sexta-feira, 5 de agosto de 2011


Joaseiro centenário - Por Audifax Rios

A cidade crescia, suplantava Barbalha e mesmo o Crato, urgia aumentar também o tamanho das imagens minúsculas que infestavam as feiras livres
  Naquele tempo o romeiro chegava a Joaseiro motivado pela fé num Deus remoto, a esperança na cura de alguma mazela corporal ou ameaçado pelo pagamento de promessa por graças alcançadas a custa de muita reza, muitas delas no terreno espiritual: caso de amor, volta de ovelha desgarrada, ódio entre famílias. Mais tarde vieram para tomar a benção ao santo Cícero Romão, o mágico que fizera brotar da boca da beata o sangue puro do Senhor que viria regar os corações dos homens endurecidos.
  Destronado do seu púlpito, o Padrinho continuava de braços abertos, desta feita na janela da casa humilde. Ditando as corriqueiras palavras confortadoras, os mesmos sábios conselhos, os repetidos carões e ensinamentos para que os homens não se afastassem da trilha do bem e dos ditames da religião. Os romeiros continuavam deixando o parco dinheirinho pelo rastro dessa procissão e cada toco de vela, cada pavio de candeia que inflamava na escuridão da noite era como que uma faísca de ouro na economia emergente.
  Operários artesãos, imaginários, corriam para o Juazeiro do Norte, a nova Canaã ou o novo Eldorado. Quem não sobrevivia da arte e da religião ganhava o pão de cada dia oferecendo comida, alugando dormida, cortando roupa, fazendo cabelo, vendendo medalha e cordel... e os centavos corriam de mão em mão, muitos deles esbarrando nas sacolas da Capela ou nos cofrinhos do santo Horto.
  Chegada a hora, a pequenina figura do taumaturgo deixou de vez o chão dos homens em 1934, quando fechava os noventa anos, porém a romaria fez foi crescer nos arredores da capela do Socorro onde seu corpo foi sepultado. E as histórias dos milagres correram o sertão, multiplicaram-se, aumentando mais ainda o prestígio do velho pároco afastado convenientemente de Deus pela cúpula da Santa Madre. Para o romeiro isso nunca importou, o que valia era sua benção, era a voz de um santo eleito para o altar da verdadeira fé, sem castiçal de ouro ou paramento filigranado.
  A cidade crescia, suplantava Barbalha e mesmo o Crato, toda circunvizinhança, urgia aumentar também o tamanho das imagens minúsculas que infestavam as feiras livres, habitavam os oratórios residenciais, entronizavam nichos das casas de comércio. E eis que surge a ideia de um monumento gigante, arrogante, que fosse visto de todo o vale, em todas as veredas por onde caminhava a leva de desesperados. E da pedra fez-se o santo que domina o alto do Horto, uma ideia do então Secretário de Turismo, Aldemir Sobreira, lá pelos idos de 1967. Geratriz de um outro ganha-pão, a foto onde o romeiro posa com a mão do santo sobre a sua cabeça, quer proteção maior?
  Hoje, com cem anos de existência, Juazeiro não é apenas a Meca do Cariri, palco de reza e latomia, para onde aflui imensa legião de penitentes. A motivação vai mais além: o trabalho, a estudo, o turismo. O visitante de Juazeiro não é, atualmente, apenas o romeiro de sandália rota; as veredas ganharam fitas negras de asfalto e lá no alto a pomba da paz e o divino Espírito Santo cruzam com velozes aviões de carreira. O céu, onde espocam foguetes comemorativos nos novenários, habitados por abutres sequiosos nos tempos de miséria e morte é cortado por rotas aéreas, asas deltas e o clarão que espirra do luzeiro plantado no caminho do memorial da colina sagrada.
  A cidade de Juazeiro do Norte ora marca cem anos de emancipação política, teve como primeiro prefeito o mesmo cidadão que dirigia os destinos da Igreja e que estaria, fosse vivo, comemorando cento e sessenta e sete anos de idade. Ainda hoje domina com seu sereno bastão. Padre Cícero Romão Batista, pajé e cacique. (www.opovo.com.br)

Esqueceram de mim 2

Com respeito a noticia postada neste blog com o título Esqueceram de mim 2, sobre o monumento da eletrificação do Cariri, recebemos da Coelce a seguinte nota:

