sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A MEMÓRIA DE SEU POVO (II)

Recebi do leitor atento, José Desidério Ferreira, o seguinte e-mail: “Como conterrâneo seu, estou sempre acompanhando "pari passu" tudo que ocorre em nossa querida Juazeiro. Fico feliz, com seus comentários não tendenciosos, quando se tratam da política local, e do gerenciamento da "coisa pública" por parte das autoridades constituídas. Bem, mas o comentário que eu estou a fazer, é sobre aqueles tipos exóticos, (eu não os considerava doidos varridos) e sim, alienados mentalmente, desprotegidos de todos e de tudo. Em " A Memória de seu Povo", o sr. diz que pode até se esquecer de alguns personagens, que de qualquer forma fizeram  "historia" de nossa urbe. Sim e muitos deles, eram pessoas (apesar de suas desditas na vida) alegres e inofensivas. Lembra-se de João do Avião ou mais conhecido de "João Remexe Bucho"? Pediu-me ele uma revista que tivesse fotos de avião. Pois bem. Cumprindo eu o prometido, dei a ele uma revista, porém não tinha o que João Remexe Buxo queria, ou seja as fotos de avião. Ora, enquanto viveu, não podia me ver, se dirigia a mim c/a voz muito baixo e suplicante dizia:"CADÊ A MINHA REVISTA DOS AVIÕES QUE O SR. SEU JOSÉ, ME PROMETEU?" Perambulava pelas praças e ruas, açambarcando pesado fardo de papelões, jornais e revistas das quais fazia miniaturas de pequenos aviões. Era inofensivo. Para não ser prolixo, quem de nós, das décadas de 50, 60 e até 70, não se lembra de "Cutia", cuja mania era passar horas a fio penteando os cabelos.? E  "Macaúba"? E o beato  da Cruz, um velho penitente, do nosso tempo de menino? Gostei prof. da sua frase:"Desconfie de quem não tem SAUDADE, POR ACHAR QUE JÁ FEZ DE TUDO..." Receba meu abraço amigo.”
Por isso mesmo, me apresso em dar continuidade a este tema, o que me leva a mostrar-lhes mais alguns flagrantes de suas ruas. E retomo exatamente com João Remexe Bucho. Só por curiosidade, e a propósito desta figura impar, relembro algumas particularidades de seu comportamento. 1. Era pacato, mas quando provocado reagia indignado; 2. Tinha esta paixão enorme por avião, e tudo que arranjava, dentre papeis, papelões e pedaços de madeira, era para construir um; 3. Perambulava pela cidade sempre bem carregado com esta tralha; 4. Quando lhe davam alimento ou algum dinheiro, sempre dizia que era “para mãe” (nunca se soube ao certo quem era, mas tinha esta grande lembrança filial). As fotos que estamos usando foram do arquivo que adquirimos, de um bom fotografo e observador de nossas cenas urbanas: Raymundo Gomes de Figueiredo. Infelizmente, não temos fotos de todos estes personagens de tantas lembranças. No momento é possível divulgar uma lista (incompleta) dessas figuras populares inofensivas que fizeram e fazem parte do cenário urbano juazeirense:  Príncipe Ribamar da Beira Fresca, Doca, Papa figo, Frei Sabugo, Macacaiu, Pelônia,  Ai, ai, meu Deus, Mane gostoso, Macaúba, Três cocos, João Remexe-buxo, Pibite, Carlinho doido, Gato, Evangelsita, Tetê, Pão de milho, Tau-tau, Cangalha, Bacurim, Amaral, Baiano inglês, Canarinho, Nena, Janja, Antônio doido, Fura manga, Diplomata, Cutia, Raimundo doido, Vicença, Heleno, Pedro birro, Burra cega, Biscoito, Silêncio, Fubá, Gelé, Tota, Garapa, Guaxinim, Maria bafafá, Quitéria, Miguel,  Adélia. Quem se lembra de outros?





