quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

NADA SUBSTITUI 0 TALENTO: MORADOR DE RUA FAZ SUCESSO ESCULPINDO IMAGENS SACRAS NAS CALÇADAS E PRAÇAS DE JUAZEIRO DO NORTE (REPORTAGEM DE LUIZ PALMEIRA)

Natural de Caririaçu, ele caminha para 50 anos de vida com muitas histórias para contar e a experiência de quem aprendeu muito depois de passagens pelo Rio de Janeiro, São Paulo e de volta ao Cariri, encontrou em Juazeiro do Norte o lugar quase perfeito para continuar a batalha incansável pela sobrevivência.
Filho dos agricultores Juvenal Jose de Freitas e Maria Alves de Freitas, já falecidos e naturais do sitio Tataíra - em Caririaçu -Tadeu Alves de Freitas fez das calcadas da cidade o seu atelier de forma bem natural. Basta um pouco de areia, cimento, gesso, madeira ou barro, para ele esculpir imagens sacras, de excelente qualidade, a exemplo de outros artesãos e “santeiros” de Juazeiro do Norte.
Sua última obra retrata Jesus Cristo e uma cruz, exposta na calcada de uma concessionaria de veículos no cruzamento das Ruas Pio X com Delmiro Gouveia, bairro Salesianos.
DADUE e o nome artístico do homem separado, pai de dois filhos, que carece de ajuda para fazer a barba, cortar o cabelo, vestir uma roupa nova e, quem sabe, conquistar um emprego.
Esta reportagem mostra, mais uma vez, que entre tantos dependentes químicos e andarilhos que circulam pelas ruas e praças da “Capital das Romarias” também têm artistas e neste caso o caririaçuense é, magnificamente, um exemplo deles.
ENDERECO DE DADUE - Ruas e praças de Juazeiro do Norte, especialmente a do Santuário Sagrado Coração de Jesus - dos padres Salesianos, além da Rua Pio X esquina com Delmiro Gouveia.




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Câmara aprova projeto que destina áreas para campos de futebol

A Câmara Municipal aprovou em sua sessão do dia 23 passado o projeto de autoria dos vereadores Cláudio Luz e Zé Ivan que destina  legalmente como CAMPOS DE FUTEBOL para prática desportiva e lazer de toda comunidade as áreas públicas municipais onde hoje existem os campos de futebol conhecidos como “Campo de Futebol da Areia Grossa” no bairro do Horto, “Campo de Futebol da Microempresa” no bairro da Matriz e “Campo de Futebol do Chafariz” no bairro da Timbaúba.  Conforme o projeto aprovado a Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte deverá preservar, manter e melhorar a área e o entorno dos Campos de Futebol para fomentando a vocação histórica destes espaços para prática desportiva.  Os Campos de Futebol deverão receber denominação oficial após consulta popular as comunidades usuárias dos campos em um prazo máximo de seis (06) meses a contar da publicação da Lei e o Poder Público fica obrigado a instalar na área de cada terreno uma placa com o nome oficial do campo de futebol escolhido pela comunidade usuária e o número da presente Lei municipal. O projeto segue para sansão do Prefeito Municipal.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Se Padre Cícero ainda fosse o prefeito...

O presidente Lula, a presidente Dilma, o deputado Guimarães e o PT asseguraram que era ponto de honra, prioridade máxima, a ampliação do Aeroporto Regional Orlando Bezerra de Menezes, localizado em Juazeiro. Mas nada disso adiantou para impedir que a Infraero suspendesse a liberação da verba de 15,8 milhões de reais destinada aos trabalhos de ampliação do nosso aeroporto. Isso é o que acontece quando se deposita confiança em político no Brasil. Porém, se Padre Cícero ainda fosse o prefeito de Juazeiro esta cidade teria sido escolhida como sede de jogos da Copa, ganharia um novo e luxuoso Romeirão e o nosso aeroporto seria internacional e já estaria concluído. Ah, Como Padre Cícero faz falta!