NOTA
 Referente à nota “Esqueceram de mim 2” publicada no Blog Juaonline, a Coelce esclarece que o referido monumento é de responsabilidade da Prefeitura de Juazeiro do Norte.
 Gerência de Comunicação – Coelce
(85) 3453.4883 / 3453.4045


Nota do Editor: Aí está, pois, uma excelente oportunidade para que a Prefeitura coloque o monumento dentro do projeto Identidade Centenária, cuja concepção artística foi feita pela arquiteta Gisele Menezes, mostrada na foto abaixo:
  

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Leia no www.historiadejuazeiro.blogspot.com uma matéria escrita por Aderson Borges de Carvalho sobre a I Feira Industrial do Cariri, um dos maiores empreendimentos já realizados no Cariri.

Tombamento deve ser concluído em julho de 2012

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Processo de tombamento da estátua do Padre Cícero foi iniciado. A intervenção realizada recentemente foi algo simples, mas o Iphan alerta que novas têm que ser estudadas
ELIZÂNGELA SANTOS
Técnicos do Iphan e UFC estiveram em Juazeiro para os primeiros levantamentos técnicos do tombamento
O processo de tombamento da estátua do Padre Cícero, na Colina do Horto, poderá ter avanços nos próximos meses. É que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) está fazendo levantamentos de todos os dados necessários para isso ocorrer. Há também a possibilidade de tombamento da Casa dos Milagres, próximo à Capela do Socorro. Há a intenção de que o processo de tombamento esteja concluído até julho do próximo ano, aproveitando o momento da finalização do centenário da cidade de Juazeiro.
Por estar em processo de tombamento não poderão ser feitas intervenções físicas na estátua. No último dia 20, foi realizada reinauguração do monumento de 25 metros, que passou por uma restauração na parte externa. O padre José Venturelli, administrador do Horto, já manifestou a ideia de que seja feita a reforma dentro da estátua e sejam abertas pequenas portas e janelas na parte detrás da estátua e na frente. Além disso, que o interior da estátua sirva de atração turística para os romeiros terem a oportunidade de conhecer por dentro o monumento. São intervenções, conforme o Iphan, que precisam ser bem estudadas do ponto de vista técnico, já que não foi construída com essa finalidade.
Segundo a superintendente do Iphan no Estado, Jussara Teixeira, que há três meses assumiu o órgão, é importante todos os levantamentos, como forma de fundamentar a importância da estátua. Conforme a superintendente, há todo um contexto que envolve as manifestações populares no entorno, destacando a figura do ícone, o Padre Cícero. Técnicos do Iphan e Universidade Federal do Ceará (UFC) estiveram na região para os primeiros levantamentos técnicos. Isso inclui desde dados da estátua a romarias realizadas na cidade.

AuxílioPara Jussara, ainda há poucas informações relacionadas ao Santo Sepulcro e o Museu Vivo Padre Cícero. Sobre esses locais, há apenas levantamentos iniciais. Ela afirma que vem recebendo auxílio significativo de Brasília. "Estamos fazendo essa costura de dados. São fragmentos que vão tornar um conjunto de manifestações", enfatiza. Os dados vão fazer parte do Inventário Nacional de Registro Cultural (INRC), incluindo também outras manifestações.
MAIS INFORMAÇÕES
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan-CE)
Rua Liberato Barroso, 525 - Praça José de Alencar, (85) 3221.6263/322163.60


Elizângela Santos - Diário do NordesteRepórter

Guarani de Juazeiro e Limoeiro ficam no 0 a 0 pela Copa Unimed

Jardel Pereira
FUTNET
Pela primeira rodada do grupo B da Copa Unimed Fortaleza de 2011, o Guarani de Juazeiro empatou com o Limoeiro pelo placar de 0 x 0, na noite desta quarta-feira. A partida foi realizada no estádio Romeirão, em Juazeiro do Norte-CE. O jogo foi bem movimentado com as duas equipes pecando na hora da finalização, com isso, a igualdade não foi alterada apesar das inúmeras tentativas de ambas as equipes. Com o resultado, os dois times somam um ponto na competição, o outro time do grupo é o Icasa que só estreará na próxima rodada.
A partida de estreia do Verdão será o clássico do Cariri contra o Guarani de Juazeiro, o jogo acontecerá na próxima quarta-feira, às 20h15, no estádio Romeirão, em Juazeiro do Norte-CE. Já o Limoeiro só volta a campo contra o Icasa, no domingo, 14, às 16h, no estádio Bandeirão, em Limoeiro do Norte-CE.(http://www.futnet.com.br)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ministra Hellen Gracie estará em Juazeiro do Norte para seminário de direitos da mulher