quinta-feira, 3 de novembro de 2011

ÂNGELA DE FIGUEIREDO E ALBUQUERQUE MATTOS, DRA.
Angela de Figueiredo e Albuquerque Mattos é filha de Jefferson de Albuquerque e Sousa e Letícia de Figueiredo e Albuquerque. Nasceu em Crato, em 19 de abril de 1946. Ela éa neta de José Alves de Figueiredo, poeta e escritor, ex-prefeito do Crato, pai de J. de Figueiredo Filho, portanto Ângela é sobrinha de J.de Figueiredo Filho, irmão de sua mãe Letícia de Figueiredo e Albuquerque. São seus irmãos: Diana de Albuquerque Pierre, Eleonora de Albuquerque Batista, Jefferson de Albuquerque Júnior, Ronald de Figueiredo e Albuquerque, Maria Cristina de Figueiredo e Albuquerque e Antônio José de Figueiredo e Albuquerque. Ela viveu a sua juventude no Cariri, na família, residindo no Crato. O curso secundário foi cumprido entre Crato (Colégio Santa Teresa) e Fortaleza (Escola Normal Justiniano Serpa). Depois, sua família se transferiu para uma aprazível morada à margem da Av. Leão Sampaio, no local em que o seu pai, Jefferson Albuquerque batizou como CRAJUBAR. Ele fez os seus estudos superiores em Fortaleza, cursando a Faculdade de Serviço Social, da UFC. Angela casou com o engenheiro Paulo Lincoln Carneiro Leão Mattos. Ambos militaram no movimento estudantil em Fortaleza, e durante a ditadura foram acusados de fazerem parte do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Paulo e Angela ficaram presos de 24 de novembro a 17 de dezembro de 1970, quando foram barbaramente torturados. Após serem soltos, buscaram refúgio no Chile, em março de 1971. No Chile nasceu sua primeira filha, Daniela. Em 1974, foram para a Alemanha, onde nasceu seu filho Adriano Lincoln, na cidade de Colônia. Retornaram ao Brasil no fim de 1977. No Chile e na Alemanha, Ângela fez curso de especialização em Sociologia. Moraram em Recife (PE) até o falecimento de Ângela, em 24 de abril de 1980. Seu marido e os filhos retornaram a Fortaleza (CE) e Paulo Lincoln foi readmitido pela empresa estadual de energia elétrica (COELCE). Quando da conquista da Anistia Política, Paulo Lincoln e Angela (in memoriam) foram anistiados. No exílio, viveram por nove anos.
Para dizer um pouco mais sobre sua curta existência, transcrevemos o depoimento de Jefferson de Albuquerque Júnior (in Vida e Obra de Jefferson de Albuquerque e Sousa – Cavalheiro renascentista do Cariri, 2010): “Quando adolescente, igual a qualquer outro, daqueles que as irmãs um pouco mais velhas, mas se sentindo adultas, achavam um garoto chato, tinha uma tarefa de ir à Praça Siqueira Campos acompanhar Ângela, irmã, um ano e sete meses mais velha que eu, já bem vaidosa e “ispilicute”, dando os primeiros flertes no rodear contínuo em volta da praça. O Cine Cassino funcionava à toda, e meu interesse na praça era o cinema, onde não perdia uma chanchada ou as novidades do Cinema Novo Brasileiro e os da Nouvelle Vague francês, ou os filmes italianos, os neo realistas e as comédias românticas sem perder também os de Sarita Montiel, Joselito e Marisol, entre um filme de cowboy e outro. Enquanto isso, minhas irmãs volteavam na praça. Os rapazes em pé, parados e as meninas a rodar... rodar... flertar. Ângela era uma delas. Quem diria que aquela jovem teria uma vida cheia de emoções e tão curta! Do Crato foi estudar em Fortaleza, fez Assistência Social, se engajou no movimento estudantil, conheceu o Paulo Lincoln, mas sabíamos que nunca mais conviveríamos tanto com ela. Fui morar em Salvador e ela em Fortaleza... Lutou contra a ditadura, casou, foi presa, torturada (física ou psicologicamente) e exilada no Chile de Allende. Especializou-se em Sociologia. Em 1973 a revi em Santiago, não mais como irmão alienado, como ela me achava nos tempos de secundarista, mas já também engajado na luta contra a ditadura militar, dentro do movimento estudantil, também já preso por esta participação e buscando o exílio, meio hippie. Até hoje me recordo de um passeio num grande parque de Santiago, onde conversamos muito sobre política e outros assuntos, como nunca havíamos conversado antes. Ela morava com Paulo, na Poblacion Calles de Macul. Estava grávida de Daniela. Em 1973 cai Allende e o casal já com a filhinha, parte para novo exílio, agora na Alemanha, na cidade de Colônia. Lá fazia traduções para a revista Scala entre outras atividades de estudos. Tudo parecia melhorar, nasce o Adriano Lincoln, daí a pouco vem a anistia e nossos pais realizam o sonho de ver a filha, o genro e os netos de volta ao Brasil. Nesta época eu morava em São Paulo. Angela, Paulo e as crianças vão morar em Recife. La participa da fundação do Centro de Estudos e Pesquisas Josué de Castro, com toda a empolgação e idealismo que lhe era peculiar. Em um negro dia sofre o que parecia ser um simples acidente de carro e uma semana depois desencarna. Venho de São Paulo para Recife num vôo noturno da Transbrasil, interrompendo as filmagens de “Eles não usam Black-tie”, do qual era cenógrafo. Sua partida prematura, aos 34 anos, deixou toda a família e amigos consternados. Seus ideais e exemplo permanecem para todos nós. Juazeiro do Norte a homenageou com o nome da rua que divide esse município com o de Barbalha. Rua Ângela de Albuquerque Mattos. O Crato esqueceu esta ilustre filha, uma das mais brilhantes, que teve em sua adolescência a Praça Siqueira Campos como cenário dos seus primeiros flertes.”
Homenageada pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte através da Lei nº 1173, de 29 de novembro de 1985, com a denominação de Rua Dra. Ângela de Albuquerque Mattos. Segundo Mário Bem, esta rua é “a primeira paralela Sul à Rua Luciano Torres de Melo, com início na Av. Dr. Leão Sampaio, sentido Leste/Oeste, atravessando os bairros Lagoa Seca e Jardim Gonzaga”. Veja as posições indicadas no mapa (Mário Bem) e através da imagem de satélite (Google Earth). 


