sábado, 19 de fevereiro de 2011


OS SOBRADOS (I)
Por sugestão interna da redação, vamos nos dedicar em algumas semanas a uma revisão de velhos casarões que fizeram a nossa cena urbana, especialmente do entorno da, hoje, Praça Pe. Cícero. Nessa abertura voltamos os nossos olhares para as mutações arquitetônicas do imóvel situado na confluência das ruas Pe. Cícero e São Francisco, em três fases, quando eram seus proprietários José André de Figueiredo, Cel. Manoel Fernandes da Costa e José Viana de Sousa. O sobrado teria sido construído por José André de Figueiredo. Não conseguimos precisar uma data para o fato. Zé André era comerciante de grande expressão regional. Teve ação política durante a luta pela emancipação, mas foi preterido ao cargo de intendente (primeiro prefeito) e recusou-se a participar do primeiro Conselho Municipal (Câmara). Contudo, José André ainda permaneceu na política e sofreria retaliações por sua opção rabelista, contra Floro e Pe. Cícero. Embora não se saiba o desfecho, José André, em 1918, vendeu esta casa, muito suntuosa para a época, ao Coronel Manoel Fernandes da Costa, fazendeiro alagoano, antigo proprietário da fazenda Bananal em Viçosa (AL), quando chegou a Joazeiro, naquele ano, já com a idade de 79 anos. Veio morar na terra do Pe. Cícero, na companhia de sua mulher Paulina de Mello Costa e do seu filho, de apenas 10 meses de idade, Antonio Fernandes de Melo Costa. (Sobre alguns fatos desta família, consulte o Juaonline 131, de 09.12.2007.) E como se pode observar pelo confronto das fotos em duas épocas, a reforma, dentre outras alterações, eliminou a cobertura em telhas, tipo chalé. Em meados dos anos 30 falece o Cel. Fernandes e está sepultado num jazigo, em estilo de capela, por trás da própria Capela do Socorro. Sua viúva e filho ainda permaneceram em Juazeiro por algum tempo. Já nos anos 40 o comerciante José Viana de Sousa adquire o imóvel e faz a segunda reforma no edifício, deixando suas linhas arquitetônicas como ainda hoje se encontram. Recentemente, considerando esta sua expressão arquitetônica e a necessidade de se proteger o bem, no entorno da Praça Pe. Cícero, a prefeitura municipal de Juazeiro do Norte tombou o imóvel para o patrimônio histórico, juntamente com outros, de que ainda falaremos.
O SOBRADO DE JOSÉ ANDRÉ DE FIGUEIREDO
(Visão em 11.09.1925: O último no fim do quarteirão)
SOBRADO DO CEL. MANOEL FERNANDES DA COSTA
(A visão de 1930: a imponência, na esquina)
BANGALÔ DE JOSÉ VIANA DE SOUSA
(A visão nos anos 40: )
(A visão de 2010: o casarão abandonado e tombado)


OS SOBRADOS
CONTINUAÇÃO...
2: O SOBRADO DE DIRCEU INÁCIO DE FIGUEIREDO
3: O SOBRADO DE MANOEL SOARES COUTO
4: O SOBRADO DE MANOEL VITORINO DA SILVA
5: O SOBRADO DE FENELON GONÇALVES PITA
6: O SOBRADO DE DAMIÃO PEREIRA DA SILVA
7: O SOBRADO DO CAFÉ GLÓRIA
8: O SOBRADO DE MESTRE GALDINO
9: O SOBRADO DE PELÚSIO CORREIA DE MACEDO

CURIOSIDADE: Rua 24 de Março, esquina com a Praça Benjamin Constant (Por Renato Casimiro)

Meus amigos Raimundo Araújo e Mário Bem Filho, por curiosidade, vocês sabem onde fica este endereço acima? Aliás, onde era este endereço, assim descrito, por volta de 1960? As homenagens se justificam porque 24 de Março é a data de nascimento do Patriarca de Juazeiro – Pe. Cícero Romão Baptista, todos sabemos.