A ministra Hellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), será a presidente de honra do Seminário (Foto: Divulgação / STF)  
A ministra Hellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), será a presidente de honra do Seminário (Foto: Divulgação / STF)
Juazeiro do Norte vai receber o 1º Seminário Internacional de Direitos da Mulher nos próximos dias 11 e 12 de agosto. Segundo o Tribunal de Justiça, o evento é em comemoração pelo Centenário do Município e pretende debater as causas e buscar soluções preventivas e punitivas para o combate à violência contra a mulher.
A programação terá início às 16h30 do dia 11, no Memorial Padre Cícero. A ministra Hellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), será a presidente de honra do seminário. A condução dos trabalhos caberá ao desembargador Nelson Calandra, presidente da AMB. A primeira-dama do Estado, Maria Célia Habbib Moura Ferreira Gomes, participará na condição de patronesse do evento.
Durante os dois dias, serão proferidas palestras abordando o histórico, os aspectos, as consequências e as ações contra esse tipo de violência. Ao final, será prestada homenagem à Maria Alacoque Bezerra, primeira senadora cearense.
Foram disponibilizadas 300 vagas para magistrados, membros do Ministério Público, advogados, delegados, agentes de polícia, profissionais de saúde, técnicos dos Governos Federal, estadual e municipal, defensores públicos e membros de ONGs que atuam no combate à violência contra a mulher, além de universitários.
O seminário é uma promoção da Secretaria de Assuntos da Mulher Magistrada, da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que tem à frente a desembargadora Sérgia Maria Mendonça Miranda, do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Conta com a parceria da Associação Cearense de Magistrados (ACM), presidida pelo juiz Marcelo Roseno, e do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Juazeiro do Norte, cujo titular é o juiz José Mauro Lima Feitosa.

Serviço
Inscrições pelo site
Outras informações pelo e-mail: violenciacontramulher@direitoce.com.br
Telefone: (85) 9917.1290

Redação O POVO Online

Um novo olhar - Por Sávia Maria Ferraz Vieira da Cunha


Um novo olhar

    Em minha pequena cidade pairava no ar um forte cheiro de tabaco. Especialmente na época das visitas dos romeiros. Por todas as estreitas ruas e vielas, aglomeravam-se caminhões carregados de pessoas simples, com sandálias de couro, roupas pretas imitando batinas, rostos curtidos pelo sol, andando e falando alto, sempre em grupos, de modo que tínhamos que andar pelos calçamentos tal o aglomerado de gente com sotaques variados. Era uma festa  ter tanta gente em volta e ao mesmo tempo  provocava no íntimo um certo desconforto. Parecia que o calor forte tornava-se mais intenso assim como o forte cheiro de fumo. Andavam sempre em grupos e durante todas as horas. De dia e de noite. Pareciam nunca dormir. Quando sossegavam, armavam suas redes  e iam para  as calçadas, acocorados, tentando livrar-se do calor, consumidos por uma ansiedade  em sentir o clima e o odor da cidade santa. Ficavam em ranchos improvisados, sem nenhuma comodidade   para  os corpos  já cansados das longas horas de viagem. Nem reclamavam!
     Alguns já vinham pagar promessas feitas e alcançadas. Dirigiam-se ao túmulo do Padre Cícero onde até choravam  comovidos e emocionados! Caminhavam com o sol a pino no passeio das almas com a expressão de quem estava prestes a subir aos céus!
 Nas expressões sofridas de gente simples, havia sempre um agradecimento muito formal na maneira de se portar diante de  um simples copo com água concedido, ou de uma informação. Pareciam realmente acreditar que se encontravam na Cidade Santa. Talvez em sua ingenuidade  coletiva acreditassem que nós éramos privilegiados por estarmos ali. Percorriam com ansiedade o velho caminho do horto onde julgavam, com o sacrifício da longa e íngreme caminhada, expiar as suas culpas!
    E nós, simples e complicados adolescentes, observávamos aqueles estranhos seres como se fossem de outro planeta. Chegávamos  a rir das suas roupas, do jeito estranho de se comportarem. Nós nada entendíamos sobre a fé, a esperança e a caridade.
   Ao final da romaria, nos reuníamos na calçada para contarmos o número de caminhões que saíam da cidade. Eles passavam agitando as mãos num sinal de despedida e  correspondíamos aos seus acenos achando tudo muito engraçado. Nem nos passava pela cabeça que quando respondíamos aos seus acenos, eles se sentiam felizes a acolhidos pela cidade. Uma cidade na qual faltava água e talvez fosse esse o motivo do forte cheiro que impregnava o ar.
    Nem suspeitávamos do grandioso sacrifício que eles faziam para chegar  até ali. Para nós, o máximo do sacrifício era acordar cedo e ir à escola.
Em sua fé serena e simples encontravam o consolo para as secas, o salário miserável, seus problemas de saúde e  a ausência do olhar do poder público. Afinal eles eram um público diferenciado. Não representavam votos.
    Hoje, permanece ainda  em minha cidade o forte cheiro de tabaco com  o mesmo velho  e implacável sol. As ruas ainda não se alargaram, as pessoas continuam se apertando para passar. Ainda falta água. Os esgotos escorrem a beira das estreitas calçadas.
Mudou apenas a nossa cabeça. Olhamos diferente e com carinho  para as faces enrugadas pelo sol. Sentimos um respeito  silencioso por todos os que vêm, com uma fé inabalável e a esperança de novos milagres.
     Em mim, o grande milagre foi ter  aprendido a amar essas pessoas tão diferentes, e ter a vontade de acolhê-las e de confortá-las fazendo-as enfim acreditar que os milagres verdadeiramente acontecem sim, em Juazeiro do Norte pois essa é a Cidade Santa   que eles vieram  buscar e a santidade  está pura e simplesmente em nosso novo olhar...

