quinta-feira, 1 de novembro de 2012


Juazeiro do Norte sediará congresso internacional da FolkComunicação


      
O município de Juazeiro do Norte vai sediar um congresso da FolkComunicação já agendado para o período de 26 a 29 de junho do próximo ano, provavelmente no Memorial Padre Cícero. A informação foi dada pela professora aposentada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luitigarde Cavalcanti Barros, ao receber homenagens das Diocese de Crato em Juazeiro do Norte. Recentemente ela lançou a coleção “Padre Cícero Romão Baptista e os Fatos de Joaseiro”.

Luitigarde se constitui numa das maiores pesquisadoras sobre a história do Cariri com profundo conhecimento em torno das histórias de Padre Cícero e Juazeiro do Norte. A professora adiantou que o evento tem um caráter internacional e, na oportunidade, será lançado o livro “Metamorfose da Folkcomunicação – Antologia Brasileira”. Trata-se de uma disciplina científica com o objetivo de estudar a comunicação popular e o folclore na difusão de meios de comunicação de massa.

Na Intercom deste ano, o Grupo de Pesquisa em Folkcomunicação trouxe novidades na estrutura e nas pesquisas com atividades divididas em dois segmentos: o primeiro, para iniciar as reflexões, uma palestra da pesquisadora Luitgarde Cavalcanti Barros; no segundo momento, sessões com mesas temáticas onde os inscritos no GP apresentaram trabalhos. “A Folkcomunicação no Juazeiro do Padre Cícero” é o tema em que Luitgarde desenvolverá sua fala na linha de suas lutas pelos “marginalizados” e suas produções, no campo das ciências sociais, comprometidas com a realidade nordestina.

A palestra aborda os processos culturais que se afiguram como grandes formas de transmissão do saber e das idéias religiosas. Reflete ainda sobre os grandes movimentos humanos mobilizados por líderes de opinião e por mensagens veiculadas em mídias singulares no Juazeiro do Padre Cícero. Essa atividade faz parte das ações conjuntas do GP da Intercom com a Rede Folkcom e tem como objetivo mobilizar, a partir de já, os pesquisadores para a próxima Conferência Nacional de Folkcomunicação. (Demontier Tenório)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bagunça autêntica!


Juazeiro do Norte vive mais uma grandiosa Romaria de Finados. Os seus sinais estão por todos os lados. Romeiros chegam de ônibus, de caminhões pau-d’arara e até de bicicletas! Um ruge-ruge de chapéus de palha caminha pelas ruas centrais da cidade, camelôs nativos e de outras regiões ocupam as calçadas e as praças com suas barracas formando vários corredores labirínticos. O trânsito vai ficando cada vez mais caótico. O calor, insuportável.
      Resumindo, trata-se de uma autêntica romaria juazeirense. Apesar da desorganização causada pelo aumento abrupto da população, a grande marca deste período de visitação religiosa é a sua espontaneidade.
       O romeiro não se importa com o transporte desconfortável, com os ranchos precários ou com o Sol causticante. Claro que muitos reclamam dos gargalos da infraestrutura, mas nossos defeitos não são determinantes, senão as romarias não cresceriam todos os anos. O que importa para o romeiro é visitar a terra do seu padrinho.
      Contudo, a bagunça tem o seu limiar de tolerância. E exatamente pela crescente grandiosidade das romarias, medidas para tentar organizá-las são necessárias. Questões como violência urbana e exploração econômica estão em pauta. Assaltantes se aproveitam do emaranhado de barracas para praticar seus furtos. Neste mesmo emaranhado pode haver ligações clandestinas de energia, e um pequeno curto-circuito levaria a uma tragédia. Ranchos cobram preços exorbitantes oferecendo um serviço inadequado a um público já carente.
     Neste sentido, de melhorar as condições de recepção da cidade, governo do estado e prefeitura trabalham em conjunto. Várias obras e ações foram realizadas, mas ainda há muito o que fazer.
       E é justamente nestas ações de organização das romarias onde reside mais um desafio para Juazeiro do Norte. Será que uma romaria organizada em excesso perderia a sua espontaneidade? Afetaria o seu lado místico tão consagrado pelos nordestinos em várias décadas? Creio que um meio-termo é possível, basta buscarmos exemplos como a preservação das raízes africanas em Salvador, ou a tradição do frevo em Olinda. Estas cidades souberam adequar sua cultura nesses novos tempos de turismo profissional.
      Autenticidade com organização, meta a ser seguida pela Capital da Nação Romeira!


