sábado, 2 de abril de 2011


                                                    EDMILSON ALVES BEZERRA

Edmilson Alves Bezerra é um dos mais antigos taxistas de Juazeiro do Norte, estando hoje com 58 anos de profissão. Antes de adotar a profissão de taxista foi lavador de carro, ourives e funcionário público municipal. Como desportista atuante foi jogador de futebol (foi ralph direito do Treze Atlético Clube), treinador da Seleção de Juazeiro e diretor de esporte da Liga Desportiva Juazeirense. Foi também comissário de menores. Ele tem em sua biografia de taxista um fato marcante pelo qual já foi homenageado pela Ciretran, Detran e BPtran: até hoje, com 58 anos de profissão, nunca foi multado por infração de trânsito! Este é sem dúvida um exemplo dignificante. Edmilson nasceu no dia 6 de março de 1931. Seu posto de serviço fica localizado na Praça Padre Cícero.

Semana D da Dança - Festival Nacional de Dança do Cariri

A Associação Dança Cariri, CNPJ 09.431.113/0001-16 é uma organização civil, sem fins lucrativos, que vem ao longo de 04 anos fomentando a pesquisa e a produção das artes cênicas, sobretudo a dança contemporânea no cenário Cearense. E vem através deste apresentar a realização da Semana D da Dança 3a edição - Festival  Nacional de Dança do Cariri que acontece de 05 a 09 de Abril de 2011 o, dentro da, na cidade de Juazeiro do Norte, interior sul do Ceará.

 Idealizada inicialmente para ser uma mostra alusiva as comemorações do dia Internacional da Dança, o evento iniciou timidamente em 2008 (primeira edição em parceria com SESC – Juazeiro do Norte/CE). No ano de 2010 (segunda edição em parceria com CCBNB - Cariri) teve suas ações acentuadas com participações de grupos da capital e ações formativas, levando a que o público local legitima a “Semana D da Dança” como o principal evento de dança da Região do Cariri.

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A mostra vem abrangendo em suas duas edições diversas linguagens da dança cênica (dança contemporânea, ballet clássico, dança de rua, dança popular, entre outras), reunindo espetáculos locais e da capital do Estado, sempre destacando a diversidade e a liberdade de expressão da Dança, numa região que sempre teve visibilidade apenas por suas manifestações tradicionais da cultura  popular (reisados, lapinhas, bandas cabaçais), mas que demanda também extrema força criativa em outras linguagens contemporâneas.

 Para a terceira edição, ampliaremos as ações, trazendo para o Cariri, de 05 a 09 de Abril de 2011, profissionais da dança renomados no Brasil para realizar o 1º Festival Nacional de Dança do Cariri durante a semana do evento. Realizaremos: oficinas, debates, palestras, intervenções, mostras de vídeos-dança em parceira com Alpendre e exibição de espetáculos com um recorte atual para a produção contemporânea do Ceará e Brasil.

 

Tais como: Ana Vitória Dança Contemporânea, Esther Weitzman Cia de Dança, Cia da Idéia, Cia Dita, Marina Carleial, Cia da Arte Andanças, Cia Independente. Além de, Thereza Rocha, Milena Codeço, Edney D Conti, Rosa Primo, Wilemara Barros... E artistas da região como Irmãos Anicetos, Dakini Cia de dança, Carolina Rocha Cia de dança e Alysson Amancio Cia de dança, que estréia o espetáculo “O que deságua em mim” coreografado por Ana Vitória coreógrafa baiana radica no Rio de Janeiro, que realizou uma residência com a Cia, através do prêmio FUNARTE residências em artes cênicas 2010.

 A programação completa está no blog www.semanaddadanca3.blogspot.com bem como as informações.

 Sempre com a entrada gratuita em todas as atividades, o projeto pretende democratizar o acesso à cultura e fomento a apreciadores da dança, neste evento que cerca de 100 artistas e técnicos e um público estimado em 5.000 pessoas, entre população local, regional, estudantes, artistas e turistas e/ou romeiros já que contaremos com intervenções urbanas.