Sobre o outro homenageado Benjamim Constant, conforme se lê em Wikipédia, “Benjamin Constant Botelho de Magalhães (Niterói, 18 de Outubro de 1836 — Rio de Janeiro, 22 de Janeiro de 1891) foi um militar, engenheiro, professor e estadista brasileiro. Formado em engenharia pela Escola Militar, participou da Guerra do Paraguai (1865 - 1870) como engenheiro civil e militar. Benjamin Constant esteve no Paraguai de agosto de 1866 a setembro de 1867, de onde voltou, devido doença, acompanhado de sua mulher, que o fora buscar. As suas cartas, escritas sobretudo para a esposa e o sogro, nas quais crítica duramente a direção da guerra em geral, e a Caxias, em especial, foram publicadas por Renato Lemos, no livro Cartas da guerra: Benjamin Constant na Campanha do Paraguai, editado pelo IPHAN e o Museu Casa de Benjamin Constant, em 1999. Como professor, lecionou nas escolas Militar (predecessora do Instituto Militar de Engenharia), Politécnica, Normal e Superior de Guerra, entre outras.
Adepto do positivismo, em suas vertentes filosófica e religiosa - cujas idéias difundiu entre a jovem oficialidade do Exército brasileiro -, foi um dos principais articuladores do levante republicano de 1889, foi nomeado Ministro da Guerra e, depois, Ministro da Instrução Pública no governo provisório. Na última função, promoveu uma importante reforma curricular. As disposições transitórias da Constituição de 1891 consagraram-no como fundador da República brasileira.” Por tão ilustrada figura, a municipalidade juazeirense prestou a sua homenagem.
A Praça Benjamin Constant não mais existe. Mas, a Rua 24 de Março continua existindo. E a homenagem tanto está nesta rua do Centro, como numa outra que fica junto da Av. Humberto Bezerra. Apenas registro que no documento que consultei a rua parece ter sido trocada. Em Juazeiro do Norte - Seu Espaço Físico, o Mário a descreve como sendo a primeira paralela norte à rua do Seminário, início na Rua São Domingos, sentido Oeste/Leste, término na Rua São Jorge. Ocorre que na escritura do imóvel onde existiu a Anderson, Clayton & Cia. Ltda., depois Usina Zé Bezerra e por último a Seinfra, ali está registrado que o endereço era Rua 24 de Março, s/n. Portanto, a antiga 24 de Março seria a atual Rua do Seminário. E a Rua 24 de Março passou a ser a seguinte. Duvidas? Talvez. Mas numa coisa o endereço acima tem esclarecido: a atual Praça dos Ourives, que também se chamou Praça 24 de Março, se chamava até 1959, pelo menos, Praça Benjamim Constant.
RECORDAÇÕES DAS SESSÕES DE CINEMA
No final de semana passado tive o prazer de participar da inauguração de uma sala de cinema na casa do sítio de Analuce e Junior, irmã e cunhado. Foi uma beleza, reunimos familiares que há tempos não víamos, foi uma alegria só. O motivo que me levou a relatar este fato é que fui motivada a trazer lembranças da minha infância, adolescência e desta fase que estou vivendo, em frequentar o cinema. Quando criança assisti inúmeras vezes ao filme Marcelino, pão e vinho, fita que me comoveu muito, chorava que só uma Madalena; filmes da Atlântida, com Oscarito, Grande Otelo, Mazzaroppi, lembro bem de Jeca Tatu (os animais todos calçados) a risarada era geral quando aparecia esta imagem. Na adolescência, acompanhada de amigas e de D. Sevi (mãe de Aguinaldo) que era minha vizinha, mamãe permitia que ela nos levasse. Os filmes que me marcaram Dio come ti amo, La cumparsita, Candelabro Italiano, Quando calianta el sol, O Milagre, A noviça rebelde, A compadecida, Os Dez Mandamentos, Ben hur, Help e Submarino Amarelo (com os Beatles), vários títulos de 007 com Sean Conery e muitos outros que é impossível enumerar. Nesta época usava um caderno para anotar todos os filmes assistidos e olhem só, todos por ordem alfabética. O horário que costumava frequentar era o de 18h30min e sempre comprava o chiclete Ploc ou Adams ou ping pong e a bala Pipper ou drops não se dispensava, como canta Rita Lee, “no escurinho do cinema chupando drops de anis”, pois não era costume naquela época comer pipocas como se faz hoje nos cinemas do shopping. Lembro de um fato bem pitoresco que aconteceu com D. Sevi. Ela, muito apressada para não chegar atrasada ao cinema, calçou os sapatos trocados, cores diferentes. Quando se sentou na cadeira (na época era de madeira e não estofada como hoje) foi que percebi os sapatos trocados; aí não aguentei, disparei a rir sem controle, os outros querendo saber o que tinha acontecido e cadê eu conseguir falar, só conseguia rir. As pessoas que estavam próximas começaram a chiar, pedindo silêncio, foi necessário a presença do lanterninha para reclamar e seguir em frente o filme sem balbúrdia. Acontece que este fato estava longe de minhas lembranças, mas estive há poucos dias com D. Sevi e ela lembrou e contou rindo às gargalhadas. Apesar de sua memória está falhando algumas vezes, mas ainda conseguiu se lembrar com riquezas de detalhes este fato. Os cinemas existentes em Juazeiro na época eram Cine Eldorado, Capitólio e Plaza, porém não tinha predileção por nenhum, o que importava mesmo era a fita que iria passar. Nos domingos gostava de assistir à seção das 10h, neste horário mamãe permitia ir para o cinema sem a presença de uma pessoa mais velha. No Cine Plaza gostava de assistir no primeiro andar, pois dava um charme maior, ou talvez o som era melhor. Já quando namorava, guardar a cadeira para o namorado era costume certo e se fosse uma película boa nem se fala a confusão para não permitir que guardasse a cadeira era grande, até o proprietário do cinema vinha questionar. Aqui vale recordar os nomes dos proprietários dos cinemas : os irmãos Otacíllio e José Almeida, dos cines Eldorado e Capitólio, e Expedito Costa, do Plaza. É bom destacar também que era proibido beijar e abraçar dentro do cinema, os comissários ficavam observando, quando flagrava se aproximavam dos afoitos e pedia que se comportassem, caso contrário teriam que sair do cinema. Gritaria, bagunça, assovios, tudo isso levava a suspender a projeção e as luzes imediatamente acendiam, depois da calmaria, voltava à projeção. Uma coisa inesquecível e ao mesmo tempo engraçada ocorria quando passava fita da Condor Filmes, cuja logomarca era exatamente a sua ave símbolo. Quando a vinheta inicial do filme aparecia os jovens (e até adultos) entoavam em coro xô, xô, xô, xô, como se estivessem enxotando a ave, cuja imagem projetada na tela (confira na foto) aparecia pousado em uma rocha e logo alçando voo, fazendo uma curva no ar formando no céu a palavra “Apresenta”, e em seguida, surgia na tela a frase CONDOR FILMES. Isso foi muito comum na década de 60 quando os cinemas em Juazeiro estavam sempre lotados.
Quando estava passando filmes bons não pestanejava, saía de um cinema e corria para o outro, algumas vezes não continha o sono e cochilava, de vez em quando recebia uma cutucada, e ouvia aquele som bem baixinho: acorda! Ah! Que mudanças! Que transformações! A galera foi dimensionando o prazer para outros divertimentos e o cinema foi ficando de escanteio, o público foi diminuindo, as grandes fitas não traziam mais o público esperado, a decadência chegou e com isso muitos sonhos acalentados, muitas ilusões construídas dentro das salas destes cinemas foram embora com o tempo, quem sabe se foram realizados. Hoje o que temos aqui, em Juazeiro, no Shopping duas salas de cinema, de vem em quando lotam com filmes bem badalados, mas o apogeu que já aconteceu, de uma sala com 1.200 poltronas totalmente tomadas, jamais! Fica aqui registrada a saudade de um tempo que vivi e aproveitei.