Sávia Maria Ferraz Vieira da Cunha. Assistente social-gerontóloga.




COMENTÁRIO

       VIVA O MEU PADIM  -OBRIGADO SÁVIA FERRAZ
   Queridos do Juazeiro do Norte, vejam a profundidade de quem sabe o que  fala, vejam a firmeza de quem conhece, vejam a humildade e a sabedoria de um ser humano que evolui e evolui  social e filosoficamente, vejam o sentir, o sabor, o cheiro, o tato e a alma quando aborda com profundidade, com  sentimento d’alma e sem o apaixonado discurso de conformação com a situação desta Meca, deste torrão.
  Numa dissertação pura, numa colocação palatável, a querida mestra Sávia soube mergulhar e encantar quem às suas palavras tem e teve  acesso. Para os que nasceram, viveram ou moraram na Juazeiro de ontem enxerga e adota as palavras desta querida escritora como suas .
  Fecho os olhos e me enxergo como criança e diante de suas palavras sinto o cheiro do meu povo romeiro, do meu povo usuário do Rosário da Mãe de Deus, do povo que mesmo passando fome comparecia e comparece para matar a fome dos que vivem da Juazeiro indústria e da Juazeiro comércio, para alimentar os comerciantes, os serviços e as indústrias da região. Sinto-me confortado com estas palavras e também confirmo: SÓ PODE SER MILAGRE.
Repetindo o grande e  maior compositor vivo do mestre Luiz Gonzaga, o mestre pernambucano de Arco Verdes  do alto dos seus 76 anos JOÃO SILVA.Repito e repito: 
VIVA O MEU PADIM
 J0ÃO SILVA
Olha lá
No alto do morro
Ele está vivo
O padre não tá morto...............bis

Viva meu Padim
Viva meu Padim
Cícero Romão
Viva meu Padim
Viva também
Frei Damião

Eu todos os anos
Setembro e Novembro
Vou ao Juazeiro
Alegre e contente
Cantando na frente
Sou mais um romeiro

Vou ver meu Padim
De bucho cheio
Ou barriga vazia
Ele é o meu pai
Ele é o meu santo
É minha alegria

Olha lá
No alto do morro

Ele tá vivo
O padre não tá morto..........bis

   Eu agradeço a oportunidade dada por Daniel Walker e Renato Casimiro, baluartes desta terra  de ter acesso e guardar para a eternidade este feliz comentário da Sra, Amiga, Mestra, Querida, Professora e seja o que o Romeiro lhe chame Sávia Maria Ferraz Vieira da Cunha.
DAQUI AGRADECE IDERVAL REGINALDO TENÓRIO.
ACESSEM UM BLOG CULTURAL
http://www.iderval.blotspot.com