DÉCIMO SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM
Texto bíblico: Mt 13, 44 – 52
Data: 26 de julho
Cristo Senhor e salvador nosso compara o reino dos céus a três coisas: a um tesouro que estava escondido num campo e que um homem descobriu, a um comerciante que encontrou uma pérola de grande valor, e pôr fim a uma rede que se lança ao mar e que reúne peixes de toda espécie. Comecemos por esta última comparação. Na Igreja, segundo os mais doutos intérpretes da Escritura, há peixes de toda espécie. Ela reúne em si, como bem o demonstra a sua longa história, tanto o que é bom como também o que não presta. Dentro dela, exatamente como no mundo, há bons e há maus. Ao final da parábola do joio e do trigo o Senhor Jesus exprimiu o mesmo pensamento por outras palavras: “Apanhai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para queima-lo, mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.” (Mt 13, 30) Entre os apóstolos, houve um que o traiu!
Existe uma diferença básica entre o reino dos céus e os reinos terrenos. Aquele jamais há de passar, porque eterno como o mesmo Deus. Quanto aos outros, por fortes e poderosos que sejam, passarão. Quantos reinos que pareciam inabaláveis e indestrutíveis aos olhos dos homens, passaram sem deixar nenhum vestígio atrás de si! Passaram efetivamente os medos, os persas, os assírios, os babilônios, os gregos e os romanos!
Deste reino, sobre o qual Cristo nos fala neste domingo, lê-se em um Salmo: “O teu reino é um reino eterno.” A ele se referiu o profeta Daniel quando escreveu: “O Deus do céu levantará um reino que não terá fim.” Jesus disse dele várias coisas, entre as quais podemos aqui citar: “O reino dos céus sofre violência e são violentos os que o arrebatam”; “O meu reino não é deste mundo”; “Vinde benditos de meu Pai, tomai posse do reino que foi preparado para vós desde antes da fundação do mundo”.
Eis, o reino para o qual devemos nos preparar já desde esta vida presente e para entrar no qual tudo se há de fazer e tudo se há de suportar com heroica paciência se necessário for. Vale, pois, a pena fazer qualquer esforço para se conquistar este tesouro escondido no campo, e não devemos temer nenhuma fadiga para conquistarmos esta pérola de grande valor. Se muitos há que fazem todo tipo de esforço para lograr tesouros perecíveis que ao fim e ao cabo vão se perder, muito mais esforços devemos nós fazer, nós que cremos, para chegarmos ao reino dos céus, que o Senhor Jesus Cristo dará aqueles que estiverem a sua direita no grande dia do julgamento final.
Quando rezamos o Pai nosso, dizemos: “Venha a nós o teu reino.” Jesus exorta-nos a buscar este reino divino e eterno antes de tudo e mais que tudo, com as seguintes palavras: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e todas as demais coisas vos serão dadas em acréscimo.” Se Jesus disse que em primeiro lugar se deve buscar o reino, é que ele é o mais importante, o mais essencial, e em comparação a isso, tudo o mais deve ser considerado como secundário.
Não devemos, todavia, nos iludir nem enganar: “é preciso passar por muitas tribulações para entrar no reino dos céus”, disse o apóstolo São Paulo. Se todos querem entrar neste reino, será que todos querem fazer o que precisa ser feito por quem deseja nele ingressar?
Deus, que nos chama para o seu reino, mostra-nos o que devemos fazer e o que devemos evitar, para nele entrar. Empenhemo-nos, pois, em fazer o que nos foi mandado se queremos obter o que nos foi prometido. Amém.
Dom Samuel Dantas, OSB
Postado por Tereza Neuma Macedo Marques

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