Saudades de Monsenhor Murilo

Neste 31 de outubro de 2012, se vivo fosse, Monsenhor Murilo estaria comemorando seus 82 anos de idade. Mas como já está ao lado de Deus, só nos restam as saudades que são imorredouras. Em homenagem a ele, Daniel Walker e Renato Casimiro inauguram hoje um novo blog sobre ele com muitas novidades que vale a pena conferir no endereço: 
Hoje seu túmulo na Basílica de Nossa Senhora das Dores está recebendo a visita de milhares de amigos e admiradores que para lá vão para fazer preces e levar flores. 

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Receptivo da SETUR a postos no acolhimento aos romeiros em Juazeiro do Norte


    Iniciada domingo e com término nesta sexta-feira, Juazeiro do Norte vive momentos de grande movimentação com a Romaria de Finados, que, até o final, deve atrair cerca de 500 mil fiéis ao município. O receptivo da Secretaria de Turismo e Romarias já foi montado sob a coordenação do titular da SETUR, José Carlos dos Santos, no sentido de garantir a melhor acolhida aos peregrinos. Ele vem mantendo contatos permanentes com as secretarias com essa intenção.
     As principais preocupações, conforme disse, estão relacionadas com a limpeza da cidade, ordenamento dos espaços públicos, segurança, organização do trânsito e a execução do plano operacional da saúde, incluindo ações da vigilância sanitária. Zé Carlos tem mantido ainda contatos com o gerente regional da Cagece, Expedito Galba Batista, no sentido de não deixar faltar água, principalmente nas áreas de maior concentração de romeiros. 
      Segundo disse, trata-se de uma festa diferente das demais por ser mais descentralizada e envolver mais o Santuário de São Francisco. Nestas terça e quarta-feiras, sempre a partir das 21 horas na Praça dos Romeiros, haverá apresentações teatrais com a peça “Padre Cícero, o Santo do Povo” sob a direção de Jean Nogueira. De acordo com o secretário, os acessos ao Santuário de São Francisco ficaram livres para os romeiros e os veículos pelo portão central. 
       Ainda por conta das obras do Roteiro da Fé, foram formados corredores para o comércio ambulante na praça dos franciscanos não sendo permitido marcar com tinta o chão da praça e nem bancas de alimentos as quais ficaram nas ruas Dom Pedro II e Monsenhor Esmeraldo da linha até próximo ao CSU. Já a Praça José Geraldo foi liberada para o comércio, bem como ao lado do muro da antiga Usina Zé Bezerra, mas deixando a Avenida Carlos Cruz desimpedida. 
       Em obras, as praças do Socorro e Carlos Jereissati (Memorial) ficaram fechadas a exemplo da frente do Memorial e parte da Praça José Sarney. O comércio foi liberado no restante dessa praça e na lateral da Capela do socorro, onde está sendo construída a capela mortuária. A comissão proibiu bancas na Praça Padre Cícero e fechou liberando para o comércio trechos da Rua do Cruzeiro - entre Padre Cícero e São José – e Monsenhor Juviniano Barreto além da São José. (Texto e foto de Demontier Tenório)

sábado, 27 de outubro de 2012

Cariri Revista nº 8

Já está circulando a edição nº 8 de Cariri Revista, a qual tem nesta edição, dentre outros,  os seguintes destaques:
A floresta cresceu, por Sarah Coelho, tendo como foco a Floresta Araripe: Mestre Françuli; nem o céu é o limite, por Claudia Albuquerque, fala sobre um inventor sertanejo que desde menino sonha com aviões, helicópteros, ultraleves, dirigíveis, balões e outros objetos voadores; Em busca do futuro perdido, por Tuty Osório, ensaia uma reflexão a respeito dos significados da política hoje através de depoimentos de quinze jovens de 16 anos moradores do Cariri e de Fortaleza e a matéria de capa A invenção do baião: uma fábula de suor e graça, por Claudia Albuquerque, sobre o centenário de Luiz Gonzaga, O Rei do baião.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Lançada Coleção de livros com documentos inéditos sobre Padre Cícero


