quinta-feira, 23 de março de 2017

Para o antropólogo Carlos Steil, a reconciliação de Padre nem começa e nem termina num documento da Igreja

      O conferencista da noite desta quinta-feira no V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: "Reconciliação... e agora?" foi o professor e antropólogo Carlos Alberto Steil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Ele falou sobre "Caminhos da Reconciliação no Juazeiro do Padre Cícero para uma platéia que teve dentre os presentes o teólogo Leonardo Boff, que será o conferencista das 15 horas desta sexta-feira sobre o tema: "Padre Cícero à luz do Papa Francisco".

      Para Carlos Steil, a reconciliação nem começa e nem termina num documento expedido por meio de uma autoridade da Igreja, mas envolve muitos do passado e a todos nós já que não dá para pensar na questão colocando-se do lado de fora. Ele considerou que o caminho foi aberto e não poderá se fechar após definir o Padre Cícero como o santo mais popular do país. Segundo declarou, o sacerdote não se deixou seduzir pelo projeto de modernização e romanização imposto pelo clero reformador.

      O conferencista disse mais que Padre Cícero não se envergonhou do primitivismo e procurou se inserir na cultura do povo pobre cuidando e amando a todos sem jamais trair sua consciência após escolher Juazeiro para sua missão. Mesmo assim, Carlos Steil observou que a reconciliação impulsiona a ação de Padre Cícero no seio da Igreja como sacerdote que foi na defesa de um projeto que incluiu os pobres na modernidade indo de encontro às elites.

      Em meio aos debates, a Irmã Annette Dumoulin lembrou que, durante 19 anos de vida sacerdotal, Padre Cícero gozou da estima dos dois primeiros bispos do Ceará no caso Dom Luiz e Dom Joaquim Vieira por conta do modelo de evangelização. Depois, passou a ser mal visto e até condenado. Antes de encerrar sua conferência, Carlos Steil revelou que quando está em Juazeiro é contaminado pela paixão e observou que as coisas acontecem com bastante velocidade por aqui.

Romarias de Bom Jesus da Lapa e de Juazeiro e a experiência do Caldeirão no Simpósio de Padre Cícero

      A professora Maria Lucia Alves, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, estabeleceu um contraponto entre as romarias em Bom Jesus da Lapa (BA) e Juazeiro do Norte na manhã desta quinta-feira no V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: "Reconciliação... e agora?". Pela primeira vez em Juazeiro, ela disse que conhecia apenas pela literatura e reportagens e confessou sua emoção dizendo ser preciso conhecer de perto o lugar para perceber o misticismo.

       Nascida em Bom Jesus, lembrou que as peregrinações ali tiveram o dedo do Monge Francisco e, em Juazeiro, de Padre Cícero. Sua pesquisa de mestrado baseou-se no catolicismo oficial e popular, enquanto a de doutorado teve como foco o pluralismo religioso. Sobre Juazeiro, considerou o tema “reconciliação” controverso e polêmico e, mais à frente, observou que “se não fosse a beata, não teria o milagre”. Na terra de Padre Cícero viu que os lugares sagrados são distintos e distantes.

       Quanto a Bom Jesus, comparou tratar-se de um circuito com 15 grutas em torno de um santuário e onde uma catedral está sendo construída. Entretanto, nesses dois contextos observou que os “santos” locais dividem espaços com os santos romanizados. O Tema central da Mesa Redonda foi: "Apropriações e usos: Cultura, ecologia e economia" e teve como expositor o professor Edin Sued Abumanssur, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

       Após afirmar que, para alguns no Brasil, romaria é turismo de pobre, ele traçou comparativos entre tipos de peregrinações classificando as de Juazeiro como de destino final e local de força montado na razão maior da visita “não importando como chegar e sim chegar”. O outro seria mais pontuado na maneira como se chega sendo a razão da peregrinação sem observar uma importância maior para o lugar, passando apenas na porta do santuário e indo para as baladas.

      Membro da Pastoral da Terra da Diocese de Crato, o padre Vilecy Basilio Vidal fez referências às romarias ao Caldeirão do Beato José Lourenço em Crato após considerar que o tipo de visão religiosa do Padre Ibiapina influenciou o Padre Cícero. Nesse aspecto, lembrou os conselhos do sacerdote caririense no sentido de tornar cada sala um oratório e cada quintal uma oficina. Ou seja, oração e trabalho a exemplo do que ocorria na comunidade do Caldeirão.

