quarta-feira, 28 de junho de 2023

Projeto de lei busca criar Dia da Beata Maria de Araújo no Ceará

Dia da Beata Maria de Araújo no Ceará

"O deputado estadual Renato Roseno (Psol) apresentou um projeto de lei (nº 718/2023) que institui o Dia da Beata Maria de Araújo e a Semana Maria de Araújo no Calendário Oficial do Estado do Ceará. 

A ação busca dar visibilidade à protagonista do chamado “Milagre da Hóstia” ou "Milagre de Joaseiro", que originou as primeiras romarias com destino à Juazeiro do Norte. Fiel seguidora do Padre Cícero, Maria de Araújo foi perseguida após manifestar os fenômenos, viveu o resto da vida enclausurada e, após falecer, teve seu túmulo violado e seus restos mortais levados."

O deputado estadual Renato Roseno (Psol) apresentou um projeto de lei (nº 718/2023) que institui o Dia da Beata Maria de Araújo e a Semana Maria de Araújo no Calendário Oficial do Estado do Ceará. A ação busca dar visibilidade à protagonista do chamado “Milagre da Hóstia” ou "Milagre de Joaseiro", que originou as primeiras romarias com destino à Juazeiro do Norte. Fiel seguidora do Padre Cícero, Maria de Araújo foi perseguida após manifestar os fenômenos, viveu o resto da vida enclausurada e, após falecer, teve seu túmulo violado e seus restos mortais levados.

Caso o projeto seja aprovado na Assembleia Legislativa do Ceará, a data passa a ser celebrada, anualmente, em 24 de maio, dia do seu nascimento. “É importante dar visibilidade à sua história porque ela foi perseguida e sofreu violência em vida e após a morte, pois até hoje não sabemos o paradeiro dos seus restos mortais”, justifica o parlamentar, autor da proposta.

Já a Semana Maria de Araújo deve ser celebrada, a partir do projeto de lei, entre os dias 20 e 24 de maio. A proposta é preservar a memória sobre a Maria de Araújo, estimular reflexões sobre as violências em que sofreu e sua relação com o papel da mulher na historiografia oficial. “A ideia também é promover um resgate da memória e do legado de figuras históricas que foram injustamente perseguidas, seja pela Igreja ou pelo Estado”, explica Renato. Além disso, o parlamentar sugere debates sobre o racismo e a violência de gênero no Cariri.

A Semana Maria de Araújo, sendo aprovada, será realizada através da reunião dos esforços da Secretaria das Mulheres, Secretaria da Cultura, Secretaria dos Direitos Humanos, Secretaria da Igualdade Racial, Secretaria da Educação e Secretaria de Proteção Social, que devem realizar ao menos uma atividade na região do Cariri cearense. A iniciativa pode ocorrer em parceria com voluntários, escolas e universidades.

Quem foi Maria de Araújo?

Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, a beata Maria de Araújo, foi figura fundamental para a história e o crescimento urbano de Juazeiro do Norte, já que protagonizou o episódio que ficou conhecido como “Milagre do Joaseiro” ou “Milagre da Hóstia”. Nascida em 24 de maio de 1862 no povoado de Joaseiro, que até então fazia parte do Crato, ela foi uma menina pobre, negra, analfabeta, filha de negros e que foi acolhida ainda jovem pelo Padre Cícero. Na infância, já alegava manifestar estigmas, visões e profecias.

Sua vida mudou em 1889, quando teria transformado, pela primeira vez, a hóstia ou o “corpo de Cristo” em sangue, na antiga Capela de Nossa Senhora das Dores — atual Basílica de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte. O fenômeno se repetiria, ao menos, 120 vezes, segundo os historiadores. Isso foi responsável por surgir as primeiras romarias com destino ao vilarejo, que se tornaria a principal cidade da região do Cariri.

Após grande repercussão, a Igreja enviou, por dois momentos, padres até Juazeiro do Norte para analisar o caso. A primeira comissão concluiu que não havia explicação natural para os fatos ocorridos, enquanto o segundo inquérito os condenou e classificou como “embuste”. O Padre Cícero, que acreditava nos milagres e defendia Maria de Araújo, teve suas ordens suspensas.

A historiadora Edianne Nobre, que pesquisou sobre ela por cerca de 12 anos, lembra que a população do povoado de Juazeiro, padres e romeiros ficaram proibidos de fazerem qualquer referência aos acontecimentos de 1889. Maria de Araújo e outras beatas ficaram proibidas de serem visitadas.

A beata foi sentenciada à reclusão, em 1894, onde permaneceu até a sua morte, no dia 17 de janeiro de 1914. Seu corpo foi colocado na Capela do Socorro, mas o túmulo foi violado e destruído em 1930. Seus restos mortais foram roubados e, até hoje, ninguém sabe do seu paradeiro.