Luiz Ivan se reúne com feirantes para discutir ordenamento das feiras livres

O vice-prefeito e secretário de Meio Ambiente e Serviços Públicos de Juazeiro do Norte, Luiz Ivan Bezerra, deu início, na tarde da segunda-feira, 24, às discussões sobre o ordenamento das feiras livres da cidade. O primeiro encontro reuniu representantes da conhecida Feira de Troca, que acontece junto ao Mercado do Peixe, no bairro João Cabral. A reestruturação, que incluirá a padronização de barracas, visando melhor infraestrutura, começará com o recadastramento dos feirantes, criação de uma associação para que funcione com maior eficácia, o que permitirá, ainda, a existência de contrato e de autorização de uso entre Município e locatários. Luiz Ivan fez questão de ressaltar que o reordenamento proposto para as feiras livres de Juazeiro busca, única e exclusivamente, melhorar as condições de trabalho dos que têm, nesta atividade, o sustento próprio e de suas famílias. Lembrou que, associados legalmente, os feirantes serão mais fortes para o encaminhamento de reivindicações junto aos órgãos públicos, bem como terão facilitados o acesso a financiamentos bancários e a capacitações importantes junto a instituições, como o Sebrae. O secretário apresentou modelos de barracas, que devem ser definidos pelos próprios feirantes. Nova reunião está marcada para o dia 10 de março próximo, às 15 horas, no auditório da Semasp.(ASCOM/PMJN)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Quem autorizou a destruição do túmulo da beata Maria de Araújo?

Túmulo da beata na Capela do  Socorro
Até hoje não é possível afirmar com absoluta segurança quem foi realmente que deu a ordem para destruição do túmulo da beata Maria de Araújo, construído no interior da Capela do Socorro, em Juazeiro do Norte. Muitos escritores afirmaram que a ordem teria sido dada pelo bispo do Crato, Dom Francisco de Assis Pires, mas isso não é verdade, como veremos mais adiante. Um documento registrado em cartório afirma que a ordem partiu do vigário de Juazeiro da época, no caso Monsenhor José Alves de Lima. E aí vem a pergunta: o vigário de Juazeiro teria poderes para tal? 
Vamos analisar as duas questões. 

1. Por que não foi Dom Francisco? 
D. Quintino e D. Francisco
Explicação: A destruição do túmulo ocorreu no dia 22 de outubro de 1930.  Porém, naquela data, conforme explica a própria Diocese, a mesma estava vacante. Ou seja, estava sem titular, uma vez que Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva  (Foto 1), seu primeiro bispo,  havia falecido em 29 de dezembro de 1929 e o segundo Bispo de Crato, Dom Francisco de Assis Pires (Foto 2), só foi nomeado em 11 de agosto de 1931, tendo chegado ao Cariri somente em 10 de janeiro de 1932. Assim, seguramente, com base na cronologia, não partiu de nenhum bispo da Diocese de Crato a ordem para violação do túmulo da Beata.
Mons. Sóter e Armando
Enquanto durou a vacância na Diocese do Crato, respondia, como administrador diocesano, Monsenhor Vicente Sóter de Alencar, que era o Vigário-Geral da Diocese. Teria ele poderes para autorizar uma coisa de tamanha responsabilidade? Segundo nos informou o historiador Armando Rafael, chanceler da Diocese do Crato, “pelo Direito Canônico, o Administrador Diocesano não pode, sequer, nomear ou demitir ninguém da equipe anterior, ou – enquanto aguarda a chegada do novo bispo – fazer qualquer modificação na Diocese. O Administrador Diocesano tem poderes limitadíssimos. Eis o que reza o Direito Canônico:
“Cân. 428 – Parágrafo 1. Durante a sé vacante, nada se modifique.
Parágrafo 2. Os que cuidam do governo interino da diocese são proibidos de fazer qualquer coisa que possa de algum modo prejudicar a diocese ou os direitos episcopais; em particular são proibidos eles próprios, e por isso qualquer outro, por si ou por outros de retirar ou destruir documentos da cúria diocesana ou neles modificar qualquer coisa”.

Conforme ainda Armando “Monsenhor Vicente Sóter de Alencar, além de ser um sacerdote culto, equilibrado, bem informado e com fama de santidade, era grande amigo de Padre Cícero. É difícil que fosse autorizar uma coisa de tal envergadura, que feria os foros de civilização e normas do Direito Civil, além de causar profundo transtorno à veneranda figura do seu amigo, o Patriarca de Juazeiro”.