 O prefeito de Juazeiro do Norte, Manoel Santana, dirigiu apelo ao Bispo Dom Fernando Panico por um empenho ainda maior no sentido de a Igreja fazer justiça ao Padre Cícero “um homem tão amado pelo povo”. O pedido foi perante a platéia que lotou o Memorial para prestigiar o lançamento da Coleção “Padre Cícero Romão Baptista e os Fatos de Joaseiro” na noite desta quinta-feira. Ainda se constituiu ato pelo Centenário de Juazeiro, sendo dois livros com um total de 1.400 páginas.
     O primeiro trata da “Questão Religiosa” e o outro sobre “Autonomia Político-Administrativa” reunindo cerca de 900 documentos inéditos que se encontravam em poder da Cúria Diocesana. Santana considerou o bispo como líder da nação romeira e atribuiu a ele feitos que já resultam em escritos diferentes sobre a história de Padre Cícero. Classificou de “seguros” os passos que o pastor dá em torno do processo de reabilitação do sacerdote e manifestou crença num resultado favorável de tudo isso.
     Minutos antes à fala do prefeito, o ex-governador do Ceará Lúcio Alcântara, presidente da Fundação Waldemar Alcântara que apoiou a iniciativa, disse que Dom Fernando tinha reconciliado a ortodoxia da igreja católica com a fé popular considerando este um “momento singular na história”. Ele lembrou sua ida ao Vaticano junto com a comitiva do bispo que foi entregar a petição na Congregação da Doutrina da Fé, solicitando a reabilitação de Padre Cícero.
      “Esperava que o pronunciamento da Congregação tivesse a mesma velocidade em que veio a condenação”, disse Alcântara diante dos aplausos da platéia. Já o bispo Dom Fernando falou que sua satisfação era apenas parcial revelando que ainda há documentos guardados há mais de século na Diocese sobre a questão religiosa de Juazeiro e promete divulga-los. “Não tem mais porque esconder e tudo vai chegar às mãos dos pesquisadores”, garantiu.
      Lembrou, também, sua primeira Carta pastoral “fazendo justiça aos romeiros”. Para ele, a partir de agora, a história não tem mais como ser distorcida “a não ser pelos maus intencionados”. O bispo revelou que já nutria admiração pela história de Padre Cícero bem antes de vir ao Cariri. Na solenidade de ontem, Dom Fernando comandou pessoalmente a entrega da Comenda Padre Cícero às pessoas que apoiaram à coleção lançada ontem.
      Foram agraciados com uma comenda em ouro o presidente do Sistema Fecomércio, Luiz Gastão Bittencourt, o ex-governador Lúcio Alcântara, o prefeito Manoel Santana, a irmã Annette Dumoulin e a professora Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros. Foi ela a responsável pela apresentação dos trabalhos falando em seu nome e do professor Renato Casimiro. Segundo disse, Juazeiro tem características que transcendem todas as características acadêmicas dentro desse conceito da chamada nação romeira.
     A cidade e o Padre Cícero, na visão dela, se tornaram o sonho de todos os desvalidos do sertão. “Foi o único homem que viveu exclusivamente para entregar à Nossa Senhora a dor dos desvalidos nordestinos e todos os outros que se socorriam dele”, justificou. A professor a Luitgarde observou igualmente que os dois livros trazem a público àquilo que a Igreja escondeu em um século e meio. Nesse sentido, o presidente do Sistema Fecomércio, Gastão Bittencourt, observou que tudo continuaria às escondidas e sem qualquer serventia se não fosse a ação do bispo dom Fernando Panico. (Texto e fotos de Demontier Tenório)