E-MAILS RECEBIDOS
1)Querida Prima: Você sempre surpreende com tantas lembranças boas. Suas recordações sobre o guisado me reportou ao tempo tão bem vivido da minha infância, como era bom o dia do guisado e o aniversário das bonecas, os presentes dados era sempre de sabonete Lux. Madrinha Iara, artista em roupas de bonecas, me levava aos Domingos à casa dela e fazia roupas belíssimas para minhas bonecas. Que tempos bons...
Obrigado por me fazer recordar tantas coisas caras.
Lúcia Macedo, Fortaleza.
RESPOSTA: Lúcia, prima e amiga: a satisfação é toda minha em trazer belos momentos que já vivenciamos. E Iara ficou feliz em saber que você ainda lembra dos vestidos que ela fazia para suas bonecas e dos dias que passava em sua casa brincando de bonecas.

2) Neuma: Você me fez recordar grandes momentos da minha infância onde também
fazíamos muitos guisados aí na Rua São José, eu com as minhas irmãs e vizinhas.
Aos domingos sempre acesso o blog do Jua online, mas, cá para nós,
corro logo para a sua coluna, adoro!
Quero agradecer o livro que você nos enviou, e mais ainda a felicidade
que temos por fazer parte de sua história. Um grande beijo a todos e em especial a madrinha Almeida.
Diana Marques Ribeiro Rafael, Fortaleza
RESPOSTA: Diana, é maravilhoso relembrar coisas e acontecimentos que nos fizeram bem. Mexi com as suas lembranças e lhe trouxe belas lembranças. Continue assídua na leitura deste blog. Você não tem que agradecer o livro porque você faz parte dele.