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Secretaria de Turismo faz avaliação positiva da Romaria de Finados

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    A Romaria de Finados ou da Esperança, como vem sendo chamada ultimamente, terminou nesta quarta-feira ganhando indicativos de ter sido uma das maiores e  dos últimos tempos. Essa avaliação positiva foi feita pelo Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, para quem os peregrinos se espalharam por quase toda a cidade. 
    Outro aspecto ressaltado pelo titular da SETUR foi a tranqüilidade na área policial com poucas ocorrências no período. Para ele, a própria desocupação de ruas centrais ajuda no sistema de segurança com maior mobilidade dos responsáveis. Já a temperatura amena contribuiu com a peregrinação e o setor de saúde não registrou óbitos de romeiros o que sempre ocorre nesse período. Ao dispor dos fiéis, o município instalou 80 banheiros químicos em pontos estratégicos e sempre higienizados.
   A visitação ao Memorial Padre Cícero também registrou incremento com quase 10 mil pessoas circulando pelo museu. Da mesma forma, o túmulo do Monsenhor Murilo de Sá Barreto foi bem visitado e ganhou muitas coroas de flores. Uma equipe da SETUR distribui com os romeiros cerca de 10 mil exemplares do livreto “Uma Boa Conversa com Padre Cícero”, cuja reimpressão foi determinada pelo prefeito Manoel Santana. Para conhecer de perto a romaria, vinte alunos do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense estiveram em Juazeiro e ficaram impressionados com as manifestações de religiosidade popular em torno do Padre Cícero. (Demontier Tenório)
 

Seminário Empreender chega ao Cariri na próxima sexta-feira

Com o propósito de levar informações sobre inovação, capacitação e ver de perto experiências das micro e pequenas empresas do Cariri, o Seminário Empreender Ceará chega a Juazeiro do Norte na próxima sexta-feira, 4, no Memorial Padre Cícero.

Nesta edição, participam como palestrantes, o senador e líder do Governo Federal no Senado, José Pimentel (PT) e o secretário de Cidades, Camilo Santana (PT).

