeiro, peça imprescindível na Feirinha, pois à noite muitas lojas estavam fechadas e com as luzes apagadas, era ele que iluminava os produtos expostos à venda. As feirantes levavam num braço uma mesinha (ou banquinha) de madeira e no outro o tamborete para sentar. Nem todas possuíam uma banquinha, algumas de poucas posses improvisavam um caixote de madeira cobriam com uma toalha de xadrez e em cima exibiam os produtos para vender. Segundo informações de Irani, elas chegavam cedo para varrer o local, para colocar as bancas. O número de vendedoras era de oito a nove. Tinha uma que se destacava das demais, era Carminha a que tinha a banca mais sortida e também era a mais animada e dinâmica, orientava as demais, e sugeria o que deveriam vender. Ela lembra do nome de algumas: Duas com o nome de Zefinha, D. Augusta, D. Júlia e Carminha (já mencionada), sua mãe D. Laura, e as outras ela não lembra mais os nomes. Todas eram muito amigas e nunca se ouviu falar de alguma briga entre elas. Acredita-se que um dos motivos que fez com que acabasse a Feirinha foi a saída de Carminha, a mais animada, porque ela resolveu morar em São Paulo. Também a procura pelos produtos vendidos por elas foram diminuindo, então as que ficaram resolveram diversificar, passando a vender também cajarana e cajá na época de safra; bolo de puba, coxinha etc. Porém, mesmo assim não prosperou. As feirantes então, foram perdendo o interesse, algumas adoeceram e deixaram de ir, a Feirinha ficando cada dia mais fraca, os fregueses escasseando. Por algum tempo ainda víamos D. Maria, uma senhora morena, baixinha e gordinha vendendo milho cozido. Ela desistiu do trecho tradicional entre a Rua São Pedro com Rua da Conceição, mudou para o quarteirão da Rua São Francisco com São Pedro, mas esta durou pouco tempo. Ah! Que tempo bom! Tempo de andar na rua à noite sem medo de assalto, de ruas movimentadas, de passar nos cinemas para ver os cartazes e das compras na Feirinha. As velhinhas simpáticas e educadas que sempre nos atendiam, ficaram no passado, no túnel do tempo. Neste momento, em que Juazeiro se prepara para festejar seu Centenário rendo aqui a minha sincera homenagem àquelas mulheres que vendiam na Feirinha da Rua São Pedro. Elas talvez nem saibam, mas fazem parte da História do Juazeiro Antigo e portanto são merecedoras do nosso maior apreço. Você que viveu aquele momento em Juazeiro renda também a sua homenagem àquelas valorosas feirantes. Não deixemos que a modernidade as deixe no esquecimento.

- Passando nestes dias pela Av. Dr. Floro dei de cara com o Campo Florestal, órgão pertencente ao Governo Federal. Pensava que não mais existia, pois quando passava por aquela rua, não tinha mais ideia de onde se localizava. Neste dia, o portão estava aberto. Parei, pedi licença e um senhor que me atendeu e se identificou dizendo chamar-se Luís e que é o responsável pelo local. A casa ainda existe e é nela que ele reside há mais de quarenta anos, mas notei a falta dos pés de groselha, a frutinha azedinha de cor amarela. Quando estudava no Instituto Domingos Sávio ou quando participei do Núcleo das Bandeirantes como Fadinha, as reuniões algumas vezes aconteciam lá, me esbaldava chupando essa frutinha, ficava com os dentes todos embotados. Perguntei para o seu Luís, e ele respondeu: - Não temos mais esta planta aqui. Eu vi somente bananeiras, palmeiras, mangueiras, mas a frutinha da minha infância, também o tempo levou.


COMENTÁRIO:
A respeito do assunto focalizado na coluna anterior, minha prima Lúcia Macedo, de Fortaleza, fez o seguinte comentário: "Lembrei-me muito da Maroli, me diziam que ela era uma bruxa e tinha um caldeirão bem grande na casa dela e que ali ela cozinhava crianças. Imagine o medo que eu tinha dela, não gostava nem de passar na frente da casa dela, lembro nitidamante, ficou gravado nas minhas lembranças. Que legal voltar ao passado...
RESPOSTA: Prima, você sempre com os seus comentários que me animam a continuar despertando lembranças e saudades. Realmente, você aguçou mais minha memória e me fez lembrar que a consideravam mesmo uma bruxa e que metia medo nas crianças. É verdade, as crianças tinham medo de pisar na sua calçada.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Município de Juazeiro do Norte e Estado do Ceará devem fornecer medicamento para paciente