Missa de Assis Ferreira - 7 dias

A família de Francisco de ASSIS FERREIRA dos Santos convida todos os seus amigos para se fazerem presentes à Missa de 7.º Dia que será celebrada no dia 19/02/11, às 17:30, na Basílica Menor de N. Sra. das Dores.
MARIA DE OLIVEIRA DOS SANTOS
LEONARDO OLIVEIRA SANTOS
ANDRÉ OLIVEIRA SANTOS
JULIANO OLIVEIRA SANTOS
LUCAS OLIVEIRA SANTOS

Missa de João Barbosa - 30 dias

"A FAMÍLIA DE JOÃO BATISTA DE MENEZES BARBOSA (JOÃO BARBOSA), CONVIDA PARA MISSA DE 30º DIA QUE SERÁ REALIZADA NA BASÍLICA MENOR DE NOSSA SENHORA DAS DORES ÀS 17HORAS DO DIA 21, SEGUNDA-FEIRA.
DESDE JÁ, A FAMÍLIA AGRADECE AOS QUE SE FIZEREM PRESENTE A ESTE ATO DE FÉ E SOLIDARIEDADE HUMANA."

Novo médico juazeirense


Natural de Juazeiro, o médico Eduardo Araújo de Figueiredo, filho do casal Paulo Eduardo Figueiredo e Soneide Maria Nery Araújo de Figueiredo, diplomou-se na FMJ - Faculdade de Medicina de Juazeiro, em 2010, e logo em seguida volta para sua residência em Fortaleza. Mas, este mês retornou a sua terra natal para exercer a sua profissão, ampliando assim a oferta de atendimento clínico em nossa cidade.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Adeus de Assis Ferreira

Foi sepultado hoje, 15, no Cemitério Anjo da Guarda, em Juazeiro do Norte, o corpo de Assis Ferreira, o mais assíduo articulista do jornal Folha da Manhã, editado por Demontier Fernandes. Muita gente pensa que ele começou sua atividade jornalística neste jornal, pois nele estava há mais de 17 anos com texto invariavelmente publicado na última página. Mas a atividade jornalística de Assis Ferreira vem de mais longe. Em 1º de setembro de 1967 ele iniciava sua colaboração no jornal Tribuna de Juazeiro, editado por Aldemir Sobreira e já a partir daí registrava sua marca registrada na imprensa que era o de articulista mordaz. No começo de sua atividade jornalística assinava os textos com o nome de F. de A. F. dos Santos, sendo F de Francisco, A de Assis e F de Ferreira. Quem estava acostumado a ler seus artigos no Folha da Manhã de vez em quando encontrava uma crítica dele dirigida ao seu editor, reclamando entre outras coisas o deslize da Revisão nos seus textos. Isso não era novidade, pois na sua estreia no Tribuna de Juazeiro ele também não poupou uma crítica ao jornal, cuja distribuição dos assuntos não era de seu agrado. Assis era um crítico na verdadeira acepção da palavra. Nunca bajulava. Raramente elogiava, mas quando o fazia não economizava palavras. Seus textos no Folha da Manhã não compreendiam propriamente o formato literário de crônica (embora ele fosse um cronista). Dificilmente ele abordava apenas um assunto. Na verdade, era uma espécie de miscelânea na qual ele mesclava assuntos religiosos, familiares e políticos, mas sempre recheados de críticas e sugestões. Foi desse jeito que se tornou conhecido na cidade e sua morte causou profundo pesar. Seus amigos e admiradores compareceram em massa ao seu sepultamento. Assis era advogado, bancário aposentado do Banco do Brasil, casado com Maria Oliveira Santos, pai de quatro filhos e faleceu aos 71 anos de idade (completaria em 25 de junho próximo). Quarta-feira passada, 9, ele viajava de avião a São Paulo acompanhado do filho Lucas, a fim de assistir à colação de grau do filho André, em Química pela Universidade Federal de São Carlos. No percurso entre Brasília e São Paulo, alegre pelo sucesso do filho, mas nervoso pois temia viajar de avião (já dissera isso numa de suas crônicas), sentiu-se mal. Quando o avião pousou, ele já saiu numa ambulância direto para o hospital onde veio a falecer, na madrugada do dia 13, vitimado por infarto. Assis era leitor assíduo deste blog e aqui deixamos registrado o nosso voto de pesar pelo seu falecimento precoce. Sua ausência será preenchida pelo legado que deixou.