Texto
bíblico: Jo 3, 16 – 18
Data:
31 de maio
Dom
Samuel Dantas, OSB
Destas palavras ditas por nosso Senhor pode-se
concluir como absolutamente certo que há um Pai a quem o Filho se dirige e que,
portanto, há também um Filho que se dirige ao Pai. Temos, portanto, duas
pessoas claramente distintas uma da outra. Depois destas palavras registradas
no capítulo 17 do Evangelho de são João, leem-se estas outras não menos
significativas: “Que todos sejam um, como tu Pai estás em mim e eu em ti”. (Jo
17, v. 21) Logo, depois lemos: “Para que sejam um como nós somos um. (Jo 17, 22)
Jesus
diz que o Pai está nele e ele no pai, e que ambos, ele e o Pai são um. Ora, se
o pai é Deus, e ele nos diz ser um com o Pai, que havemos de concluir senão que
ele também é Deus, mais precisamente Deus Filho? Voltemos ao início do capítulo
17. “E agora Pai, glorifica-me com a glória que eu tinha junto de ti antes que
o mundo existisse. .(Jo 17, 5) Mais a frente lemos: “pois me amaste desde antes
da fundação do mundo”.
Se
o Filho possuía uma glória antes que o mundo existisse (Jo 17, 5) e se era
amado antes da fundação do mundo, de acordo com o verso 24, isso significa que
existia antes que o mundo fosse criado, do que forçosamente se conclui que era
Deus. Eis pois provada a natureza divina do filho através de suas próprias
palavras. Foi Jesus mesmo quem nos revelou que ele tem a mesma natureza do Pai,
de quem é o Filho único desde toda eternidade.
Como,
pois, apenas a condição divina do Filho e do Espírito foram e são ainda negadas
pelos inimigos da fé ou por aqueles que não a compreenderam direito, recorramos
uma vez mais a autoridade da Sagrada Escritura para a demonstra-las. Nela lemos
que no princípio o Espirito de Deus pairava sobre as águas, o qual só pode ser
o Espírito Santo. Se estava no princípio, quem vacilará em admitir e crer que é
Deus? Sobre o Filho, que no início do Evangelho de João, é chamado de Verbo,
lemos que era no princípio, assim como o Espírito, e que ademais disso, que era
Deus. É evidente pois, que na Escritura
há o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e que os três, embora pessoalmente
distintos um do outro, são Deus. Ensinando, pois, claramente a Bíblia que há um
só Deus, não pode a fé verdadeira e a sã doutrina admitir a existência de três
deuses, o que vai contra a sã doutrina. Este Deus único a quem unicamente se
deve adorar louvar e glorificar, este Deus que no princípio criou o céu e a
terra, este Deus que tudo dispôs com medida, número e peso, este Deus cuja
providência jamais falha, é o Pai, o Filho por ele gerado desde sempre e o
Espírito do Pai e do Filho que desde sempre procede de ambos. Eis aí o máximo
mistério da fé que professamos e perante o qual cumpre que nos prostremos em
atitude de humilde adoração. Que ninguém tenha, pois, a pretensão de o
compreender, pois se tal fosse possível, Deus já não seria mais Deus. Não
podendo, pois compreender o que nos foi revelado pela vinda do Filho e a efusão
do Espírito Santo creiamos, certos de que Deus, sendo a verdade suprema não poderia
jamais se enganar nem nos enganar.
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

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