A Justiça cearense determinou que o Município de Juazeiro do Norte e o Estado do Ceará forneçam o medicamento Herceptin à paciente E.S.V., vítima de câncer de mama. A decisão, da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ/Ce), manteve liminar proferida na 1ª Instância. “Tem-se, portanto, um quadro de saúde que deve ser tratado pelo Poder Público, porque, além de a doença ser grave, colocando em risco a saúde e até a vida da paciente, esta não possui condições financeiras de arcar com o custo do citado remédio”, afirmou o relator do processo, desembargador Fernando Luiz Ximenes Rocha, durante sessão dessa última 2a.feira (14/03). Conforme os autos, E.S.V. descobriu que era portadora de câncer de mama, em setembro de 2008. Ela foi submetida à cirurgia de mastectomia, mas, para dar continuidade ao tratamento, deveria iniciar, com urgência, procedimento de quimioterapia com o uso do remédio Herceptin, que custava cerca de R$ 11 mil. Em virtude disso, recorreu à Secretaria de Saúde de Juazeiro do Norte, mas teve o pedido negado. Alegando que estava desempregada e necessitando realizar o tratamento com urgência, ajuizou ação ordinária, com pedido liminar, contra o Município de Juazeiro do Norte e o Estado do Ceará, requerendo o fornecimento da medicação. Em 7 de outubro de 2009, a juíza da 4ª Vara da Comarca de Juazeiro do Norte, Christianne Braga Magalhães Cabral, concedeu a liminar, determinando o fornecimento, no prazo de 48 horas, na quantidade e pelo período prescrito. Em caso de descumprimento da decisão, fixou multa diária no valor de R$ 1 mil. “Inquestionável o caráter emergencial da medida pleiteada, em face do risco de vida vivenciado pela autora, competindo, portanto, ao Estado (União, estados, municípios e Distrito Federal), assegurar às pessoas desprovidas de recursos financeiros o acesso à medicação necessária ao tratamento de suas enfermidades”, explicou a magistrada. Inconformado, o Município de Juazeiro do Norte interpôs agravo de instrumento (nº 26174-92.2009.8.06.000/00) no TJ/Ce, requerendo a reforma da decisão. Argumentou que não dispõe de recursos suficientes para atender ao pedido.
Sobre o argumento, o desembargador Fernando Luiz Ximenes Rocha destacou que “as limitações ou dificuldades orçamentárias não se prestam, por si sós, como pretexto para negar o direito à saúde e à vida garantido no artigo 196 da Carta Republicana”. Afirmou também que “não há prova nos fólios sobre a mencionada ausência de disponibilidade financeira do ente público, ou sobre o comprometimento da verba destinada à saúde, caso a ordem de fornecimento do fármaco seja mantida”. Em virtude disso e com base no entendimento dos tribunais superiores e do TJ/Ce, a 1ª Câmara Cível negou provimento ao agravo e manteve a decisão de 1º Grau.
Fonte: TJ/Ceará

1º Teaser-Trailer da Minissérie Cearense SEDIÇÃO DE JUAZEIRO

HISTÓRIA DE JUAZEIRO

Autora: Maria de Fátima Gomes

Sobral – Ce Abril\2008


Com todo amor que dedico

À querida Juazeiro

Conto a história da cidade

Que acolhe o romeiro

Cantando os seus louvores

A Santa Virgem das Dores

Durante o ano inteiro

No estado do Ceará

Fica na região sul

Desbravada por herdeiros

Do líder Caramuru

Que um escravo conduziu

Aos índios Cariris uniu

Contra a tribo Cariús

A Fazenda Tabuleiro

Foi doada ao Brigadeiro

Próxima ao Rio Salgadinho

Havia três juazeiro

Um triângulo eles formavam

Os feirantes se abrigavam

De um modo hospitaleiro

O Brigadeiro construiu

Sua casa na fazenda

Os mocambos se espalharam

Como se fossem uma prenda

Casa de farinha depois

Roçado de milho e arroz

Aumentando mais a renda

- 1 –

Fundamentada a cidade

Veio toda construção

Da Capela da Mãe das Dores

Para dar-lhe a bênção

Com seu desenvolvimento

Rápido foi o crescimento,

Comercio e população

A capelinha era desejo

Do citado brigadeiro

O capelão foi seu neto,

O Padre Pedro Ribeiro

Trouxeram de Portugal

A imagem Paroquial

Do Santuário de Juazeiro

Sem ter apego o Padre

Pra capelinha doou

Todo o seu patrimônio

Que de sua mãe herdou

Confirmando que o Brigadeiro

É o precursor de Juazeiro

Mas, o Padim é fundador

No Seminário de Olinda

Pe. Pedro se ordenou

Voltando para a Fazenda

À família ajudou

Aos escravos foi ensinar

A rezar e trabalhar

Novo estilo semeou

- 2 –

Entre escravos e senhores

Bagunça não permitia

Era muito rigoroso

Muita coisa proibia:

Arma, samba e cachaça

Do céu recebendo a graça

O povo lhe obedecia

Ao mudar para outro plano

Aos escravos deu alforria

Mas sempre que precisava

À capelinha servia

Sem cobrar numerário

Fiéis ao missionário

Pelos favores que devia

Depois que ocorreu o óbito

Quatro capelães passaram

Para assumir o ofício

Dificuldades encontraram

Muitos de seus habitantes

Com vícios extravagantes

Das rezas se dissertaram

O terceiro capelão

Foi o primeiro professor

Naquela povoação

Uma escilnha instalou

E quando foi transferido

Deixou um amigo querido

Que seus méritos adotou

- 3 -

O povoado cresceu

Ligeiro e desordenado

Os descendentes de escravos

Cada vez mais desastrado

Precisando de contensão

O professor Semeão

Tinha plano elaborado

Havia se ordenado

O Padre Cícero Romão

A província se encontrava

Sem ter nenhum capelão

O educador foi ao Crato

Da situação fez relato

E ao Padre apelação

Para a missa do galo

Naquela noite de Natal

O Padre Cícero feliz

Com afeto paternal

Mostrou sua docilidade

Também tinha habilidade

Para trabalho social

Gostou bem daquela gente

Apesar de ignorante

Pregou a homilia

Com discurso cativante

A convite do amigo

Fixou ali seu abrigo

Morador mais importante

- 4 –

Sendo o sexto capelão

Da casa da Mãe das Dores

Se posicionava com firmeza

Convertendo os pecadores

O povoado era pequeno

Trinta casas mais ou menos

De escravos e senhores

O Pe. Cícero encontrou

Tudo muito bagunçado

Recebeu como provação

Para isto foi preparado

Era muito paciente

Agindo severamente

O povo recuperado

Foi através do trabalho

Deste líder religioso

Juazeiro ficou conhecido

Pelo fato milagroso

A igreja com indignação

Causando a expulsão

Do Levita virtuoso

Enquanto o Bispo perseguia

O Reverendíssimo Capelão

Do povo mais aumentava

Por ele, a admiração.

Julgado desobediente

Esteve sempre presente

Confortando o povão

- 5 –

Depois deste fenômeno

Mudou todo o Sertão

O “cabôco” desanimado

Queria consolação

Procurava Juazeiro

Se tornando um Romeiro

Pra receber a benção

O Pe. com seu carisma

Dava conselho e carinho

Todos que o procurava

Adotava como Padrinho

Atraía o emigrante

Chegando como retirante

Construía ali seu ninho

O Padim desiludido

Com sua reabilitação

Encaminhava atividade

Em prol da população

Totalmente desamparada

Toda bem canalizada

Para esta região

Para a Serra do Araripe

O Padre recomendava

A terra era muito fértil

Mandioca cultivava

Aumentou a plantação

De cana, milho e feijão

Todo Cariri lucrava

- 6 –

O desenvolvimento agrícola

Mudou a povoação

O comércio teve impulso

Aumento a produção

O sacerdote queria

Conquistar autonomia

Do Crato, a libertação

Feita uma coligação

Com mais dois emigrantes

Um, Floro Bartolomeu

Tinha experiência bastante

Outro, Pe Alencar Peixoto,

Polêmico como garoto

Causava conflito constante

A primeira atitude

Foi bloquear a tributação

O prefeito de Crato aflito

Pediu a compreensão

Já estava no orçamento

Fez promessa, juramento,

De um plano de ação

Chegando no outro ano

A Assembléia foi reunida

E a emancipação

Por ele foi esquecida

Sem nenhuma complacência

Deu-se a independência

Em passeata recebida

- 7 –

A notícia correu rápido

Por toda a região

Como faísca elétrica

Causou grande sensação

O Crato inconformado

Foi logo derrotado

Naquela situação

Em atenção aos amigos

Um pedido foi aceito

Padre Cícero foi nomeado

Do município, prefeito

Em pacto de amizade

Combateu a criminalidade

Com moral e direito

Eu aqui tentei mostrar

Os fatores determinantes

Do progresso desta cidade

Onde a fé importante

Por um fato milagroso

O turismo religioso

Atrai muitos visitantes

Juazeiro se destacou

Como um lugar sagrado

Das cidades do interior

É a maior do Estado

Os cem anos de história

Gravados em nossa memória

Serão sempre relembrados.

A AUTORA

Maria de Fatima Gomes, nascida no dia 12 de fevereiro de 1953, na cidade de Farias Brito-Ceará. Aos 14 anos veio para Juazeiro, para estudar. Iniciou seus estudos no Orfanato Jesus Maria José. Fez o Ginásio na Escola Normal Rural e o Normal Pedagógico no Centro Educacional Prof. Moreira de Sousa em 1974. É formada em Pedagogia pela Urca com especialização em Orientação. Também tem especialização em Educação Especial pela Fundação Catarinense de Educação Especial e pela APAE de São Paulo. Foi aluna do inesquecível Monsenhor Murilo, seu grande incentivador quando iniciou no magistério, cursando ainda o 2º Normal e lecionando na Escola Técnica de Comércio Dr. Geraldo, nos 1º, 2º e 3º ano Técnico Comercial, as disciplinas Língua Portuguesa e Correspondência Oficial, Depois foi para APAE de Juazeiro. Deixou o magistério e foi para a Teleceará, e para se realizar profissionalmente, passou a trabalhar como Instrutora de Treinamento para telefonistas, Qualidade em Atendimento ao Público, Instrutora e Coordenadora do Pragrama 5Ss da Teleceará. Hoje mora em Fortaleza, está aposentada e para preencher seu tempo, além de outras atividades, faz cordéis por diversão. Recentemente publicou um cordel sobre Padre Murilo já noticiado