sábado, 30 de abril de 2016

Engenheiro caririense foi eleito presidente do ITA – por José Roberto Barreto Celestino

Na tarde de ontem na cidade de San Francisco, Califórnia,  com 56 votos dos 57 países aptos ao voto foi eleito Presidente da ITA International Tunnelling and Underground Space Association o engenheiro civil caririense Tarcísio Barreto Celestino. O ITA conta com  71 países membros.

Tarcísio estudou no Ginásio Santo Antônio de Barbalha, de onde foi, a exemplo dos seus irmãos mais velhos, estudar na cidade de  São Paulo. Graduou-se em 1972 em Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e tirou seus diplomas de MSc e Phd em Engenharia Civil pela Universidade da California Berkeley, em 1974.

Em 1975 voltou a trabalhar no seu primeiro emprego, a Themag Engenharia, aonde permanece até hoje como consultor de Mecânica das Rochas, tendo trabalhado nos projetos de fundações das maiores represas do Brasil e de túneis. Foi consultor de vários projetos em diversos países desenvolvidos do mundo. É professor e orientador de doutorado na área de Geotecnia na Universidade de São Paulo, Campus São Carlos.

Nosso pai, Antônio Correia Celestino, era um entusiasta da Nação Brasileira e colocou na cabeça dos filhos de que eles deveriam ser engenheiros porque o Brasil precisava de técnicos. Hoje penso que o meu irmão Tarcísio é esse modelo de técnico que meu pai sonhou..."

(*) José Roberto Barreto Celestino, engenheiro. Empresário e ex-vice-prefeito de Juazeiro do Norte.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Casamento dentro do Hospital Regional do Cariri está marcado para a próxima segunda

Com 36 anos, Sandra Raquel Nogueira Pereira sempre teve a vida cheia de lutas, conquistas e perdas. O que ela nunca perdeu foi a esperança de ter os sonhos realizados. Determinada, sempre buscou no trabalho como manicure e diarista uma forma de junto com o companheiro Sérgio, com quem vive há 16 anos, proporcionar aos três filhos melhores condições de vida melhor. A rotina da família mudou depois de 2015. Em setembro, após sentir dores no útero, buscou um médico e o resultado pegou todos de surpresa. Sandra foi diagnosticada com neoplasia no colo de útero.

A luta contra o câncer uniu ainda mais a família. Há cerca de quase dois meses ela está internada no Hospital Regional do Cariri, da rede pública do Governo do Estado em Juazeiro do Norte. No HRC, recebe todos os cuidados dos profissionais para aliviar as dores. Exames de imagem mostram que a doença já atingiu outros órgãos. Hoje Sandra já não tem mais condições de andar, mas mantém firme um sonho, o de casar no religioso. Mesmo diante do quadro de saúde, ela e o companheiro Sérgio decidiram casar dentro do HRC. A cerimônia, que está envolvendo toda a equipe que faz o acompanhamento dela, desde médicos, enfermeiros, assistentes sociais e diretores do hospital, está marcada para a próxima segunda-feira (2), às 10 horas, no espaço ecumênico do Hospital Regional do Cariri.

O vestido, o bolo e as alianças já foram providenciados, frutos de doações. “Sempre sonhei em casar diante de Deus. Eu e meu marido estamos juntos há 16 anos, casamos no cartório, mas como toda mulher, não me sentia completa sem ter a bênção de Deus, que é quem me dá forças para suportar o que venho enfrentando. Já até tínhamos pensado sobre o assunto, mas com pouco dinheiro e muita coisa para fazer, o sonho sempre era adiado. Agora, vou casar com o Sérgio e ter a certeza de que Deus está nos abençoando”, afirmou.

A assistente social do HRC, Ticiane Oliveira, que está à frente dos preparativos, destaca a importância desse momento de humanização para com a paciente e também toda a família. “Num momento de dor como esse, de sofrimento, a pessoa ainda tem forças para sonhar, por ter Deus ao seu lado. E como uma das premissas do hospital é a humanização, não tínhamos como deixar essa história, ímpar, passar despercebida", disse.

Serviço:
Cerimônia de casamento
Data: 02/05
Horário: 10h
Local: Espaço Ecumênico do Hospital Regional do Cariri, na Rua Catulo da Paixão Cearense, no triângulo Crajubar
Assessoria de Imprensa do Hospital Regional do Cariri
Raquel Oliveira (88) 3566.3627 / 3566.3600

Mais um patrimônio histórico destruído. Cadê o cruzeiro da virada do século?