 Com ação política e social, no dia 04/04, véspera da abertura da Semana  realizaremos a Manifestação DANÇA CARIRI!!! Cortejo Cultural reinvidicando políticas públicas para a Dança na região.

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PROGRAMAÇÃO


Dia 04 de Abril – SEGUNDA –FEIRA

DANÇA CARIRI - Cortejo Cultural
Reivindicação de Políticas Públicas para a Dança no Cariri
16h00 - concentração na praça da prefeitura,
17h00 - saindo pela rua são pedro em direção a praça pe. cicero

Dia 05 de Abril – TERÇA -FEIRA

9h30 - Oficina de Balé Clássico com Wilemara Barros(CE)
Local: Associação Dança Cariri

18h - Cerimonial de Abertura

homenagem a Sra. Ines Silvia

* fundadora da primeira escola de dança da região
18h30 - Irmãos Anicetos(CE)

Local: Teatro Patativa do Assaré – SESC Juazeiro
 
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19h - Maculelê com grupos de Capoeira do SESC
local: Terreiro Mestre Margarida
 
19h30 – Ana Vitória Cia de Dança(RJ)
Performance- instalação: Pulsão do Laço
30 min - livre
Local: Sala Multi-Uso SESC 
 
2030h - Cia. Dita (CE)
Espetáculo: De-vir
40 min - 18 anos
Local: Teatro Patativa do Assaré – SESC Juazeiro

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Dia 06 de Abril – QUARTA -FEIRA

9h30 - Oficina de Dança Contemporânea
com Sueli Guerra(RJ)
Local: Associação Dança Cariri


14h Debate: A Dança Cearense.

Convidados: Angela Sousa – Silvia Moura - Fauller – Gerson Moreno
 Elyzângela Alencar – Silvia Moura. 120 min
Local: Auditório CCBNB Cariri

 17h – Intervenção urbana: Lamento e Gozos da Imperatriz de Itapipoca

Balé Baião (CE) 30min
Local: Praça Padre Cícero, saindo do CCBNB

18h – Cia de Dança Carolina Rocha (CE)
Espetáculo: Eu não lamento - 15 min - livre
18h30 - Silvia Moura (CE)
Espetáculo: Anatomia das coisas encalhadas ou coleção
de coisas inúteis - 20 min - livre
Local: Teatro CCBNB Cariri

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20h - Cia da Idéia (RJ)
Espetáculo: Jangada de pedra - livre
Local: Teatro Patativa do Assaré – SESC Juazeiro

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Dia 07 de Abril – QUINTA-FEIRA

9h30 - Oficina de Dança Contemporânea com
Edney D Conti (RJ))
Local: Associação Dança Cariri
 
14h Palestra: A dança e a Universidade
Convidadas: Rosa Primo (CE) e Tereza Rocha (RJ) – 120min
Local: Auditório CCBNB Cariri

18h - Balé Baião (CE)
Espetáculo-perfomático: Lamento e Gozos da Imperatriz de Itapipoca - 20min - livre

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18h30 - Dakini Cia de Dança (CE)
Espetáculo: Amarras (fragmentos) – 20min - livre
18h50 – Edney D Conti (RJ)
Espetáculo: Canela Verde – 20min - livre
Local: Teatro CCBNB Cariri
 
19h30 – Andréa Bardawil e Graça Martins (CE)
Mostra de processo de criação: 
Graça/Evidência-Um de Percurso -40 min - livre
* Essa pesquisa coreográfica foi desenvolvida com subsídio do Programa Rumos Itaú Cultural Dança 2009/2010

https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjVMxz07zubv4Hpc5oPixa3SGpgmSEKAgruakC-6_7kwn0PDhzsCMM0X3HjK3RcvdAzbs29N5bmCEVPQ6FCvZuYcnZ3Svfi6K5yqmAA_fvqwfyTTi5EnJRm0Qy0LcJF4a24pX9dMnpJDHg/s320/Imagem_515.jpg
20h30 – Ana Vitoria(RJ) e Alysson Amancio Cia de Dança (CE)
Estréia-espetáculo: O que deságua em mim
*realizado a partir do prêmio FUNARTE residências em artes cênicas 2010
40 min - livre
Local: Teatro Patativa do Assaré – SESC Juazeiro