Pelo segundo ano consecutivo, Juazeiro do Norte receberá o evento voltado para assistência técnica aos empreendedores da região. Estão programadas palestras e oficinas que darão aos participantes condições de aproveitarem melhor os recursos para montar ou mesmo aperfeiçoar os seus negócios.

De acordo com o coordenador geral do evento, jornalista Nazareno Albuquerque, o tema deste ano é voltado para a inovação e assistência técnica às MPES, com a inclusão tecnológica e o associativismo.

Ajuda especializada

O Empreender surgiu para fortalecer as políticas públicas do Governo Federal voltadas para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Estado do Ceará, reduzindo os índices de mortalidade das micro e pequenas empresas nacionais.

Este é o quinto ano consecutivo do maior seminário, que é realizado pelo Grupo de Comunicação O POVO, em parceria com importantes instituições governamentais federais e locais voltadas para o incentivo, desenvolvimento e capacitação de micro e pequenos empreendedores do Estado do Ceará (Sebrae), Conselho Federal de Contabilidade, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Governo Estadual e Prefeituras Municipais.
Fonte: http://www.opovo.com.br/



PRIMEIRA TESE... A aluna Teresa de Jesus Pinheiro Gomes Bandeira Tereza ( juazeirense, filha de Diva Pinheiro Gomes, grande benemérita desta cidade por largos serviços de promoção humana, e de Manoel Gomes, empresário do ramo farmacêutico dos mais estimados)  fará a defesa da primeira tese de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia Médica, vinculado ao Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Será sexta-feira (4.11), às 9:00h, no Auditório Paulo Marcelo Martins Rodrigues, daquela Faculdade, à Rua Alexandre Baraúna, 949 – Bairro de Rodolfo Teófilo, Fortaleza – CE. Com orientação do Prof. José Júlio da Costa Sidrim, a aluna Teresa de Jesus Pinheiro Gomes Bandeira desenvolveu o trabalho "Caracterização Fenotípica e Genotípica, Sensibilidade a Antimicrobianos, Detecção de Gene de Virulência e Perfil Clínico-Epidemiológico de Burkholderia pseudomallei – Cepas Clínicas e Ambientais". A banca será formada pelos professores Elizabeth de Andrade Marques e Maria Cristina Maciel Plotkowski, ambas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Marcos Fábio Gadelha Rocha, da Universidade Estadual do Ceará; e Raimunda Sâmia Nogueira Brilhante, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da UFC. Tereza de Jesus Pinheiro Gomes Bandeira é médica formada pela Universidade Federal do Ceará, em 1975. Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (2003), tendo defendido a sua Dissertação sob o título: “Ocorrência e Perfil de Sensibilidade a antimicrobianos de bactérias isoladas de lavado brônquico alveolar de pacientes internados em hospitais de Fortaleza no período de Janeiro de 1996 a dezembro de 2001”, sob a orientação do prof. Dr. Jorge Luis Nobre Rodrigues. É Especialista em Patologia Clínica pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (2004). Atualmente, é Consultora Médica do setor de Microbiologia da Diagnósticos da América S.A. (DASA); microbiologista do LabPasteur - DASA e Presidente da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital de Messejana - SESA (Secretaria Estadual de Saúde, CE). Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Microbiologia Clínica e Infecção Hospitalar. Ocupa também o cargo de Professora Universitária da Faculdade de Medicina CHRISTUS e Assessora Científica da Associação Cearense de Estudos para o Controle de Infecções Hospitalares - ACECIH. Participa como representante do Hospital de Messejana da REDE RM de Monitoramento e Prevenção da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde, projeto desenvolvido no âmbito do Termo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Tereza é juazeirense, filha de Diva Pinheiro Gomes, grande benemérita desta cidade por largos serviços de promoção humana, e de Manoel Gomes, empresário do ramo farmacêutico dos mais estimados.
E sobre esta pesquisa empreendida pela Dra. Tereza, leia abaixo uma entrevista que ela concedeu a bioMèrieux (conceituadíssima empresa produtora de reagentes para diagnóstico laboratorial, e que pode ser encontrada no endereço: http://www.biomerieux.com/upload/EntrevistaDraTereza.pdf