No início da Avenida Lindalva Maria Rodrigues, que dá acesso à Rua do Horto, existia ao lado de um cruzeiro azul (foto do meio) um pedaço de madeira e pouca gente sabe que ele é o que restou do cruzeiro da virada do século XX  que foi afixado pelo Padre Cícero. conforme mostra a foto da esquerda em preto e branco. O cruzeiro do século XXI (o azul mostrado na foto do meio) foi afixado pelo Prefeito Mauro Sampaio. Para os romeiros o local era uma atração turística e religiosa porque muitos sabem que aquele velho pedaço de madeira era o que restou do cruzeiro que foi afixado pelo Padre Cícero. Muita gente fazia o sinal da cruz e até rezava quando passava por ele. Pois bem, com a construção da perimetral, que por sinal está muito bonita, o cruzeiro simplesmente desapareceu, conforme mostra a foto da direitra clicada ontem pelo Portal de Juazeiro.

Gente, cadê o cruzeiro? Ele é um simbolo e faz parte da história de Juazeiro. Coisas assim só acontecem aqui porque a lei que disciplina o tombamento do patrimônio histórico não funciona, embora exista.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

MAIS DE 1.200 VAGAS SÃO OFERECIDAS NO VESTIBULAR 2016/2 DA URCA

A Universidade Regional do Cariri (URCA) recebe a partir de hoje, 27 de abril, as inscrições para o seu Vestibular 2016/2. Os interessados podem se inscrever até o dia 18 de maio. A taxa de inscrição custa R$ 120.
Estão sendo oferecidas 1.210 vagas distribuídas entre os cursos ofertados no campus de Juazeiro do Norte, além das unidades descentralizadas de Campos Sales, Crato, Iguatu e Missão Velha. Os candidatos farão as provas em 25 e 26 de junho, com início em ambos os dias às 13 h e duração de quatro horas. Os locais de prova serão liberados no dia 20 anterior, por meio do Cartão de Identificação.
No primeiro dia, serão aplicadas 60 questões objetivas de Física, Matemática, Química e História. No dia seguinte, será a vez de mais 60 perguntas de múltipla escolha, formadas pelas disciplinas de Biologia, Geografia, Língua Portuguesa/Literaturas Brasileira e Portuguesa, Língua Estrangeira, além da confecção de uma Redação.
O resultado está previsto para sair em 22 de julho. Caso ainda restem vagas, novas convocações deverão ser realizadas. Para mais detalhes, acesse o Edital, o site da Universidade ou entre em contato com pelo telefone (88) 3102.1276 ou e-mail vestibular@urca.br .

sábado, 23 de abril de 2016

Cearense traz Literatura de Cordel 'antifascista' à Bienal do Livro de Minas Gerais

Pai e filho conduzem a "modesta" Editora Memorial do Cordel
Eles são pai e filho. Vieram de carro de Juazeiro do Norte até Belo Horizonte. Enfrentaram mais de trinta horas de estrada para apresentar as publicações da Editora Memorial do Cordel na Bienal do Livro de Minas. O sucesso é tamanho que os expositores já venderam cerca de 60% dos cordéis que trouxeram na mala.

Um, aos “quase setenta anos”, faz o tradicional: narra as histórias dos homens da terra de “meu ‘Padinho’ Padre Cícero”. Abraão Batista conta que faz Cordel desde muito jovem, quando tomou gosto pelo gênero ao ouvir de sua mãe histórias como “Pavão Misterioso”. 

“Gosto de contar a história do homem, do sertão, do campo. Eu sou especialista no cotidiano, e bato nos políticos”, conta o nordestino.

Já o filho, Hamurábi Batista, prefere se aventurar pela história do Brasil, ao relatar biografias de presos, torturados e mortos pela Ditadura Militar brasileira, e contá-las dentro de seus cordéis. Pendurados ao melhor estilo, com pregadores e cordinhas esticadas em meio a fitinhas do Senhor do Bonfim, seus cordéis estampam na capa nomes e fotos de figuras emblemáticas do Período Militar.

“Depois de perceber que o cordel tinha um discurso machista, misógino e homofóbico, pensei que era hora de fazer diferente, e mudar essa realidade. Resolvi contar a verdadeira história dos presos e mortos pela Ditadura, fazendo um cordel antifascista”, relatou Batista.

A força do cordel
De forte tradição no nordeste brasileiro, o espaço da modesta editora comandada pelos dois tem feito sucesso entre o público da Bienal. Devido ao preço baixo (variam de R$1 a R$10), e pelo interesse, pai e filho voltarão ao Ceará com bem menos do que trouxeram para vender.
Quem sabe se Adão e Eva não eram poetas? - Abraão Batista, cordelista

O sucesso, afiança Abraão, é devido ao novo status do cordel. Se um dia foi lido apenas pelo homem do campo, o trabalhador braçal, hoje ele é urbano. “Com a evolução dos tempos, o Cordel é urbano. Hoje nós temos crianças, adolescentes, estudantes, professores, estudiosos, colecionadores. Um leque imenso de leitores. Inclusive aqui foi acima das nossas expectativas”.