Dia 08 de Abril – SEXTA -FEIRA

9h30 - Oficina de Dança Contemporânea – Milena Codeço(RJ)
Local: Associação Dança Cariri

14h - Mostra de Vídeos-Dança - Heterotopias Alpendre 10 anos
parceria: Alpendre, Casa de Arte, Pesquisa e Produção
Vídeos exibidos:
- San Pedro, um navio à deriva (2005, 15'), de Andréa Bardawil, Eduardo Jorge e Alexandre Veras
- Partida (2006, 15') de Luiz Carlos Bizerril, Alexandre Veras e Ernesto Gadelha
- Marahope 14/07 (2007, 15'), de Paulo Caldas e Alexandre Veras
- O Regresso de Ulisses, de Alexandre Veras (2008, 20’)
- Os Tempos, de Andréa Bardawil e Alexandre Veras (2009, 15’)


- Solo#1, de Paulo Caldas e Alexandre Veras (2010, 10')
Local: Auditório CCBNB Cariri

18h - Milena Codeço (RJ)
Espetáculo: Brevíssimo inventário de memórias
20min - livre
18h30 – Cia Independente (CE)
Espetáculo: XX YY ZZ, Kairós – o tempo indeterminado
40 min - livre
Local: Teatro CCBNB

20h – Esther Weitzman Cia de Dança (RJ)
Espetáculo: O que imagino sobre a morte
72 min - livre
Local: Teatro Patativa do Assaré – SESC Juazeiro

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Dia 09 de Abril – SÁBADO

9h30 - Oficina de Dança Flamenca – Graça Martins(CE)
Local: Associação Dança Cariri

14h - Debate: Gestão para a Dança.

Convidados:  Fabiano Carneiro (Funarte), Andrea Bardawil

Graça Martins, Cláudia Pires, , Jota Junior - 120 min
Local: Auditório CCBNB Cariri

17h - Silvia Moura (CE)
Intervenção urbana: A Cadeirinha
20 min - livre
Local: Praça Padre Cícero, saindo do CCBNB

18h - Marina Carleial (CE)
Espetáculo: Compartir
40 min - livre
Local: Teatro CCBNB

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 20h - Alysson Amancio Cia de Dança(CE)
Espetáculo: Burra, não é nada disso que você está pensando
40 min - livre
Local: Teatro Patativa do Assaré – SESC Juazeiro

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* Programação sujeita a alteração

 

Semana D da Dança 3ª edição
Festival Nacional de Dança do Cariri

Promoção e Realização:

Associação Dança Cariri

através do Prêmio Funarte de Festival de Artes Cênicas FUNARTE 2010

 

Parceiros:

Centro Cultural Banco do Nordeste – Cariri

SESC Juazeiro

Alpendre – Casa de Arte Pesquisa e Produção

Apoio:

Funarte

Ministério da Cultura

Governo Federal do Brasil



Tam e Trip aterrisando em Juazeiro


Depois de confirmada a chegada da Empresa de Aviação Azul em nossa cidade mais duas empresas também se preparam para aterrisar no Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes: a Tam e a Trip. Assim, dentro de pouco tempo cinco empresa de aviação estarão operando em Juazeiro e fazendo do nosso aeroporto um dos mais movimentados do Brasil. Registre-se, por uma questão de reconhecimento, o ingente trabalho desenvolvido para consecução desse objetivo pelo Dr. José Roberto Celestino que desde muito tempo (antes mesmo de ser vice-prefeito) vem batalhando em busca de melhorias para o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, o Aeroporto do Cariri.