Entrevistador: Dra. Tereza, como microbiologista quais são os desafios enfrentados atualmente na sua rotina?
Dra. Tereza Bandeira: O microbiologista dos anos 2000 tem enfrentado um grande desafio no que diz respeito à resistência bacteriana aos antimicrobianos. As bactérias estão cada vez mais hábeis para resistir aos antimicrobianos, e o que é mais grave ainda, em disseminar os mecanismos desta resistência. Nesse sentido, a tarefa do microbiologista é conhecer estes mecanismos de resistência e usar as técnicas adequadas para detectá-los, atualizando-se a cada ano. Este processo exige um amplo conhecimento dos mecanismos de resistência, da farmacologia, dos aspectos topográficos, da evolução da infecção e principalmente uma disposição em discutir estes resultados com as comissões de controle de infecção hospitalar (CCIH). Segundo Rafael Canton a leitura interpretada do antibiograma deve deixar de ser um exercício intelectual de poucos e ser um processo multidisciplinar e universal. Certa vez li numa publicação do serviço de microbiología do Hospital Ramón y Cajal em Madrid que o desafio do microbiologista clínico é usar a combinação de uma avaliação criteriosa da qualidade da amostra, da acuidade dos sentidos, da experiência quando observa uma placa de cultura, da destreza na interpretação de um Gram, e da habilidade em construir um cenário clínico combinando a microbiologia com a clínica. O CLSI publica anualmente em janeiro, as padronizações e atualizações dos testes de sensibilidades a antimicrobianos e com isso nossa rotina é anualmente atualizada. Além disso, devemos ficar atentos a microrganismos emergentes e re-emergentes no cenário da assistência médica. Precisamos ter uma rotina de procedimentos de identificação o mais abrangente possível além de um senso aguçado e o espírito preparado para o “novo”. Vejam por exemplo, o caso da emergência da melioidose no Ceará: nós não estávamos preparados para suspeitar de um novo agente e foi preciso um surto de quatro casos da mesma família para que o alerta nos levasse à identificação da Burkholderia pseudomallei feita na ocasião pela Universidade Federal do Ceará. Hoje, após 11 casos, já conhecemos as características da colônia e temos a facilidade da identificação de B. pseudomallei em 6 horas.

Entrevistador: O que é Melioidose e como emergiu no Ceará?
Dra. Tereza Bandeira: Melioidose, também chamada doença de Whitmore, é uma doença infecciosa grave causada por Burkholderia pseudomallei, um bacilo Gram negativo que não esporula, é ligeiramente curvo, mede 0,5 a 1,0 μm de tamanho e apresenta aspecto bipolar quando corado. A doença apresenta uma grande variedade de formas clínicas, desde infecção assintomática, infecção localizada com ulcera cutânea, abscesso, pneumonia crônica, até choque séptico fulminante com abscessos em múltiplos órgãos. Em 1913, Alfred Whitmore, médico patologista inglês, trabalhando no Laboratório do Hospital Geral em Rangoon, publicou o primeiro relato de caso. Publicações subseqüentes descreveram o agente causal apresentando uma nomenclatura evolutivamente variável até B. pseudomallei proposta por Yabuuchi e colaboradores em 1995. Esta bactéria é considerada pelo CDC (Atlanta, GA-USA) como agente potencial de bioterrorismo devido à viabilidade no ambiente, alta infectividade e virulência. A doença é endêmica no sudeste da Ásia e hiperendêmica no norte da Austrália. No Brasil é considerada uma doença emergente desde o seu surgimento na região nordeste, no estado do Ceará. Esta é a única região do país onde a melioidose tem se manifestado desde 2003 até o ano de 2010, perfazendo um total de 11 casos. Destes, oito casos fatais de melioidose pneumônica disseminada, um caso fatal de abscesso pélvico com sepse, um óbito por aneurisma micótico e um paciente que sobreviveu a uma manifestação febril e linfoadenopática da melioidose. O caso mais recente foi o de um paciente que apresentou abscesso esplênico sem evidencias epidemiológicas de contato com solo e água das regiões anteriormente afetadas, mas teve contato íntimo com o seu filho de 15 anos que faleceu de melioidose pulmonar em 2008. Ou seja, dos 11 pacientes apenas dois sobreviveram a esta doença que aqui no Ceará se manifesta de forma tão grave, ou por outro lado nós só detectamos as formas graves. O Programa de Pós-graduação em Microbiologia Médica na Universidade Federal do Ceará detém todas as cepas e publicou vários trabalhos científicos sobre o assunto. Estamos cursando doutorado neste centro com uma proposta de caracterizar cepas clínicas e ambientais de B. pseudomallei isoladas no Ceará quanto aos fatores de virulência e com objetivos específicos de caracterizar o perfil de sensibilidade a antimicrobianos das cepas ambientais e clínicas de B. pseudomallei através do método de microdiluição.