O cordelista afirma, ainda, que o cordel é uma forma de se contar a história de modo diferente dos historiadores e dos jornalistas. “O cordel é uma forma de jornalismo inverso”, diz. “O cordelista tem vantagens sobre o jornalista, porque o jornalista é uma criatura acadêmica. Por essa razão ele tem medo do ridículo, e nós não temos. É no cordel que você vai encontrar a verdadeira história do Brasil. Nós ainda não sofremos lavagem cerebral”, brinca.
Abraão desmonta a história: "Não tem nada de Portugal e Espanha. Cordel já é citado na Bíblia, no Livro de Jacó"



Quebra de paradigma
Hamurábi Batista tinha tudo para seguir os trilhos do pai. Na verdade, até seguiu, mas fazendo algumas curvas ao que rege a tradição. Rompendo barreiras, trouxe para a Literatura de Cordel uma face menos arraigada, deixando de lado histórias machistas e preconceituosas por tradição, e decidiu lutar pela causa que acreditava.

“Sempre observei aquela história mentirosa que ensinavam a gente na história. Peguei os anos de chumbo na infância, nasci no ano do Médice. E na adolescência era justamente o período de transição onde se ensinava cada mentira absurda na escola. Quando percebi, subiu uma revolta muito grande”, contou.

E na adolescência era justamente o período de transição onde se ensinava cada mentira absurda na escola. Quando percebi, subiu uma revolta muito grande. - Hamurábi Batista

Nas capas de seus cordéis, traz nomes como Lamarca, Marighela, Stuart Edgard Angel Jones, Zuzu Angel, e, em breve, pretende escrever um sobre a Presidente Dilma Roussef. A inclusão de nomes femininos se deu, inclusive, por uma queixa da filha, que apontou a falta de mulheres em suas histórias. “Estou esperando este circo todo acabar para escrever sobre ela e o golpe”, diz, referindo-se ao Impeachment da Presidente.

“Tenho uma filha militante negra-feminista-LGBT. E ela me cobrou escrever sobre mulheres. Aí fiz uma campana e em oito dias eu escrevi nove cordéis de mulheres vítimas da Ditadura Militar”.

A série de cordéis que escreve é responsável por boa parte do sucesso da dupla na Bienal do Livro de Minas, e leva o nome de “Porões da Ditadura”. Nela, Hamurábi leva o cordel ao contexto da tortura e morte do Regime Militar. “Gosto de contar a história. Sou um jornalista do cordel, mas sou também um historiador. Prefiro escrever a história, sou um historiador do cordel”, finaliza.
César Augusto Alves/Fotos de: Flávio Tavares

Juazeiro sediará nova etapa do ciclo de encontros e partilha de saberes de mestres da tradição

Uma nova etapa do primeiro ciclo de encontros e partilha de saberes de mestres da tradição será realizada dias 25 e 26 no Centro de Arte, Cultura e Educação Marcos Jussier na Rua Antônio Valter Honorato Teles no bairro Pirajá em Juazeiro do Norte. A iniciativa da Universidade Federal Fluminense e Ministério da Cultura conta com os  apoios da Prefeitura de Juazeiro por meio da Secretaria de Esporte, Juventude e Cultura e da Universidade Federal do Cariri. Trata-se de mais uma ação do projeto prospecção e capacitação em Territórios Criativos.

Segundo o titular da SEJUC, João Severo, o objetivo é dar visibilidade à produção dos mestres e brincantes da tradição no Cariri. Segunda e terça-feiras a programação  ficará  a cargo de Mestre Nena e da Mestra Maria sempre das 8 horas ao meio dia. O primeiro é Francisco Gomes Novaes, fundador do grupo Bacamarteiros da Paz há dez anos que, nas suas práticas, vivencia o reisado, a banda cabaçal e o palhaço Mateus.

Já a Mestra Maria é participante do grupo Bacamarteiro Padre Cícero ligado a gênese dos bacamarteiros e sua mística nas festas populares quando vivencia o Maneiro Pau Padre Cícero, tido como um dos mais tradicionais do Cariri. Uma nova etapa acontece nos dias 27 e 28 de abril com o Mestre Bigode & Contramestre Antônio Evangelista. As etapas anteriores foram nos dias 11 e 12 de abril com a Mestra Vicência e, nos dias 13 e 14 de abril, com o Mestre Cachoeira & Mestre Expedito.