      De acordo com o padre Vilecy, o sítio chegou a reunir cerca de 400 famílias e algo em torno de duas mil pessoas dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável com forte apelo religioso, fartura, alegria e exemplo ecológico para o Nordeste. Na reta final da manhã houve mais um Testemunho à “Sombra do Pé de Juá” com Mestres da Cultura Popular. No início da tarde, os Minicursos: Arquivos e pesquisas sobre o Padre Cícero: uma "cronogenealogia" para o grande acervo com Renato Casimiro e “Um olhar em preto & branco sob a luz de Juazeiro” com Nívea Uchoa.
Assessoria de Imprensa

Professora norte americana palestra sobre a idéia do romeiro em torno do contexto da reabilitação de Padre Cícero

A conferencista da tarde desta quarta-feira no V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: "Reconciliação... e agora?", foi a professora Candace Slater da Universidade de Berkeley (USA). Ela costuma fazer levantamentos minuciosos sobre as expressões dos romeiros que visitam Juazeiro do Norte e, ultimamente, tem procurado ouvir respostas dos peregrinos sobre esse novo contexto que foi o tema central de sua fala. Como sintetizou, no final das contas o que importa para eles é a sua relação de bem estar com o “Padim”.

     A pesquisadora tratou de reproduzir um pouco sobre o sentimento dos romeiros nessa convivência religiosa dentro dos novos fatos. A crença forte que Padre Cícero é um santo, não se separa dos peregrinos como voltou a atestar e o professor e historiador, Renato Casimiro, acrescentou que o povo já canonizou o sacerdote. Enquanto isso, a Irmã Annette Dumoulin observou quanto ao receio externado pelos fiéis de que a Igreja se aproprie e lhe tome o seu santo.

       Para o bispo emérito da Diocese de Crato e presidente de honra do evento, dom Fernando Panico, Padre Cícero já está dentro do templo vivo que é o coração do romeiro. Ele elogiou a exposição feita pela professora Candace Slater sobre o tema da reconciliação e acrescentou que “Padre Cícero é uma maravilha de Deus nas nossas vidas”. Para Dom Fernando, chegará um dia em que a misericórdia fará justiça. Ao término da conferência, aconteceu a performance musical "Afilhados do Padrinho" e Show do Poeta Zé Viola.

       Na noite desta quarta-feira, houve uma sessão solene da Câmara para a outorga de títulos de cidadania ao bispo da Diocese de Crato, dom Gilberto Pastana e oito sacerdotes. Já na Mesa Redonda das 08h30min desta quinta-feira estará o professor Edin Sued Abumanssur, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o qual falará sobre: "Apropriações e usos: Cultura, ecologia e economia". No final da manhã, mais um testemunho à “Sombra do Pé de Juá” com Mestres da Cultura.
Assessoria de Imprensa

quarta-feira, 22 de março de 2017

Arcebispo de Maceió aponta semelhanças entre os princípios de Padre Ibiapina e Padre Cícero

    Para o Arcebispo de Maceió (AL), dom Antonio Muniz Fernandes, Padre Cícero não está desligado do princípio apostólico do Padre Ibiapina e suas vidas se cruzam. A afirmação foi feita na manhã desta quarta-feira durante a Mesa Redonda: "Romeiras e Romeiros: Juventude e Gênero" no V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: "Reconciliação... e agora?", que acontece em Juazeiro. Os debatedores foram os professores Sávio Cordeiro e Adriana Simião da Silva (URCA) e Maria das Graças de Oliveira Costa Ribeiro (IFCE).

     Não obstante ter sido um grande nomes do clero nacional, Dom Muniz observou que Ibiapina foi esquecido ao passo que a nação romeira jamais esqueceu o padre caririense. Conforme o Arcebispo, ele foi afastado da cena e renasceu pela devoção e admiração de estados próximos quando o Ceará foi junto. Dom Muniz defendeu ainda um resgate das figuras superioras da Casa de Caridade que, como disse, o Padre Cícero escolhia de forma exemplar.

       Na sua fala, a professora Maria das Graças discorreu sobre as cartas que chegam para o Padre Cícero em Juazeiro enviadas por pessoas de vários lugares do pais que não puderam vir. Os conteúdos são de desabafos, pedidos por meio da intercessão do sacerdote junto aos santos e agradecimentos chamando a atenção para um grande número de correspondências de jovens. São desde apelos para se livrar da feiúra ou aprovações em concursos, quanto ligadas a relacionamentos até homoafetivos ou de políticos que almejam vencer eleições.