Entrevistador: Quais os fatores de risco para adquirir Melioidose?
Dra. Tereza Bandeira: Vários relatos de surtos de Melioidose ocorreram no sudeste asiático sempre relacionados à exposição ao solo e a água. Melioidose ocorreu em soldados aliados e japoneses durante a segunda guerra mundial em Burma, na Malásia, na Tailândia e depois da segunda guerra mundial a doença apareceu abruptamente em North Quensland, Austrália. Alguns casos foram ocasionalmente relatados por outros países especialmente no sudeste da Ásia. A manifestação da melioidose durante a guerra do Vietnam mudou a descrição da doença em decorrência do aparecimento de formas crônicas e formas reativadas da doença. Melioidose é uma doença da estação chuvosa, em áreas endêmicas. Afeta principalmente pessoas que têm contato direto com o solo úmido e têm uma predisposição a infecções como acontece com pacientes com diabetes mellitus, doença renal, cirrose hepática, talassemia, alcoolismo, ou aqueles que estão imunodeprimidos, como resultado de uma doença ou tratamento medicamentoso. O número de casos registrados de infecção aumenta com a precipitação, por exemplo, da estação das chuvas nos trópicos, quando é mais provável que animais e seres humanos possam entrar em contato com a água barrenta e partículas que transportam bactérias do solo a partir de camadas mais profundas para a superfície. A forma pneumônica da doença também pode resultar da inalação de poeiras contaminadas e foi relatado em pilotos de helicóptero americanos durante a Guerra do Vietnã. A Melioidose humana surgiu no Brasil pela primeira vez em 2003 no Ceará nos municípios de Tejuçuoca. No mês de fevereiro de 2003 ocorreu um surto de melioidose em São Gonçalo, zona rural do município de Tejuçuoca. Quatro adolescentes apresentaram uma forma severa da doença e três foram a óbito. O quadro clínico foi de pneumonia fulminante e sepse. O diagnóstico foi realizado mediante isolamento da B. pseudomallei em hemoculturas de um dos casos.

Entrevistador: Qual o modo de transmissão da Melioidose?
Dra. Tereza Bandeira: Infecção em humanos e animais pode ocorrer por inoculação, ingestão ou inalação dos microrganismos ambientais. Rega do solo na estação seca, por exemplo, nos arredores de bombas de água, plantações de arroz, córregos, cachoeiras e lagos são as áreas e fatores de riscos relatadas nos casos publicados. Tal como acontece com outras doenças infecciosas, é provável que esses fatores, bem como o tamanho do inóculo sejam responsáveis pelo padrão e severidade da doença. Nós tivemos um caso aqui no Ceará de um paciente que por ocasião de um acidente automobilístico aspirou água de um açude e apresentou melioidose pulmonar grave de evolução rápida e fatal. Embora a transmissão pessoa-pessoa seja rara, tivemos o nosso ultimo caso em março de 2010, ainda em estudo, que provavelmente o paciente tenha adquirido a B. pseudomallei no contato direto com seu filho adolescente que teve uma das formas mais fulminantes de melioidose no Ceará em 2008.