Movimento

Diante desse processo de esquecimento, há cinco anos, pesquisadores, artistas, professores, movimento de mulheres, movimento negro e entidades civis do Cariri lutam para que a fiel devota do “padrinho” tenha o devido reconhecimento do poder público e da Igreja Católica. A partir de 2018, surgiu o Movimento de Reabilitação da Memória da Beata Maria de Araújo, que atualmente é formado por cerca de 30 pessoas. Sua primeira ação foi, naquele ano, participar de uma caminhada na Romaria de Candeias e questionar: “onde estão os restos mortais de Maria de Araújo?”.

Desde então, a iniciativa foi crescendo e o grupo já realizou seminários, simpósios, momentos religiosos e o aniversário da beata. A articulação também já conseguiu aprovar duas leis municipais em Juazeiro do Norte. A primeira instituiu o dia 1º de março como o “Dia do Milagre” e a segunda obriga a colocação das imagens da beata nos espaços públicos que também recebem o Padre Cícero.

Na avaliação da professora Zuleide Queiroz, que compõe a Frente de Mulheres do Cariri, a luta pelo resgate da memória da beata Maria de Araújo se estende a outros movimentos sociais. “É uma reivindicação do movimento de negros e negras e de gênero. Essa iniciativa é muito importante e podemos fazer história com essa reparação”, acredita. Esse pensamento é compartilhado também pela professora Verônica Isidório. “Amplia a discussão, que não fica só na linha religiosa. Apresenta a superação do racismo e do sexismo”, completa.

fonte: www.renatoroseno.com

Escultores desenvolvem Jogos de xadrez com personagens da cultura popular

 O casal de artesãos usa a fécula de mandioca como matéria-prima para a confecção de esculturas. Lusyennir e Demóstenes desenvolvem jogos de xadrez nos quais as peças são substituídas por personagens da cultura popular em temas como Guerra de Canudos, reisados e cangaço. As peças variam entre os tamanhos de 20x20 cm e 60x60 cm.

Cada lampião e Maria Bonita usa seu talento de forma emblemática
Demóstenes e Lusyennir e suas criações e criaturas




contatos :

    Rua José Florêncio Vasconcelos, Juazeiro do Norte, CE, Brazil
    (88) 3511-2269
    gomaeartecariri@gmail.com   / www.facebook.com/gomaearte

fonte: Lunário Nordestino

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Com a capela do Socorro lotada encerrou-se o tríduo de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro . 

O pátio da Capela lindamente ornado e onde nestes tres dias ocorreram as quermesses , shows e orações. 


Imagem saiu em procissão da casa de Geíza Araruna na Rua Santa Rosa. 

 

Delegacia de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte, da Polícia Civil do Ceará, está concorrendo ao 20º Prêmio Innovare

Além da DDM de Juazeiro, a 12ª Delegacia do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) da PC-CE, Delegacia dos Desaparecidos, também foi pré-selecionada para concorrer ao prêmio

domingo, 25 de junho de 2023

Juaforro- Momento cultural trazendo a riqueza nordestina em varias faces

De 15 a 30 de junho próximo, Juazeiro do Norte traz em palco  uma das maiores festas populares, que busca celebrar e preservar as tradições e o folclore da região do Cariri, com uma programação diversificada e abrangente.


Assim como na última edição, o Juaforró irá ocorrer em três momentos: shows musicais, festival de quadrilhas e forró no sítio.



Os shows, no Parque de Eventos Padre Cícero, foram realizados de 21 a 25 de junho, com atrações musicais nacionais, regionais e locais. O Juaforró contará com Cidade Cenográfica, o tradicional Palhoção, com forró pé de serra, parque de diversões e praça de alimentação.

a  partir das 18:30

A Cidade Cenográfica acontecerá no Parque de Eventos Padre Cícero e remontará a arquitetura antiga de um vilarejo que trará personagens importantes do Juazeiro antigo, uma atração para a família, um espaço ideal para fotos. O Terreiro Cultural irá contemplar grupos de maneiro pau, coco e banda cabaçal, dentre outros.

O Festival Municipal de Quadrilhas aconteceu no Ginásio Poliesportivo, de 16 a 18 de junho. A programação foi composta por apresentações de 20 Quadrilhas Juninas de Juazeiro do Norte, em formato competitivo, nas categorias adulto e infantil.


O Juaforró na Zona Rural acontecerá de 28 a 30 de junho, e contará com a programação de bandas locais, grupos juninos parafolclóricos e barraquinhas de comidas típicas. O evento será realizado em três comunidades rurais: Sítio Carás do Umari, Sítio São Gonçalo e Palmeirinha.