Juazeiro antes da independência


 Consta que o padre Pedro, primeiro capelão de Juazeiro, era muito zeloso; cuidava da pequenina população do lugarejo, formada principalmente de pessoas do campo, ensinando-lhes a rezar e a trabalhar. Na época invernosa a população entregava-se aos trabalhos agrícolas; homens e mulheres iam para a roça ocupando-se no cultivo do arroz, milho, feijão, mandioca e algodão. Após a colheita, as mulheres ficavam em casa desenvolvendo trabalhos domésticos e fiando algodão para tecer a roupa dos maridos e dos filhos que elas mesmas costuravam, pois não havia máquina. Os homens se dedicavam aos trabalhos da Fazenda, alimentação do gado, solta das rezes nos pastos, ordenha, vaquejada, desmancha de mandioca, caça, pesca, etc. Todos ali aprendiam o Catecismo, rezavam e trabalhavam sob a orientação do padre que não permitia a promiscuidade e fazia tudo para evitar a discórdia entre os habitantes. Foi assim, nesta atmosfera de paz e tranquilidade, que viveram os primeiros habitantes de Juazeiro de 1827 a 1833, quando faleceu o padre Pedro cercado do respeito e amor de todos que o conheceram. As festas mais concorridas, além das religiosas, eram os casamentos. Eram feitos com grande animação: três dias de festa antes do casamento na casa do pai da noiva ou de outra pessoa que o representasse e três dias na casa da família do noivo, após o casamento; depois destes festejos todos, o noivo tinha o direito de levar a noiva para casa.
Os padres que o substituíram na Capelinha eram também zelosos e piedosos. O povoado ia crescendo; novas casas foram construídas, sempre localizadas em torno da Capela e ao longo das proximidades da margem do rio Salgadinho. Surgiram, então, os primeiros aglomerados: Cacimba do Povo, Rua do Brejo, Feira do Capim, Mercado Velho, Boca das Cobras, Volta, Salgadinho, Mochila, Comboeiro (Malvas).
Com a chegada do Padre Cícero (em 11.04.1872) como capelão e graças a sua dinâmica atuação, já tão difundida nos livros que tratam de sua vida, o pequeno lugarejo sofreu profundas transformações até chegar ao estado em que se encontra hoje.
O escritor J. G. Dias Sobreira, em seu livro Curiosidades e factos notáveis do Ceará, informa que quando visitou Juazeiro em 1856, o povoado tinha o seguinte aspecto:

O povoado, nesse tempo, compunha-se de umas sessenta casas de taipa, umas cobertas de telhas e outras de palha de carnaúba ou de palmeira. A disposição delas não obedecia à regra natural de arruamento. Logo na entrada do povoado, começavam duas fileiras de casas, sem guardar a eqüidistância, no seu prolongamento. Ao seguir iam elas afastando-se, de modo que, tendo no começo uns vinte metros de largura, terminavam com mais de cem metros  ao chegar à igreja. Não havia  estética nem nexo, naquela formação de arruamento”.    