2. Resta, então, a possibilidade de ter sido Monsenhor José Alves de Lima, a qual será agora analisada.  
Mons. Lima e Amália
Explicação: Diz Amália Xavier de Oliveira, em seu livro O Padre Cícero que eu conheci, que “o então vigário de Juazeiro, Monsenhor José Alves de Lima, desejando preparar a Capela do Socorro para ser benta pelo sucessor de D. Quintino, mandou derribar o túmulo (da beata) para deixar igual todo o piso” E diz mais: “Os restos mortais estavam desfeitos no caixão e caíram no depósito que foi logo encerrado”  


Pe. Cícero e a beata
Padre Cicero tinha pela beata Maria de Araújo uma particular consideração, razão por que, quando ela morreu, lhe dedicou uma atenção especial. Mandou abrir-lhe a sepultura no interior da Capela do Socorro e providenciou-lhe um enterro digno de uma pessoa ilustre. Foi realmente um grande e inesquecível cortejo.
Ela morreu no dia 17 de janeiro de 1914, quando estava em curso o movimento sedicioso de Juazeiro, mais conhecido como Revolução de 1914. Um curioso documento particular, registrado em 3 de dezembro de 1930, no Cartório Machado, com o longo título de "NESTE VIDRO DEVIDAMENTE LACRADO SE ACHA TUDO QUE ENCONTROU-SE NOS DESPOJOS MORTAIS DA BEATA MARIA DE ARAÚJO, QUANDO EM 22.10.1930 FOI O SEU TÚMULO ABERTO CLANDESTINAMENTE POR ORDEM DO REVMO. VIGÁRIO DESTA CIDADE MONSENHOR JOSÉ ALVES DE LIMA" diz que o "corpo da beata Maria de Araújo foi trajado no hábito da Ordem Terceira de São Francisco, e foi depositado e trancado a chave em um ataúde de cedro devidamente envernizado a óleo por dentro e por fora e sepultado na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, conjunta ao cemitério público, no dia 18 do mesmo mês e ano, sendo acompanhado de grande multidão de pessoas, entre as quais se destacavam o Padre Cicero e importantes vultos políticos do Estado, que se achavam refugiados no Juazeiro". O mesmo documento informa mais adiante que em 22 de outubro de 1930, abriram o túmulo de alvenaria onde estava sepultada Maria de Araújo, e os encarregados do serviço asseveraram que não existiam dentro do túmulo os restos mortais da mesma. A violação do túmulo foi de surpresa, sem preceder autorização legal, sem conhecimento, sequer, do respectivo zelador do cemitério, o senhor Hildebrando Oliveira. Sabendo o Padre Cicero que se estava arrasando o referido túmulo, chamou, rapidamente, ao atual governador da cidade, o farmacêutico Jose Geraldo da Cruz, para conjuntamente com o fotógrafo João Candido e Fontes assistirem ao ato exumatório e mandarem recolher os restos mortais em outro túmulo no cemitério. Esses senhores, sem perda de tempo, foram ao local, encontrando já aberta a sepultura, de momentos. Informou-os o pedreiro de que só existiam ali restos de panos e a madeira do caixão. Examinaram eles o caixão, a sepultura e, também, os escombros atirados para fora onde colheram, apenas, uns escapulários das irmandades de Nossa Senhora das Dores, de Nossa Senhora do Carmo, da Paixão e de outras irmandades e o cordão de São Francisco, e um pedaço de crânio com cabelos, o qual está guardado neste vaso de vidro. A beata Maria de Araújo que em sua vida foi caluniada de toda a sorte, teve ainda depois de morta violado seu tumulo".

Apesar de o evento ter sido testemunhado por um fotógrafo, não existe nenhum registro fotográfico. Agora, é o caso de perguntar: teria mesmo Monsenhor Lima coragem suficiente para assumir tal empreitada? Não existe nenhum documento oficial da Igreja (nada consta no Livro de tombo da Paróquia) ou da Justiça comprovando que ele deu a ordem. Mas o certo mesmo é que alguém mandou destruir o túmulo e o fato se consumou, caracterizando um flagrante abuso de poder, um desrespeito às leis, pois não se faz exumação sem ordem judicial, e um acinte à família da beata, que deveria ter ficado com os restos mortais dela para sepultar em outro túmulo. 
Contudo, o mais incrível é esse fato ter acontecido sem que nenhuma manifestação popular tenha sido registrada, nenhuma autoridade judicial ter protestado, afinal, tratava-se de uma inominável afronta a um ser humano, uma mulher humilde, a beata de Juazeiro, enfim, a mulher que juntamente com o Padre Cícero mudou o rumo desta cidade. 
Generosa e Fátima
É possível que nenhuma revolta tenha ocorrido porque, segundo informa a historiadora Generosa Ferreira Alencar, em seu livro Homens e fatos na história do Juazeiro, em coautoria com Fátima Menezes, a violação do túmulo ocorreu enquanto Juazeiro vivia dias agitados, em meio à Revolução de 30, estando a cidade repleta de militares da força federal. Portanto, qualquer levante popular seria facilmente reprimido pela força militar. 
Isso alivia, mas não justifica. Será que não foi justamente aproveitando essa circunstância que Monsenhor Lima agiu? Na verdade, diante da consumação do fato Juazeiro foi covarde naquele tempo. Pois, por muito menos, os juazeirenses deram em outras oportunidades demonstração inequívoca de que não toleram injustiças. 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Em entrevista, a Prioresa do Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória esclarece sobre a elevação do Mosteiro à dignidade de Abadia