Confira a programação completa: do Jua forro palco principal no parque de eventos :                                             21 de junho: Toca do Vale, Jonatha e Cristiano, Simone Vox, Manuka e Ingrid Loyanne;                                                           22 de junho: Lagosta Bronzeada , Chicão dos Teclados, Luiz Fidelis, Joquinha Gonzaga, Khrystal e Henrique Farra;              23 de junho: Nildinha, Forró de Front e Léo Gordim, Leonardo de Luna, John John e Jota Farias;                                                   24 de junho: Bonde do Brasil, Anderson e Véi da pisadinha, Luanzinho, Davi Martins e Cícero do Assaré. encerrando hoje domingo – 25 de junho: Léo Magalhães, Baby Som, Erika Diniz, Ana Paula Nogueira e Ranier e Os Cabras de Lampião.

É uma festa sempre de grande dimensão e com grande público e teve sua divulgação também inclusa na rede de transmissão ao vivo da rede globo como os maiores do São João do Nordeste.



Da ciencia, do estudo, dos avanços tecnológicos e humanizados- de Juazeiro para o mundo

Dois estudantes de Medicina da Faculdade Estácio de Juazeiro do Norte compartilharam um estudo que relata um raro caso clínico de um paciente pediátrico que apresentava atividades epilépticas associadas a um atraso no neurodesenvolvimento infantil, causada por uma mutação genética rara. O relato foi publicado na Revista Neurociências, da UNIFESP.
O paciente em questão é uma criança, hoje com quatro anos e dez meses e do sexo masculino, que nasceu prematura. Com cinco meses de vida, o recém-nascido apresentou sinais de atraso no seu desenvolvimento psicomotor e espasmos musculares.⁠
Olavo Leite e Maria Victória, os responsáveis pelo estudo, montaram uma linha de pesquisa em que se buscou identificar possíveis alterações cromossômicas causadoras de encefalopatias epilépticas infantis (EEI) por meio da Hibridação Genômica Comparativa Array. O diagnóstico definitivo de epilepsia no paciente foi alcançado por meio de um eletroencefalograma.

fonte: opovoonline

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Arrocha o nó sanfoneiro: Flávio José deu o grito pelo Nordeste

  Flávio José deu o grito pelo Nordeste


- Aos 71 anos e muitas léguas tiranas nas alpercatas, o cantor paraibano Flávio José alertou seus admiradores, durante um show junino em Campina Grande, que teria um tempo reduzido para acochambrar os inúmeros sucessos pedidos pelo público.
“Infelizmente, são essas coisas que os artistas da música nordestina sofrem. ‘Precisa cantar 1h30 não, uma hora tá bom’. Vamos nos virar nos 30 para ver se a gente atende vocês”, explicou o artista. Mesmo com toda sua delicadeza, a queixa ecoou como um aboio de protesto entalado há anos na goela de quem faz o forró pé-de-serra no Nordeste.
O tempo tirado de Flávio José seria acrescido ao relógio do sertanejo Gusttavo Lima, a atração seguinte. Poderia ser qualquer outro astro pop — pouco importa o nome, a origem e o estilo —, o absurdo que se repetiu naquela noite na terra de Jackson do Pandeiro foi o de relegar ao segundo plano um dos maiores artistas do próprio Estado.
Óbvio que a música de Flávio José é bem mais rica e sintonizada culturalmente com as festas juninas. Isso até as brasas menos acesas da fogueira sabem de cor e salteado. Não quero, porém, aprumar o debate nesse rumo estético. O que faltou ao artista paraibano foi respeito, ser tratado com a mesma decência destinada às estrelas mais midiáticas.
Por isso que o seu protesto, com toda mansidão de um xote, logo virou o desabafo coletivo de forrozeiros e forrozeiras escalados para palcos menores nas hiperbólicas festas promovidas por prefeituras e marcas de cervejas.
De tanto deixar barato e não chiar — é bom lembrar o temor de retaliação no São João seguinte —, a turma do pé-de-serra foi perdendo espaço, como avalia o jornalista e crítico musical José Teles, paraibano radicado no Recife. “Agora é tarde, e Marinês está morta”, satiriza, lembrando o nome de uma das maiores cantoras de forró da história do Nordeste.
Flávio José chiou, como já chiava em outras temporadas o caboclo sonhador Maciel Melo, cita o mesmo Teles, autor de infinitas e pioneiras crônicas sobre o assunto. Agora dê licença, leitores e leitoras, vou procurar um bom trio de forró na festa de Barbalha, o melhor Santo Antônio casamenteiro do mundo, como assegura Socorro Luna, a solteirona mais feliz do Brasil — assim se define a famosa promotora da farra.
Arrocha o nó, sanfoneiro!
(*) Autor/Fonte: Xico Sá - Jornalista da Folha de São Paulo