Porém, em 1909, um documento apresentado à Assembleia Legislativa do Ceará, em apoio ao pedido de autonomia municipal para Juazeiro, encontrado por Ralph della Cava nos Arquivos do Colégio Salesiano, informa que antes de se tornar independente do Crato o povoado de Juazeiro já se encontrava em acelerado ritmo de desenvolvimento, graças à ação do Padre Cícero.  Já possuía uma farmácia, um médico residente, um jornal, várias instituições religiosas, como o Apostolado da Oração, fundado pelo Padre Cícero, um escritório de intercâmbio comercial com a capital e uma instituição civil para cuidar do engrandecimento do lugar. A zona rural de Juazeiro possuía 22 engenhos de açúcar empenhados na produção de rapadura e subprodutos alcoólicos e cerca de 60 locais equipados para preparar farinha de mandioca. Além do cultivo de arroz, feijão e milho, Juazeiro já se destacava na produção de borracha de maniçoba e algodão. Foi Padre Cícero quem introduziu a borracha no Cariri, na primeira década do século XX. E graças ao seu empenho, o algodão, cuja cultura havia sido quase totalmente abandonada, reapareceu entre 1908 e 1911. Ele chegou a comprar uma máquina de beneficiamento de algodão, movida a vapor. A borracha e o algodão foram os principais responsáveis pelo intercâmbio econômico de Juazeiro com o comércio exportador das grandes casas comerciais da capital cearense, especialmente com a firma francesa Boris Frères e a companhia brasileira de  Adolfo Barroso.
Mas o crescimento urbano do povoado foi ainda maior do que sua expansão agrícola. A população do povoado era de 15.050 habitantes. A zona urbana compreendia 22 ruas e duas praças públicas iluminadas a querosene. No setor de serviços havia duas padarias, três barbearias, duas farmácias, quinze alfaiatarias, dezoito escolas particulares e duas públicas, uma tipografia, uma estação de telégrafo, uma agência de correios, um tabelião e uma repartição da Coletoria de Impostos do Estado. 
O comércio pulsava com a realização de uma feira semanal, realizada aos domingos em frente à Igreja de Nossa Senhora das Dores. Existiam dez lojas de tecidos e artigos de armarinho, igual número de armazéns e cerca de 30 pequenas mercearias, bares e lojas de miudezas. Muitos dos comerciantes tinham imigrado para Juazeiro provenientes de pequenas cidades vizinhas e de outros Estados. Mas a atividade econômica principal do povoado provinha de suas indústrias artesanais de onde saíam uma grande e diversificada produção de produtos utilitários e decorativos, além de produtos religiosos. Tudo se desenvolveu tendo em vista atender às demandas de consumo em ascensão e como uma resposta oportuna à incapacidade das limitadas áreas rurais de Juazeiro para absorver os imigrantes nas atividades agrícolas, de imediato após a chegada. Chegando ao povoado, os romeiros, orientados pelo Padre Cícero, trabalhavam na manufatura de vários artigos de uso doméstico confeccionados com matéria-prima local: louças de barro, vasos, panelas, cutelaria, sapatos, objetos de couro, chapéus, esteiras de fibras vegetais, corda, barbante, sacos e outros receptáculos para estocar e expedir gêneros alimentícios. As habilidades manuais do povo e as necessidades do sertão levaram, eventualmente, à fabricação e exportação de instrumentos rurais típicos, tais como, enxadas, pás, facas, punhais, rifles, revólveres, balas e pólvora.
Logo cedo, devido à grande procura de seus produtos, muitos artesãos saíram de suas casas e passaram a produzir em maior escala em oficinas amplas e equipadas de máquinas, localizando-se no centro da cidade para ficarem mais ao alcance dos clientes. Naquela época, o lugarejo possuía 40 mestres-de-obras, 8 ferrarias e 7 oficinas de latoeiro, 15 fogueteiros, 20 oficinas de sapateiro, 2 ourivesarias, 35 carpintarias e até mesmo uma fundição que produzia sinos de igreja, relógios de parede e de torre de igreja destinados à exportação no Nordeste.
Os reflexos do desenvolvimento do povoado estavam bem evidentes nos impostos arrecadados... principalmente para o Crato. Por isso, o desejo de se tornar independente nasceu. (Extraído do livro História da Independência de Juazeiro do Norte, de Daniel Walker)

                                                        Prédio do Orfanato Jesus Maria José


O HOMEM: JOAQUIM BEZERRA DE MENEZES

O major Joaquim Bezerra de Menezes, descendende de tradicional família caririense, foi o pioneiro do movimento em prol da emancipação política de Juazeiro.  Foi em sua residência, no sítio Salgadinho, que se realizou a primeira reunião para tratar da independência do povoado de Juazeiro, em 1907. Em 1910, ele fez outra tentativa, mas segundo noticiou o jornal O Rebate em  sua edição de 25 de setembro de 1910, o prefeito do Crato, Cel. Antônio Luís, “enviou um grupo de cangaceiros armados para terminarem a reunião”.  Depois a liderança do movimento passou para o Padre Cícero e teve o êxito esperado. O major Joaquim tinha grande interesse em se tornar o primeiro prefeito de Juazeiro, mas como não conseguiu seu intento saiu contrariado do povoado e foi morar no Crato. Seu sítio foi depois adquirido por um primo, José Bezerra de Menezes, e hoje pertence a filha deste, professora Maria Alacoque Bezerra de Menezes. Pelo que fez pela independência de Juazeiro o major Joaquim Bezerra de Menezes merece a gratidão da municipalidade, mas até hoje não recebeu nenhuma homenagem por parte do Poder Público Municipal. Esta ingratidão poderia ser  reparada agora quando o município comemora seu centenário. Afinal, a homenagem é justa e merecida, pois foi ele quem teve a idéia de convocar a população juazeirense para lutar em prol da sua independência.