(Entrevista concedida a Armando Lopes Rafael)

Madre Maria Aparecida Menezes do Couto, da Ordem de São Bento (OSB), atual Prioresa do Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória, de Juazeiro do Norte, disse que muita gente ainda não entendeu a mudança da denominação de “Mosteiro” para “Abadia”. Perguntam: O que mudou? O Mosteiro vai deixar de ser Mosteiro?, etc. Para falar sobre o assunto, Madre Maria Aparecida concedeu a entrevista abaixo.

Pergunta: O que é necessário para a criação de um mosteiro beneditino?
Madre Maria Aparecida –  Quando um Bispo  deseja a fundação de um  Mosteiro de monjas beneditinas, faz o pedido a uma Abadia já existente. O novo Mosteiro se torna um Priorado Simples, dependente do Mosteiro fundador. Quando atinge o número de oito monjas de votos perpétuos, torna-se um Priorado Conventual, independente, e a Prioresa Conventual assume o governo do Mosteiro com os mesmos deveres de uma Abadessa, somente não usa a cruz peitoral e não recebe a Bênção Abacial. Em cada Visita Canônica que ocorre de três em três anos, o Abade Presidente, junto com a comunidade do mesmo Priorado, examinará as possibilidades de sua elevação à categoria de Abadia.

E quando um Mosteiro pode ser elevado à Abadia, como aconteceu recentemente com o de Juazeiro do Norte?
Madre Maria Aparecida – Quando atinge o número de 12 monjas de votos perpétuos o Abade Presidente, em Visita Canônica ao Mosteiro, constatando que a comunidade caminha bem e existem condições para isso, pede que essa comunidade faça um Capítulo Conventual para decidir – por votação –, se quer ou não que o Mosteiro seja elevado à categoria de Abadia. O Bispo Diocesano também expressa seu desejo. O Abade Presidente encaminha a Ata Capitular e a carta do Bispo à Sé Apostólica, pedindo a ereção do Mosteiro em Abadia. A Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica examina cuidadosamente a questão e tendo em conta o parecer favorável do Abade Presidente da Congregação Beneditina do Brasil, através de um Decreto cria o Mosteiro como Abadia. Foi o que aconteceu conosco.

Como foi esse processo?
Madre Maria Aparecida – Em fevereiro de 2013 tivemos a Visita Canônica. Nosso Abade Presidente, Dom Emanuel d´Able do Amaral, acompanhado da Abadessa Co-Visitadora Madre Martha Lúcia Ribeiro Teixeira, mostraram-se muito contentes com o enraizamento e a irradiação do Mosteiro em Juazeiro do Norte, e constatando que a comunidade caminha bem, nos pediram que realizássemos um Capítulo deliberativo no qual antes da votação todas pudessem manifestar a sua opinião quanto a oportunidade da elevação do nosso Mosteiro à categoria de Abadia. Nosso Bispo Dom Fernando Panico, que já havia manifestado também o desejo de que essa elevação acontecesse no Ano Centenário da Diocese de Crato, escreveu uma carta muito bonita ao Papa Francisco. Encaminhamos tudo ao Abade Presidente, que é quem deve enviar a documentação ao Vaticano. E no dia 11 de dezembro do ano passado foi aprovado e enviado o Decreto criando nosso Mosteiro como Abadia.  Mas somente no dia 09 de fevereiro chegou às mãos do Abade Presidente esse Decreto. Comunicamos esse fato a Dom Fernando dia 10, quando veio celebrar conosco a festa de Santa Escolástica, irmã de São Bento.
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Quem foi Santa Escolástica?
Madre Maria Aparecida– O que sabemos sobre Santa Escolástica está no Livro II dos Diálogos, do Papa São Gregório Magno, monge beneditino. A iconografia medieval apresenta Santa Escolástica com um báculo, como Abadessa, mas na realidade ela era irmã de São Bento, consagrada a Deus, e que ia uma vez por ano encontrar-se com o irmão numa dependência do Mosteiro e passavam o dia em santos colóquios  e louvores a Deus. No último encontro, ela pediu ao irmão para passarem a noite toda conversando sobre as alegrias da vida celeste. São Bento negou, pois não podia passar a noite fora do Mosteiro. Narra São Gregório que o céu estava sereno, sem nuvens. Diante da recusa do irmão ela cruzou as mãos sobre a mesa e nelas inclinou a cabeça para rogar a Deus todo- poderoso. Logo que levantou a cabeça, tão violentos trovões e relâmpagos e tão copiosa chuva explodira que nem São Bento, nem os irmãos que com ele vieram puderam mover o pé do recinto em que estavam. E assim passaram a noite toda em santas conversas sobre a vida espiritual. Ela pôde mais porque amou mais, escreve São Gregório Magno. Três dias depois, São Bento em oração viu a alma da irmã em forma de pomba penetrar nas profundezas do céu. Santa Escolástica era discípula de São Bento e é esse o significado de seu nome: Escolástica. Ela não foi a fundadora do 1º mosteiro beneditino feminino do mundo ocidental, como foi anunciado.