Entrevistador: Como é feito o diagnóstico?
Dra. Tereza Bandeira: O diagnóstico começa com uma anamnese cuidadosa e com a busca de fatores de riscos e aspectos epidemiológicos. O diagnóstico laboratorial consiste no isolamento e identificação da B. pseudomallei do sangue, aspirado traqueal, lavado broncoalveolar ou qualquer outro espécime dependendo da forma clínica da doença. O isolamento de B. pseudomallei de fluidos corporais de pacientes continua a ser o "padrão ouro" no diagnóstico e requer o uso de meios seletivos para os espécimes não estéreis. Gram e outras colorações histopatológicas não são específicos para B. pseudomallei. Um número de técnicas tem sido empregado para tentar reduzir o tempo necessário para obter um diagnóstico, incluindo detecção de antígeno em amostras ou em sobrenadante de cultura e técnicas moleculares rápidas. Meios seletivos têm sido utilizados para o isolamento de B. pseudomallei dos fluidos não estéreis e amostras ambientais. Estas técnicas são importantes quando existe uma suspeita clínica. No Ceará os casos tiveram resultados inesperados e as técnicas de rotinas foram suficientes para a identificação. A B. pseudomallei é um bacilo Gram negativo não fermentador e as provas bioquímicas para identificação são laboriosas e demoradas por isso nos nossos casos o VITEK 2 foi fundamental, pois identificou todos estes agentes em apenas 6 horas. Umas das teses de mestrado do Programa de Pósgraduação em Microbiologia Médica da Universidade Federal do Ceará, do qual participo com o doutorado em curso abordando este tema, cita em uma de suas publicações a existência de testes sorológicos para a detecção de anticorpos de B. pseudomallei, entre estes, o teste de hemaglutinação indireta, ensaio de imunofluorescência e ensaio imunoenzimático, ELISA. Um ponto discutido nestes trabalhos é que cerca de 20% dos resultados sorológicos se mostram negativos no início da doença, mas podem apresentar elevada incidência de soroconversão na população de regiões endêmicas da melioidose.

Entrevistador: Quais as perspectivas diagnósticas para esta doença no Ceará?
Dra. Tereza Bandeira: O Centro Especializado em Micologia Médica, CEMM, da Universidade Federal do Ceará, tem desenvolvido vários trabalhos com B. pseudomallei que com certeza irão contribuir para o estabelecimento de protocolos moleculares que garantam a correta identificação de B. pseudomallei por técnicas rápidas e de fácil execução, para facilitar a detecção de casos e de reservarias além da possibilidade de criação de protocolos de detecção que estão em curso no âmbito da assistência médica estadual e que serão extremamente importantes na vigilância epidemiológica desta tão grave doença.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

SETUR, Vigilância Sanitária e Ministério Público vistoriam pousadas e ranchos de romeiros

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O Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, e a Promotora de Justiça, Alessandra Magda Ribeiro, visitaram na manhã desta terça-feira algumas pousadas e ranchos que hospedam romeiros em Juazeiro do Norte. A vistoria foi acompanhada por uma equipe de técnicos da Vigilância Sanitária liderada pela coordenadora Maria Marilan Gomes Vidal. A intenção foi verificar as condições mínimas de higiene, acomodação e segurança.
A representante do Ministério Público flagrou resistência de proprietários de pousadas na chegada do pessoal da vigilância e tratou de advertir que os estabelecimentos devem estar abertos a esse tipo de inspeção a qualquer hora do dia ou da noite, bem como qualquer período do ano. Advertiu ainda sobre a necessidade de controle do pessoal que se hospeda além dos cuidados devidos com o saneamento, limpeza, higiene e evitar superlotações.
      Esse momento é definido pelo titular da Setur, José Carlos dos Santos, como o de levantamento da problemática que está determinando a criação da comissão provisória do projeto de Qualificação dos Meios de Hospedagem e Alimentação em Juazeiro do Norte. O secretário classificou como essencial a participação do Ministério Público nessa comissão juntamente com a própria Setur, Vigilância Sanitária, Igreja e representantes de pusadas, ranchos e hotéis, sendo dois de cada.
     Ele observou jamais ter havido um trabalho assim com a promotoria pública e espera, como esse apoio, um diagnóstico amplo e a solução dos problemas no acolhimento aos fiéis. A promotora Alessandra Ribeiro reconhece ser impossível a organização de uma hora para outra pelas próprias condições financeiras dos donos ou arrendatários de ranchos e pousadas. Todavia, defende parcerias, a organização em associações e já definiu para dezembro o início de um cronograma de reuniões neste sentido em nome de soluções para que todos possam se adequar às normas. (Demontier Tenório)