O FATO
16 DE AGOSTO DE 1907.  Circula um boletim conclamando a população do povoado de Juazeiro para “uma reunião cívica, sem cor política” em prol da independência do povoado de Juazeiro (ou Joaseiro como era grafado naquela época) desmembrando-se da tutela da cidade do Crato. O boletim, na verdade, o primeiro documento histórico daquele vitorioso movimento, apresentava o seguinte teor:  

BOLETIM. Ao povo de Juazeiro. Domingo próximo, 18 de agosto de 1907, ao meio-dia, realizar-se-á uma reunião cívica, sem cor política, em casa do prestimoso cavalheiro major Joaquim Bezerra de Menezes, devendo tratar-se do engrandecimento desta florescente povoação. É absolutamente desnecessário declarar que a reunião, visando somente um fim patriótico, deve contar com o vosso franco e decidido apoio, pois em falando-se de melhoramento a este torrão abençoado, tão querido, fostes sempre animado pela chama de um acrisolado patriotismo. É chegado o momento de pugnarmos com alta energia e valor pela nossa elevação social, elevando Juazeiro à categoria de Município, aumentando assim a importância de toda zona do Cariri que bem merece os vossos serviços para chegar ao grau de prosperidade de que é digno. Tenhamos confiança no futuro e podemos aguardar os louros de uma esplendente vitória. À reunião. Juazeiro, 16 de agosto de 1907.

Observação: Há fortes indícios de que o autor do boletim acima foi mesmo o padre Alencar Peixoto, que havia chegado ao povoado há poucos dias. Assim, isto já pode ser considerado como sua primeira contribuição à causa da independência de Juazeiro. A segunda foi a fundação do jornal O Rebate.(Fonte: História da Independência de Juazeiro do Norte, de Daniel Walker)
 Brincadeiras de crianças no meu tempo

Na leitura dos jornais recentes descobri o dia em que se comemora o Teatro - 27 de março -, e isto me fez voltar ao tempo de criança e relembrar os Dramas, uma espécie de brincadeira doméstica a qual muito apreciava. A brincadeira normalmente era praticada no dia do aniversário de alguém da turma ou no período de férias escolares. Primeiro se escolhia o local para a apresentação da peça, ou seja, o palco. Quando se realizava drama em nossa casa, geralmente o palco era improvisado na sala de visita ou no quarto de dormir. A gente colocava uma corda ou barbante pregado com prego na parede ou armador e por cima jogava um lençol. Cadeiras eram postas na frente da empanada para acomodar a plateia. O horário habitual era às  7:00 da noite, e não 19h como se diz hoje em dia. O Drama trazia apresentação de peças como “João e Maria”, a “Bela adormecida” etc. Antes da apresentação aconteciam os ensaios, as crianças mais desinibidas eram selecionadas para os papeis principais. Constava também um número ou mais de música, desfiles de misses, a escolha da misse simpatia, misse elegante,   misse Juazeiro, misse Crato etc. Depois de tudo resolvido e ensaiado, copiava-se no papel a programação que ficava assim: 1º número, música , o nome da canção e o nome do candidato; – 2º número, peça teatral; – 3º número, desfile das misses;– 4º número, discurso de parabéns – 5º número, jogral, aprendido na Escola. Nesta brincadeira de Drama não era permitido a entrada dos meninos, e por isso meus irmãos e primos ficavam furiosos e ficavam o tempo todo infernizando a nossa brincadeira. Antes do início da encenação o apresentador puxava o lençol que servia de cortina e dizia assim: “Silêncio, o espetáculo já vai começar”. Todos prontos em cena daí começava a chamada para a apresentação. Os aplausos, os gritos e assobios surgiam. Algumas atrizes (meninas) ficavam enraivecidas e encabuladas e não queriam mais se apresentar, mas o diretor, no caso eu, as repreendia e exigia que assumissem suas responsabilidades, dizendo: “Você aceitou agora tem que ir”. E assim a resistência caía por terra e o desejo de brilhar era mais forte, e então a arte cênica fluía. Nestas noites de dramatização íamos dormir um pouco mais tarde, pois o costume imposto por nossos pais era deitar às 7:30 da noite. Quando o Drama era em comemoração ao aniversário de alguém da patota, havia distribuição de presente ao aniversariante, geralmente bem simples como um sabonete Gessy ou Lifebuoy, embalado com papel de seda, uma caixa de lápis de cores, bombons ou chicletes, porque a grana era bem minguada. É bom que se diga que aí, sim, eram brincadeiras sadias que nos divertiam demais, e nos levavam para cama esbanjando felicidade.
 A foto acima mostra um cenário usado na realização dos dramas  e as de baixo os sabonetes citados no texto em suas embalagens da época.