Quais os passos a partir de agora para oficializar a nova Abadia de Juazeiro do Norte?
Madre Maria Aparecida – No dia 18 de março faremos a eleição da 1ª Abadessa do Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória. Qualquer Irmã que tenha a idade e o tempo mínimo de Profissão Perpétua exigidos pode ser eleita.
Após a eleição, a eleita recebe a cruz peitoral e marca-se a Bênção Abacial, que é uma cerimônia muito bela. A data foi marcada para o dia 24 de junho, Solenidade de São João Batista e 9º aniversário da inauguração do nosso Mosteiro. Nossa vinda para Juazeiro do Norte corresponde a um plano misterioso de Deus, pois o que Dom Fernando disse na homilia do dia 10 de fevereiro último, está confirmado em um livro que é do conhecimento de poucos, sobre a vinda de uma fundação de monges a pedido de Pe. Cícero, que encontrou uma afinidade muito grande com a espiritualidade de São Bento. Padre Cícero formou o povo de Juazeiro do Norte na oração e no trabalho, que é o lema da Ordem de São Bento: Ora et Labora. Os monges saíram do Mosteiro de Olinda em direção a Juazeiro do Norte  e vinham acompanhados pelo Superior maior, na época o Abade de Olinda, Dom Gerardo Van Caloen. Na Serra do Estevão, em Quixadá, ele caiu do cavalo e interpretou como um sinal de que Deus queria que a fundação do novo mosteiro fosse ali, no município de Quixadá. E assim foi fundado o 1º Mosteiro Beneditino do Ceará, o Mosteiro da Santa Cruz. Esse mosteiro não foi adiante, sobretudo pela dificuldade da água.

E somente depois de muito tempo a Ordem de São Bento veio para o Cariri?
Madre Maria Aparecida – Sim, as monjas vieram em 2003 trazendo para Juazeiro do Norte o Ora et Labora  de São Bento. Já na visita de sondagem que fizemos, para ver se seria possível atender o convite de Dom Fernando, ou seja, a transferência de São Cristóvão, em Sergipe, para Juazeiro do Norte, sentimos uma grande afinidade com esse povo. É bom lembrar que em 15 de junho de 2001, quando ainda não tinha assumido sua nova diocese em Crato, Dom Fernando, em visita ao Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória em São Cristóvão nos disse: “Vou tomar posse na Diocese de Crato no dia 29 de junho. Se não ficarem aqui, lembrem-se de mim que quero muito um Mosteiro beneditino na minha Diocese". Não podemos deixar de ver aí o dedinho do Padre Cícero. Viemos numa aventura de fé, sentindo que havia um plano de Deus a nos chamar para Juazeiro do Norte. Aqui chegamos no dia 13 de maio de 2003 e ficamos dois anos numa chácara no Bairro Aeroporto, que generosamente nos foi cedida por  Rosenir Fiúza, diretora do Colégio Paraíso,  Não podemos deixar de mencionar o Pe. José Alves de Oliveira, hoje  Monsenhor e pároco emérito da Paróquia do Menino Jesus de Praga, que desde o início nos acompanhou e até agora nos acompanha com carinho de um verdadeiro pai.