MURTA...
 Este era o pseudônimo da profa. Amália Xavier de Oliveira que segundo bacurejei, teve alguns de seus poemas inseridos em edições do jornal O Lavrador (1934-1974), da Escola Normal Rural de Juazeiro do Norte, em curto período (1942 - 1946). Quando começou a produzi-los, Amália tinha os seus 38 anos, com uma fisionomia aproximada a esta da foto (esq.), tirada no Horto de Dois Irmãos, Recife, em 1937. O pseudônimo de Murta (que nem sabemos a sua origem) logo caiu em grande curiosidade por parte da Escola Normal Rural. Abaixo, inclusive, apresentamos matérias fac-similares da correspondência de admiradoras trocadas com a redação do jornal O Lavrador a esse respeito. Para tratar de alguém de quem não se sabia a origem, proliferaram os pseudônimos (Seres, Orquídea, Asfi, Hortência, A.B.C.) que utilizaram o jornal para externar considerações sobre a temática e a poética de Murta, ao mesmo tempo que algumas aproveitaram para também apresentar suas composições. Em Outubro de 1943 parecia ter sido a última presença de Murta. Ela some das páginas de O Lavrador, sem explicação. Em março de 1946, na primeira edição daquele ano, abrindo o ano letivo, uma carta anônima pede, “implora”, pelo reaparecimento de Murta, ainda envolta nas perguntas que não queriam calar: Quem é Murta? Que é de Murta? E, eis que ela reaparece, na edição de junho daquele ano, para novamente sumir em setembro, na última edição de O Lavrador que reproduziria um poema seu. Nunca mais se ouviu falar de Murta. Nem no Lavrador, nem em lugar nenhum. Nesta época, 1942, aconteceu em Crato um Congresso Sem Poesia, organizado pelo jornalista Quixadá Felício. Hoje, desvendado o mistério que escondia a identidade de Murta, vamos encontrar Amália Xavier de Oliveira às voltas com uma discussão pública sobre os caminhos da poesia nos anos 40. Exatamente pelo tempo em que seus escritos externavam o espírito irrequieto, amoroso e terno desta poetisa quase bissexta em nossas letras.
Congresso Sem Poesia. De Juazeiro participaram (e são vistas na foto): Assunção Gonçalves, Iza Figueiredo, Amália Xavier de Oliveira e Generosa Ferreira Alencar. (Cine Cassino, 15.08.1942).

Cronologia de Murta:
Edição de março, 1942: A Alguém, por Murta
Edição de maio, 1942: O Sonho que Sonhei, por Murta
Edição de junho, 1942: Encontro, por Murta
Edição de agosto, 1942: Primeiro Encontro, por Murta
                                       Carta Aberta à Murta, por Seres (pseudônimo)
                                       Murta participa no Crato, 15.08.1942, do Congresso Sem Poesia.
Edição de setembro, 1942: Respondendo à Carta de Seres, por Murta
                                           Carta Aberta: Minha Amiga, por Orquídea (pseudônimo)
Edição de outubro, 1942: Segunda carta à Murta, por Seres
                                         À Minha Escola Querida, por Seres
                                         Carta à Murta, por ASFI (pseudônimo)
Edição de fevereiro, 1943: 19 de Março de 1943, por Murta
Edição de junho, 1943: Confidência, por Murta
   Carta a Murta, por Hortênsia (pseudônimo)
   Carta a Seres, por A.B.C. (pseudônimo)
Edição de agosto, 1943: Queixa, por Murta
Edição de setembro, 1943: Mal Incurável, por Murta
Edição de outubro, 1943: Minha Oração, por Murta
Edição de março, 1946: Anônima pede (“implora”) pelo retorno de Murta
Edição de junho, 1946: Perfil, por Murta
Edição de setembro, 1946: Desarmonia, por Murta