 E-MAILS RECEBIDOS
- Amiga Tereza e amigo Daniel: Fiquei feliz quando foi abordado a nossa querida feirinha da Rua São Pedro e a minha queirida Irani e dona Laura, sem esquecer do seu filho que muito andou pela pracinha do Socorro. Chumbo era o seu apelido, foi meu amigo de iinfância depois de adulto sumiu, estive com Irani quando recordamos muitas coisas boas, estes ícones sem muita leitura fazem de Juazeiro uma metrópole diferente. Quantas vezes,0eu, Jorge Marques e Zé Balbino não íamos comprar amendoim, bolo de puba, cocada lá em dona Laura. Agora fui surpreendido com esta memória dos tempos de criança, a fotografia com a Bandeira do Brasil lá no Grupo Padre Cícero, o Globo terrestre e um número revelando a série que cursava, fiz da minha um grande quadro e coloquei em várias salas de minha pequena Clínica em Salvador que é uma pequena réplica do Juazeiro em fotografias e histórias. Tenho com auto estima estas homenagens feitas aos grandes Juazeirenses. Nestas postadas fotos lá está o meu irmão João, baluarte desta Associação que vigora até os dias de hoje em Fortaleza, trazendo união e proporcionando belos encontros, altos bate-papos e boas lembranças de cada detalhe da nossa Juazeiro. De parabéns a comunidade Juazeirense, de parabéns Daniel Walker que com esforço e dedicação consegue agregar toda uma comunidade. Um abraço forte do amigo e o mais Juazeirense dos Juazeirenses que vivem noutras plagas. Eu,  Iderval Reginaldo Tenório, Salvador, BA.
acessem o blog. http://www.iderval.blogspot.com
Resposta: Dr. Iderval, é tão gostoso reviver tempos e épocas vividos. Continue participando e enviando novidades acatarei as sugestões com muito prazer.
- Sempre leio o seu  artigo  de recordações. Vendo as fotos das crianças, lembrei-me que alguns pais faziam uma pirâmide de latas de leite Ninho e colocavam a criança perto. Acho que era para mostrar que a criança era saudável pela alimentação da Nestlé. Continue recordando para o nosso cérebro não enferrujar. Beijos, Tereza Fátima, Juazeiro,CE.
Resposta: Oi Tereza Fátima, sabe vi muito destas fotos. Tem fundamento a sua argumentação, com certeza os pais queriam mostrar que os filhos alimentados com os produtos Nestlé gozavam de mais saúde. Alimenta o nosso ego saber que a nossa coluna está trazendo benefícios para a memória e para as emoções.