     Já o professor Sávio Cordeiro opinou que a romaria tem muito de sacrifícios pessoais e, na sua exposição, considerou o avanço dos evangélicos como “agressivo, inescrupuloso e mercantil”. Antes, a professora Adriana Simeão tratou sobre a pesquisa em torno das experiências sócio religiosas das mulheres que vem ao Juazeiro a qual transformou no livro: “Vidas e Romarias”. Ela confessou encantamento com o caldeirão das manifestações dentro de práticas de um catolicismo popular que remonta ao tempo de Padre Cícero.
Assessoria de Imprensa

Peregrinações pelo mundo motivaram debate sobre romarias e turismo religioso no Simpósio de Padre Cícero

     Pela primeira vez no Brasil, que ouvia falar apenas por conta do futebol e do carnaval, o Antropólogo John Eade da Universidade de Roehampton em Londres foi o conferencista da noite desta terça-feira no V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: "Reconciliação... e agora?". O evento é promovido pela Universidade Regional do Cariri (Urca) e ele falou sobre o tema: “Novos caminhos em estudos de peregrinação: desenvolvendo uma abordagem global”

     Como disse, a Igreja quer promover peregrinações mesmo reunindo grupos de pessoas de diversas crenças fazendo menções a locais de devoção como, por exemplo, o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes na França e os caminhos de Santiago de Compostela no noroeste da Espanha. De acordo com John Eade, muito promovidos pelo conselho europeu e apresentando uma diversidade de peregrinação onde o que interessa é a energia do caminho.

      Para o conferencista, são vários os motivos e interpretações na jornada desde suas residências aos locais de devoção. Ele já escreveu um livro sobre peregrinações na Europa e observou a necessidade de todas serem bem vistas no Cristianismo que está mudando no contexto mundial. A palestra do Antropólogo causou uma provocação do bispo emérito da Diocese de Crato e presidente de honra do simpósio, dom Fernando Panico. Para ele, o desafio dos próximos eventos é procurar distinguir sobre romarias e turismo religioso.

      O mesmo confessou que se questiona muito quando vê a realidade no Nordeste com muita gente pobre nos caminhos até com penitencia corporal enfrentando viagens longas e desconfortáveis, porém sempre com alegria: rezando e cantando nas estradas. Ele disse que esteve em Brasília para tentar compreender melhor esse contexto, mas percebeu que o Ministério do Turismo não detém interesse por romarias e sim o turismo que pressupõe o capital.

      Nessa vertente, John Eade destacou os diferentes tipos de peregrinações e até questionou se uma local poderia se tornar global. Já o Antropólogo Carlos Steil, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, observou que as peregrinações tem um efeito transversal e se faz presente nas romarias tradicionais como em Juazeiro diante de características comuns. O conferencista historiou sobre a origem das peregrinações em que os teólogos eram hostis e questionavam se a pessoa não poderia fazer tudo no seu local de origem.

       Para esta quarta-feira, dia 22, o palestrante da Mesa Redonda das 08h30min, no Memorial Padre Cícero, será o Arcebispo de Maceió (AL), dom Antonio Muniz Fernandes que falará sobre "Romeiras e Romeiros: Juventude e Gênero". Já às 16 horas a conferência será da professora Candace Slater, da Universidade de Berkeley (USA), a qual falará sobre: "Algumas respostas dos romeiros à reconciliação". No período da noite haverá a cerimônia de entrega de títulos de cidadão juazeirense ao Bispo Dom Gilberto Pastana e mais oito sacerdotes.

ASSESSORIA DE IMPRENSA

terça-feira, 21 de março de 2017

Simpósio de Padre Cícero é aberto diante de um Memorial lotado e conferência de dom Fernando, Bispo Emérito da Diocese de Crato

Na abertura do V Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero: "Reconciliação... e agora?", o bispo emérito da Diocese de Crato, dom Fernando Panico, não escondeu o orgulho quanto à sua ativa participação no processo que resultou na reconciliação do sacerdote. “Aqui vim, também, como romeiro e Deus escolheu a mim para fazer a defesa do Padre Cícero”, disse ele que é o presidente de honra do evento e foi o responsável pela conferência magna de abertura na noite desta segunda-feira.