Não houve dúvidas de que Juazeiro do Norte era o lugar indicado para o novo Mosteiro?
Madre Maria Aparecida – Quando tomaram conhecimento de nossa decisão de sair de São Cristóvão  ouvimos muita coisa negativa, como: “que vão fazer naquele sertão? Vão passar fome...Vão trocar o certo pelo duvidoso”, etc. Com nossa vinda, agora olham para Juazeiro do Norte com admiração. Eu costumo dizer que nosso Mosteiro é um dos milagres de Juazeiro do Norte, pois o prédio com a hospedaria, o dormitório das monjas (que chamamos celas) e as oficinas ( onde ganhamos o nosso pão de cada dia) foi construído em um ano e cinco meses com a ajuda da França, Holanda, e Alemanha, pela construtora Cecé Coelho sendo engenheiros Dr. Tadeu e Dra. Fátima que deram o melhor de si nessa construção. Em 24 de junho de 2005  nosso Mosteiro foi inaugurado. Quando escolhemos esse terreno, que foi doado pela Prefeitura na gestão de Dr. Carlos Cruz só havia mato, hoje estamos cercadas de casas, num bairro próspero. Foi preciso nos lançarmos em mais essa aventura de fé: a construção de nossa igreja, pois o número de fiéis que vinham participar de nossas missas dominicais aumentava sempre mais.Dra. Maria Lília Campelo, a arquiteta que projetou o prédio do Mosteiro,nos presenteou com o belo projeto da igreja que está sendo construída pela Construtora Sólida, sendo engenheiro o  Dr. Paulo de Souza, que a vem construindo com muita dedicação e competência. Por um misterioso desígnio de Deus, ela que tanto desejava ver concluída a igreja faleceu dia 06 passado. Pela dedicação e competência do nosso engenheiro a igreja já estaria pronta. Falta pouco, mas estamos a espera de que a Providência Divina nos envie os recursos para completarmos a construção. Desejamos muito que na nossa igreja seja realizada a bênção da primeira Abadessa da primeira Abadia do Ceará, que o Senhor, em seu misterioso desígnio, quis que fosse na Diocese de Crato – no Ano Centenário da Diocese – e na cidade de Juazeiro do Norte, cidade da fé que atrai uma multidão de romeiros do Pe. Cícero, para consolar o coração tão sofrido do nosso caro Pastor. E na paróquia do Menino Jesus de Praga, onde nosso caro Mons. José Alves, pároco na nossa chegada, agora emérito, que com seus paroquianos, assumiu nossa comunidade com carinho de pai . Gostaria de terminar com uma reflexão do nosso atual pároco Pe. Lenilson, na homilia que fez na Missa que celebrou hoje no Mosteiro. “A elevação desse mosteiro a abadia foi um sinal de deus, uma resposta de Deus nesse momento difícil que nossa diocese está atravessando. É como Deus nos dizendo: Eu estou com vocês. Não fiquem presos às pequenas coisas”. O Senhor nos pede algo grandioso. Pensemos alto, pois nascemos para o alto.

Carta do Bispo D. Fernando pedindo a Abadia


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Inaugurada em Juazeiro do Norte empresa mineira de Call Center

Já está em pleno funcionamento na Avenida do Agricultor em Juazeiro do Norte a empresa mineira A & C Call Center que prevê um investimento total de R$ 20 milhões na terra de Padre Cícero. Trata-se do primeiro grande negócio atraído para gerar emprego e renda pela gestão do prefeito Raimundo Macedo que participou da inauguração. A Prefeitura doou o terreno e garantia da infraestrutura visando a instalação da mesma em nome do papel social do seu governo. A previsão em quatro meses aponta a geração de 2,5 mil empregos diretos, segundo o presidente-executivo da A & C Call Center, Alexandre Moreira, lembrando ser o quinto investimento do tipo contact center no Nordeste. Ele disse que a ansiedade de chegar em Juazeiro foi grande em virtude do potencial enorme na prestação de serviço. Observou que a empresa já encontra-se em alguns lugares do Nordeste, mas considera essa uma etapa fundamental nos negócios da A & C Call Center. Disse mais que o perfil da população foi fator fundamental para a escolha da cidade, bem como o apoio da Prefeitura de Juazeiro, onde foram bem recebidos quando era apenas possibilidade. Para Alexandre, a população do Nordeste tem uma característica interessante que é a simpatia, a vontade de fazer e conversar com as pessoas. (ASCOM/PMJN)