       O auditório do Memorial Padre Cícero acolheu um grande publico e abertura foi antecedida por apresentações culturais. Dom Fernando fez um relato sobre todos os simpósios os quais considerou “de interesse permanente e relevante” ao reunir pessoas e saberes de diferentes áreas do conhecimento. No entendimento do conferencista, colaboram para a compreensão mais aprofundada em torno dessa questão sócio religiosa de Juazeiro “à luz da ciência e em busca da verdade”.

      Ao historiar os fatos relacionados com a transformação da hóstia em sangue na boca da beata Maria de Araújo, ele considerou que o então bispo do Ceará, dom Joaquim Vieira levou sua versão para o Santo Ofício como se fosse verdadeira. Como disse, por mais provas que a comissão de inquérito apresentasse não o satisfazia ou convencia. Já nessa nova etapa, lembrou o pedido do então cardeal Joseph Ratzinger e, depois, Papa Bento XVI pela retomada dos estudos em torno da questão.

      Foi quando dom Fernando constituiu uma comissão de estudiosos de diversos lugares do Brasil e áreas do conhecimento para compreender melhor os fatos “dentro de um trabalho honesto”. Na sua conferência, definiu como dever cumprido no comando dessa responsabilidade. “Aqui está o dedo de Deus na história de Juazeiro, do Padre Cícero, da beata e do fenômeno das romarias”, observou acrescentando que, em 2004, o simpósio igualmente promovido pela Universidade Regional do Cariri já tinha o apoio da Diocese.

       Para ele, significava o reconhecimento da Igreja no âmbito local e avaliou como conseqüências o avanço das concepções acadêmicas sobre a figura do Padre Cícero. Citou ainda a abertura plena dos arquivos da Cúria Diocesana com mais de três mil documentos à disposição de todos. Como definiu, o início do seu pastoreio em 2001 tratou de fazer justiça aos romeiros no que diz respeito à sua devoção ao Padre Cícero, “os quais foram chamados de fanáticos e hereges pela própria Igreja”.

       Coube ao prefeito de Juazeiro, José Arnon Bezerra, acolher os participantes e parabenizou a universidade considerando um brinde ao município “quando atrai muitos que vem de longe nos ajudar a conhecer melhor esse homem”. Ainda sobre Padre Cícero, destacou suas ações em nome da educação, reforma agrária, geração de emprego, estímulo ao artesanato e a preocupação com o meio ambiente. Já em nome do governador Camilo Santana, que se encontra no exterior, o reitor da Urca, Patrício Melo, fez a abertura oficial.

       Em seu discurso comentou sobre a preocupação da comissão organizadora instituída pela universidade no sentido de reunir cabeças pensantes daqui e de fora para debater a temática. Para ele, a história de Padre Cícero se entrelaça com a de todo o Cariri tendo sido responsável pela mudança na história da região no início do século XX. Quem também fez uso da palavra foi o bispo da Diocese de Crato, dom Gilberto Pastana observando que o Padre Cícero é uma das raras pessoas jamais esquecidas após a morte.

      Como disse, 83 anos depois do seu falecimento a lembrança é cada vez mais crescente “em virtude de todo esse sentido histórico na cultura do povo nordestino, despertando o interesse da comunidade acadêmica e da mídia em geral”. Na opinião do pastor, uma personalidade rica, que tinha muita visão de futuro e das mais estudadas no Brasil e exterior. Coube a deputada estadual Fernanda Pessoa representar a Assembléia Legislativa e ao presidente da Câmara, Gledson Bezerra, representar o poder legislativo municipal.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Falecimento da Professora Antélvia Cândido

Faleceu hoje, em Juazeiro do Norte, a conhecida professora Maria Antélvia Cândido. Ela era formada em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia  Católica de Fortaleza, com curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal do Ceará. Foi durante muito tempo professora de Didática da antiga Faculdade de Filosofia do Crato. Antélvia era nome de realce na área educacional do Cariri e do Ceará. Muito dinâmica e versátil, ministrou diversos cursos na área educacional, ocupou vários cargos públicos e enquanto gozou de saúde teve presença constante em solenidades educacionais e culturais realizadas em nossa cidade. O velório ocorre no  Anjo da Guarda e o sepultamento será hoje às 16 horas, após celebração de missa.